BRASIL EM FOCO


Indígenas denunciam política de genocídio, etnocídio e ecocídio do Governo brasileiro

Mais de 600 líderes indígenas brasileiros, reunidos em torno do emblemático chefe Raoni Metuktire no meio da floresta, denunciaram sexta-feira a política de "genocídio, etnocídio e ecocídio" incentivada, acusam, pelo Governo de Jair Bolsonaro.

Líderes indígenas e representantes de outras comunidades amazónicas estão reunidos desde terça-feira no estado de Mato Grosso, para formar uma união sagrada contra a política ambiental do Presidente brasileiro.

Estes responsáveis acusam o Governo de ameaçar o modo de vida dos nativos com as suas políticas, em particular através de uma lei com a qual se pretende autorizar actividades de mineração em terras reservadas para os nativos.

"O nosso objectivo era unir forças e denunciar um projecto político do Governo brasileiro de genocídio, etnocídio e ecocídio que está em andamento", pode ler-se no projecto de manifesto elaborado no final da reunião, aprovado durante a noite.

O Presidente Jair Bolsonaro "ameaça os nossos direitos, a nossa saúde e o nosso território", sublinha-se no texto, que foi lido em português e depois nas diferentes línguas indígenas da "casa dos homens" de Piaraçu, uma localidade afastada dos grandes centros urbanos, localizada nas margens do rio Xingu, no meio da floresta.

"Não aceitamos a mineração nas nossas terras, madeireiros, pescadores ilegais ou hidroeletricidade. Somos contra qualquer coisa que destrua a floresta", acrescenta-se no documento.

Os líderes indígenas também lamentaram que "ameaças e discursos de ódio do Governo incentivem a violência contra os povos indígenas e os assassínios dos (...) líderes" e exigem "punição para aqueles que matam" os seus "entes queridos".

Os nativos enfrentam "não apenas o Governo, mas também a violência de uma parte inteira da sociedade que expressa claramente o seu racismo", denunciam.

Em 2019, pelo menos oito líderes indígenas foram assassinados, três deles em menos de uma semana.

O chefe Raoni, de 89 anos, pretende levar o manifesto ao Congresso em Brasília, pessoalmente.

Na quinta-feira da semana passada, as lideranças indígenas brasileiras já tinham lançado uma aliança de oposição às políticas ambientais defendidas pelo Governo.

"Estamos vivendo um momento dramático, quase uma situação de guerra", disse então a coordenadora da Associação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Sonia Guajajara, durante a reunião.


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