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Luso Support Centre de Peel:

Necessidades dos portadores de deficiência abordadas durante visita da Primeira-ministra do Ontário

Por João Vicente
Sol Português

– "Ela grita muito! Grita que nem uma perdida e [por isso] a instituição onde estava colocada já não a pode receber mais".

- "Também tenho uma criança que grita muito e estou preocupada com o que lhe vai acontecer quando chegar aos 21 anos e acabar a escola".

– "Há três anos que tenho a minha filha na lista de espera do programa Passport [...] a resposta é sempre que não há dinheiro".

Estes foram alguns dos testemunhos ouvidos ao vivo pela Primeira-ministra do Ontário, Kathleen Wynne, durante a visita que no passado sábado (17) efectuou ao Luso Suport Centre de Peel (LSCP), o mais recente centro construído pela Luso Canadian Charitable Society (LCCS) e dedicado à prestação de assistência a pessoas portadoras de deficiências físicas e cognitivas.

Já em jeito de campanha para as eleições provinciais de 7 de Junho, a visita da chefe do governo provincial ainda assim não deixou de agradar aos responsáveis pela instituição e a directora executiva da LCCS, Lena Barreto, declarou-se grata pela sua presença, indicando que lhe permitiria constatar pessoalmente o impacto que os subsídios do governo tiveram na vida dos utentes do centro.

A Primeira-ministra começou por fazer uma breve visita guiada às instalações do LSCP e pouco depois foi recebida por algumas dezenas de pessoas no piso superior, incluindo o Presidente da organização.

Após proferir algumas palavras de boas-vindas a todos quantos ali se dirigiram, incluindo às equipas dos órgãos de comunicação social canadianos atraídos pela presença da chefe do governo, Jack Prazeres passou a apresentar o painel de convidados que, além de Kathleen Wynne e da da esposa, Jane Rounthwaite – que já trabalhou com organizações dedicadas à prestação de serviços a crianças e jovens portadores de deficiências – incluíram o ministro das Finanças do Ontário, Charles Sousa, e os deputados provinciais Bob Delaney (Streetsvile), Cristina Martins (Davenport) e Dipika Damerla (Mississauga-Cooksville).

Presentes estiveram também a conselheira da Direcção Escolar Católica de Mississauga, Luz del Rosario, e a ex-presidente da Câmara de Mississauga, Hazel McCallion, além de várias entidades ligadas à LCCS e aos seus vários centros, incluindo o presidente do Centro de Hamilton, Joe Botelho; a directora executiva da LCCS, Heather Grand; assim como o "presidente de tudo", que foi como Jack Prazeres apresentou Andrew, um dos utentes do LSCP, para grande regozijo e alegria de todos os que se encontravam no local.

Num resumo do que tem sido a última década de governação Liberal, Bob Delaney referiu-se ao primeiro saldo positivo numa década – registado pela província no ano passado – como um marco que indica o fim de uma era e o início de outra, enquanto a Primeira-ministra convidava o público a estar atento ao Discurso do Trono e à apresentação do novo Orçamento, marcado para essa segunda-feira (19), destacando que embora este previsse mais um défice, as iniciativas que continham seriam justificativas.

"Espero que, uma vez que vejam o orçamento e a comunidade tenha oportunidade de ver o que isso significa para as famílias, se apercebam de que ouvimos as vossas preocupações", declarou Kathleene Wynne, antes de convidar os elementos da assistência a dirigirem-se ao microfone para expressarem os seus problemas e preocupações.

A directora executiva do Centro da LCCS em Hamilton, Jacinta Ribeiro, foi a primeira a usar da palavra e para além de agradecer a verba contribuída pelo governo provincial – indicando que costuma explicar às famílias que a responsabilidade por cuidar destes jovens é tripartida entre as famílias, a sociedade e o governo – aproveitou o ensejo para perguntar o que é que vai ser feito para aliviar as listas de espera.

Durante cerca de meia hora, Kathleene Wynne escutou os comentários e o relato dos problemas que lhe foram colocados, comiserando-se com as queixas de quem tem à sua guarda pessoas com deficiências e se depara com graves lacunas e falhas sistemáticas, atribuíveis à falta de verbas.

A chefe do governo comprometeu-se a fazer o seu melhor para dar resposta a essas necessidades, deixando também palavras de apreço aos pais pelo seu empenho em enfrentarem e superarem essas dificuldades.

Antes de se iniciar uma conferência de imprensa, coube ao ministro Charles Sousa dar por encerrada a sessão, aproveitando para agradecer e elogiar as famílias que têm de se valer dos serviços da LCCS e prometendo que na sua capacidade de ministro das Finanças irá fazer o seu melhor para ajudar a dar resposta às muitas necessidades.

Em declarações à comunicação social, Kathleen Wynne reagiu às mais recentes declarações dos dirigentes da oposição, indicando que a promessa do partido da Nova Democracia (NDP) de reforçar os serviços de saúde é o caminho que o governo Liberal já está a percorrer e que a redução das despesas prometida pelo Partido Conservador é o oposto do que considera necessário fazer neste momento.

Em resposta a uma pergunta que lhe pedia o estabelecimento de uma relação directa entre os serviços prestados pela LCCS e o orçamento que estava para ser anunciado, a Primeira-ministra referiu tratar-se de uma organização "que está na primeira linha" na prestação dos serviços necessários, onde as famílias que a ele recorrem "sabem que têm um parceiro de confiança", e que o governo pode servir como "a terceira perna do banco" que apoia esse trabalho.

Também dirigentes da LCCS viriam a expressar-se, manifestando satisfação com esta visita da Primeira-ministra do Ontário por dar maior notoriedade à organização e às necessidades que procura suprir.

"Este programa faz muita falta, não só para os utentes mas também para os pais", referiu Jacinta Ribeiro, destacando que a missão é "cuidar do cuidador e, ao mesmo tempo, cuidar do utente".

Apesar do novo edifício em Peel, a organização continua com pessoas em lista de espera nas suas instituições em Toronto e Hamilton, mas segundo Cristina Marques, essas são as que felizmente ainda conseguem colocação em centros como estes.

Como explicou a dirigente da LCCS, existem actualmente cerca de 15.000 pessoas no Ontário com necessidades extremamente complexas que não têm onde ficar, pelo que esse será o próximo passo que precisa ser dado, por forma a criar centros residenciais especializados, capazes de aliviar as necessidades desses utentes e dos seus familiares.

"Há ainda muitas famílias que não têm ajuda e são essas que nós queremos atingir", afirmou por seu turno Jack Prazeres, indicando que a maior lacuna afecta os pais que não conseguem colocar os filhos em programas como os do LCCS, – "pessoas que nunca tiveram descanso a vida inteira", frisou.

Na sua opinião, "se [a Primeira-ministra] escutou bem as perguntas que foram feitas e aquilo que lhe foi dito, vai compreender a necessidade que há realmente e ver os buracos que há no sistema e que não [permitem] acudir a essas famílias que precisam de ajuda", acrescentou, reforçando que passaram muito tempo a contactar o gabinete da chefe do governo para que esta visita se pudesse realizar pois queriam que o governo ouvisse directamente das pessoas que estão a precisar de apoio.

Para continuar a sua actividade, a organização depende quase exclusivamente de donativos pelo que a 7 de Abril está projectada uma gala de fado com vista à angariação de fundos.

O evento, para o qual podem ser feitas reservas através do telefone 289 700-1134, terá lugar na LIUNA Grand Station de Hamilton e conta com a participação dos fadistas Clara Santos, Sónia Tavares, Teresa Santos, Jennifer Bettencourt, Rui Furtado e Luís Ferraz.


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