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Toronto/Covid-19:

Vereadora luso-canadiana pronuncia-se sobre a situação na cidade

Por João Vicente
Sol Português

Com as medidas implementadas pela Câmara Municipal de Toronto para evitar a propagação da Covid-19 a decorrerem desde há várias semanas – a par das decretadas pelos governos provincial e federal – o jornal Sol Português voltou a contactar a vereadora Ana Bailão para obter o seu parecer sobre a situação actual e eventuais previsões para um futuro próximo.

A vereadora luso-canadiana representa o distrito com maior percentagem de portugueses e luso-descendentes no país e desempenha também o papel de vice-presidente da autarquia, estando por isso a par das principais decisões tomadas a nível municipal.

Segundo indicou, a situação contínua em fluxo pelo que as medidas a implementar pela autarquia são também necessariamente fluídas, adaptando-se às circunstâncias.

Aquando da nossa conversa, na segunda-feira (20), Ana Bailão indicou pouco ter a acrescentar ao que já anteriormente nos havia indicado e ao que temos vindo a noticiar, e reforçou que a maior parte das medidas em vigor deverão manter-se até 30 de Junho.

Isto significa que não serão emitidas licenças para a realização de eventos em espaços públicos sob a tutela da Câmara, incluindo as ruas, jardins, parques e centros comunitários, pelo menos até essa data.

"E depois não vai ser uma situação em que nós acordamos no dia 1 de Julho e voltamos a viver como vivíamos antigamente", acautela a vereadora luso-canadiana ao lembrar que "até haver uma vacina" para a Covid-19, o regresso à normalidade será "muito relativo, por etapas e sempre com precaução", pois "pode haver uma segunda vaga ou terceira vaga" de contágio.

Por isso mesmo, prevê que será necessário manter um estado de monitorização contínua.

Embora indique que se começam a ver resultados positivos em consequência das regras que foram decretadas, Ana Bailão salienta que estas terão de continuar a ser cumpridas ainda "durante algumas semanas alargadas", nomeadamente no que toca ao isolamento social e aos cuidados de higiene, com a lavagem frequente das mãos e o cobrir da boca ao tossir ou espirrar.

"Depois temos de começar devagarinho a tentar reabrir certas coisas", refere ao explicar que "é esse `devagarinho' e o `quê' e `como' que a Câmara" está a tentar determinar, em conjunto com o governo provincial porque é uma situação "que tem de ser coordenada".

Esperançada pelo anúncio feito nesse dia pela chefe de saúde pública da Câmara de que o contágio estaria perto de atingir o auge, considerou ser muito bom o facto de isso ter acontecido e "termos ainda capacidade de resposta nos hospitais", indicando que é importante agora "começar a baixar o número" de infectados.

Para isso, considera fundamental "um grande aumento na capacidade de fazer testes" junto da população pois só assim será possível dar início ao processo de abertura e de regresso às actividades com sucesso.

"Ao mínimo sinal que esteja a acontecer qualquer coisa, temos de saber a origem [do surto] para o poder controlar e isso só é feito com muitos, muitos testes", algo em que "o governo provincial está a trabalhar", mas "ainda lá não chegámos", destaca.

Esta é uma área da responsabilidade da província uma vez que, como destaca, é o governo do Ontário que elabora as listas, determina a ordem dos testes e controla os laboratórios.

Segundo revelou, a Câmara tem vindo a pedir para que se realize um maior número de testes em lares de idosos, junto dos sem-abrigo e outros grupos que têm sido focos de infecção, mas ressalva que a autarquia "apenas pode pedir", já que o poder de decisão é da responsabilidade do governo da província.

Embora Ana Bailão não indique um número concreto de testes diários que considera essencial realizar para dar por terminado o período de isolamento na cidade, considera que não se atingiu ainda esse nível e vai ser preciso ir além do que se está presentemente a fazer.

Tal como alguns supermercados já medem a temperatura dos clientes antes de os deixarem entrar, esse tipo de rastreio e um maior número de testes são o género de medidas necessárias para adequadamente detectar os casos de contágio e chegar rápidamente à origem, impedindo assim que a doença se continue a propagar.

A propósito da eventual reabertura das actividades, que considera que terá necessariamente de ser feita por fases, revela com um enfático "não" que não há ainda quaisquer detalhes sobre a forma como isso irá decorrer.

"Estamos no início das conversações", explica, lembrando que "a primeira reunião foi o presidente da Câmara que a teve este sábado com os funcionários públicos superiores" e visou identificar as prioridades e as etapas a estabelecer, "tendo em consideração que tudo isto vai ser guiado pelos conselhos dos funcionários da saúde pública".

Ao finalizarmos a nossa conversa, Ana Bailão chamou a atenção para uma série de serviços camarários que são prestados através do 211, bem como para a importância das pessoas que o possam fazer se voluntariarem para ajudar os mais necessitados.

"Por exemplo, se são idosos que estão em casa e não querem sair, podem telefonar para o 211", esclareceu a edil, adiantando que "temos a Cruz Vermelha que se for preciso vai levar-lhes as mercearias a casa".

Os serviços acessíveis através deste número poderão valer ainda a quem tenha dificuldades em relação à compra de alimentos, questões de habitação ou de acesso aos programas do governo federal e, como destacou, a língua não é impedimento pois os esclarecimentos e atendimento podem ser prestados em 150 idiomas.

Entretanto, quem deseje canalizar o seu tempo e esforço para ajudar os mais vulneráveis na sociedade poderá fazê-lo a nível local no distrito de Davenport através da iniciativa davenporthelps.ca (site onde quem procura ajuda também poderá encontrá-la), a nível da autarquia, em volunteertoronto.ca, e a nível provincial, em sparkontario.ca.


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