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Canadá/Covid-19:

Número de novas infecções no Ontário oscila entre 650 e mais de 800 por dia

Os mais de 2,5 milhões de novas infecções que foram detectadas na última semana em todo o mundo e as 41.000 mortes atribuídas ao vírus corona elevaram o número de pessoas que contraíram Covid-19 desde que a pandemia deflagrou para quase 41 milhões, 1,1 milhões das quais faleceram.

No mesmo período no Canadá registaram-se mais 17.000 casos, mantendo-se a tendência para aumentar, o que fez descer mais uma vez a taxa de recuperação da doença – de 84,3 para 84,2 por cento – e elevou o número de infecções detectadas até à data para mais de 201.000, das quais, com o registo de 113 novos óbitos desde a semana anterior, 9.778 faleceram.

A meio da última semana, durante uma conferência virtual sobre saúde pública, o Dr. Howard Njoo, vice-director dos serviços de saúde do Canadá, afirmou que uma recolha de dados mais cuidada pode ajudar a lidar com as desigualdades sociais que foram expostas pela pandemia.

Segundo o médico, a recolha de informações sobre raça e etnia para fins de planeamento de saúde tem sido descurada durante muito tempo, mas agora todos reconhecem ser importante pois torna possíveis abordagens específicas, adaptadas às diferentes regiões do país.

De igual modo, o Director da Associação Canadiana de Saúde Pública, Richard Musto, defende que todas as organizações de saúde e serviços sociais do país devem utilizar dados demográficos para que se possa compreender melhor quem tem sido afectado desproporcionalmente pela pandemia.

No mesmo âmbito, um estudo organizado pelo Centro para a Toxicodependência e Saúde Mental, e pela plataforma de pesquisa online Delvinia revela que as mulheres foram mentalmente mais afectadas pela pandemia do que os homens e que esse impacto aumentou em Setembro.

Segundo os peritos, a crescente ansiedade em torno do regresso dos filhos às aulas, cuidar das crianças e as actividades rotineiras da lide doméstica, que tradicionalmente recaem ainda maioritariamente sobre as mulheres, está a afectar o seu regresso ao trabalho.

Foi também a meio da última semana que novos dados inquietantes com respeito à progressão da pandemia no Ontário vieram à luz, quando o índice de infecção entre as pessoas que fizeram testes de despistagem de Covid-19 subiu repentinamente para cerca de três por cento, face à media anterior que rondava os 2,2 por cento

Isto significa que três em cada 100 pessoas testadas tiveram resultado positivo, um nível que é internacionalmente reconhecido como sendo preocupante e que de imediato levou o Primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, a impor novas restrições em vários sectores de actividade económica e social em Toronto, Peel e Otava.

O governo provincial anunciou também que a partir dessa sexta-feira (16) os residentes nos lares da terceira-idade nessas três regiões passariam a ficar limitados nas suas saídas por motivos sociais ou pessoais, excepto por razões médicas ou compassivas.

Entretanto, o Departamento de Saúde do Canadá adicionou mais cinco produtos à lista de desinfectantes que estão a ser recolhidos por não estarem devidamente rotulados ou por conterem certos tipos de álcool que são proibidos por serem prejudiciais à saúde.

Desta vez foi o conteúdo de metanol ou etanol que levou à recolha de dois produtos da firma "Sanix", bem como os desinfectantes de mãos "Prairie Potions Purify and Antibacterial Spray", "Last Best Brewing and Distilling Hand Sanitizer" e "Rocky Mountain Soap Company's Nomad Hand Sanitizer (Lemongrass)".

Numa aparente inversão de opinião, uma entidade oficial do Banco do Canadá indicou que as alterações nos hábitos de compras dos canadianos devido à pandemia significa que os bancos centrais precisam de acelerar a criação das suas próprias moedas digitais, face à popularidade de formas de pagamento como a Bitcoin e outras.

Estes comentários surgem contrários aos que o vice-governador do Banco do Canadá, Timothy Lane, fez em finais de Fevereiro, antes da pandemia se instalar, quando afirmou que não havia até àquele momento um caso convincente para justificar emitir uma moeda digital alicerçada pelo banco central.

No dia seguinte, o Tribunal do Ontário tornou público o veredicto emitido na sequência dum processo contra a Câmara Municipal de Toronto, onde concluiu que a autarquia estava em falta nas suas obrigações para com os sem-abrigo.

De acordo com o documento, o município falhou no cumprimento das regras de distanciamento entre os sem-abrigo que pernoitam nos albergues que estão sob sua administração, devendo por isso voltar a emitir relatórios semanais sobre o cumprimento das regras.

Por sua vez, a Comissão de Transportes Públicos de Toronto (TTC, na sigla em inglês) revelou que face ao aumento no número de utentes que voltaram a viajar nos transportes colectivos, estava a chamar ao serviço os restantes 180 empregados cuja actividade tinha suspendido temporariamente e que não haviam ainda sido readmitidos, para que comecem a trabalhar já na primeira semana de Novembro.

Com a chegada do fim-de-semana, o aumento no número de infecções levou os governos das províncias do Ontário, Quebeque e Manitoba a prepararem-se para impor mais restrições à actividade dos seus cidadãos.

Na sexta-feira (16) o total de casos a nível nacional rondava já os 200.000, com uma média diária de 2.300 novas infecções e 20 mortes.

Nesse dia, o Primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, reconheceu publicamente que os lares de idosos do país não tinham feito o suficiente para proteger os seus residentes durante a primeira vaga de Covid-19 e que o governo federal tem a responsabilidade de intervir.

O Primeiro-ministro indicou, porém, que o governo quer ver mudanças através da adopção de uma série de normas nacionais, estabelecidas de comum acordo entre os governos provinciais, e não por decreto que transfira a jurisdição do sistema de lares da terceira-idade no país para Otava.

Durante o fim-de-semana foi decretada a existência de surtos infecciosos em dois hospitais de Toronto, São José e Toronto Western, após confirmação de que houve pelo menos dois casos de infecção num período de 14 dias que podem razoavelmente ter acontecido nestas instituições de saúde – a medida padrão pela qual é decretada a existência de um surto.

No domingo de manhã o número de infectados no hospital de São José ascendia já a sete pacientes e 13 funcionários, e abrangia quatro unidades, com uma outra em estado de alerta por suspeita de ali ter também ocorrido um caso de contaminação ainda a ser investigado.

Entretanto o surto no hospital Toronto Western afectava seis funcionários e três pacientes em duas unidades e foi revelado que também no Centre for Addiction and Mental Health (CAMH) tinham sido detectadas infecções em cinco pacientes.

Já no começo desta semana o ministro da Segurança Pública, Bill Blair, anunciou que o Canadá vai prolongar o encerramento da fronteira com os Estados Unidos da América – em vigor desde Março – até 21 de Novembro, mantendo-se apenas a circulação considerada essencial para garantir o fornecimento de bens e serviços entre as duas nações.

Face às realidades do mundo moderno, o presidente do Conselho do Tesouro, Peter Bethlenfalvy, apresentou uma ambiciosa iniciativa para melhorar o acesso dos cidadãos do Ontário a uma série de serviços governamentais através da adopção de uma estratégia de identificação electrónica.

A principal componente desta proposta envolve a criação de uma "carteira digital" – armazenada de forma segura no telemóvel pessoal do utente – com documentos oficiais como o cartão de saúde, carta de condução, certidão de nascimento e outros, os quais permitem aceder a serviços governamentais e facilitar o acesso do pessoal médico à informação de saúde do paciente, em qualquer lugar e através de qualquer dispositivo.

A ser adoptada, a "carteira digital" evitaria deslocações dos utentes às repartições do governo, bem como tornaria mais seguro o fornecimento de dados pessoais que actualmente são partilhados por e-mail e por outros métodos passivos de serem interceptados por terceiros.

Entretanto, dados publicados pelo Departamento de Saúde Pública de Toronto revelam que a proporção de testes de despistagem que estão a ser realizados nas zonas com maior incidência de Covid-19 é inferior às que se realizam noutras áreas menos afectadas.

Por esse motivo, a Direcção de Saúde da autarquia pediu ao governo provincial para aumentar a disponibilidade e a acessibilidade aos testes de despistagem nessas zonas.

É neste clima que as autoridades de saúde de todos os níveis governamentais têm vindo a público para se pronunciar sobre um dos mais populares eventos do calendário: o Halloween, ou Dia das Bruxas.

Embora ainda dias antes houvesse quem oferecesse-se esperança de que a habitual ronda das crianças que vão de porta-em-porta, mascaradas, a pedir doces e guloseimas na noite de 31 de Outubro se pudesse realizar sem limitações geográficas – ainda que em moldes mais modestos – esta semana todos são unânimes na importância de não o fazerem nas zonas onde a pandemia grassa mais intensamente.

Na opinião do Dr. David Williams, director de Saúde do Ontário, a pandemia inviabilizou a tradicional correria das crianças de porta-em-porta no "Halloween" à procura de doces em Toronto, Peel, York e Otava, e o governo provincial assim decretou.

De igual modo, as autoridades de saúde de Toronto, das regiões de Peel e de York, assim como de Otava, onde se têm registado mais casos, desaconselharam a celebração desta festividade nas áreas sob a sua jurisdição.

Na vizinha província, Quebeque – a mais afectada pela doença – o Primeiro-ministro François Legault sugere que é possível ir de porta-em-porta à procura de guloseimas, desde que usem máscaras e se façam acompanhar da família em vez de irem com os amigos.

O mesmo sugeriu a Dra. Theresa Tam, chefe dos serviços de saúde canadianos, que dias antes indicou que não será necessário cancelar o Halloween com medo do vírus corona, mas lembrou que é importante seguir as regras básicas, incluindo juntar às habituais máscaras das crianças a de Covid-19, ter consigo desinfectante para as mãos e limitarem-se aos doces embalados.

Contudo, estas sugestões surgem no contexto da necessidade de se observarem sobretudo as regras e a situação específica de cada localidade.

Em Otava, uma das cidades mais afectadas, as autoridades de saúde sugerem a realização de festas de mascarados virtuais e que limitem a procura de doces ao núcleo familiar.

De igual modo, em Toronto a Dra. Eilleen de Villa, responsável pelos serviços de saúde da autarquia, considerou muito arriscado a participação nas celebrações como tradicionalmente se realizam, de porta-em-porta, por ser muito provável que haja contacto entre as crianças ao passarem umas pelas outras.

Nesse sentido, Justin Trudeau pediu a todos os cidadãos para que sigam as directrizes emitidas pelas suas autoridades de saúde locais nas celebrações do Dia das Bruxas – uma questão premente para muitos pais que tentam descortinar uma verdadeira manta de retalhos de instruções e conselhos que variam de região para região.


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