1ª PÁGINA


"Açorianos no Mundo":

Novo portal quer ser elo de ligação às comunidades da diáspora

Por João Vicente

Sol Português

Destinado a estabelecer uma ligação directa com a diáspora, o projecto "Açorianos no Mundo" foi apresentado na passada sexta-feira (17) à comunicação social luso-canadiana por dois elementos do Governo Regional dos Açores (GRA), Rui Bettencourt, e Paulo Teves, que se deslocaram a Toronto para dar a conhecer a iniciativa.

No decorrer de uma conferência de imprensa na Casa dos Açores do Ontário, Rui Bettencourt, secretário regional adjunto da presidência para as relações externas do GRA, lembrou existirem cerca de 1,5 milhões de açorianos espalhados pelo mundo – o que corresponde a cerca de seis vezes a população residente nos Açores – um enorme recurso "que interessa" e que o governo deseja "valorizar e reconhecer".

O projecto surge a par da criação do Conselho da Diáspora Açoriana (CDA), que lembrou ter sido aprovado em 2019 por unanimidade na Assembleia Legislativa Regional, após a apresentação do diploma.

Com todos os 57 deputados dos seis partidos com assento na Assembleia a votarem a favor da sua criação – algo que Rui Bettencourt diz não ter memória de alguma vez ter presenciado – o CDA será presidido pelo presidente do Governo Regional e constituído por 36 elementos, 19 dos quais devem provir das comunidades açorianas no exterior e por elas eleitos.

É nesse sentido que o portal acorianosnomundo.azores.gov.pt surge como complemento à iniciativa já que não só se destina a recolher o registo e o recenseamento dos que tenham nascido nos Açores, sejam descendentes de açorianos, casados com açorianos ou tenham vivido um mínimo de cinco anos na Região Autónoma dos Açores e que se desejem inscrever, como, desde que vivam fora da região autónoma, podem candidatar-se a conselheiros do CDA pela região onde residem ou votar para eleger esses conselheiros.

Segundo Rui Bettencourt, que se fez acompanhar nesta deslocação pelo director regional das comunidades, Paulo Teves, o Governo Regional dos Açores pretendia fazer uma plataforma electrónica "para registar e fazer o mapeamento" das populações açorianas no mundo, destacando que através dela já descobriram a existência de "alguns açorianos em sítios que nem imaginávamos".

Contudo, como enfatizou, o objectivo principal do portal – que está a funcionar há apenas um mês – vai ser possibilitar a candidatura e a selecção dos conselheiros eleitos pela diáspora açoriana e que, no decorrer de mandatos voluntários pelo período de quatro anos, irão passar a representar as comunidades no CDA.

No caso do Canadá haverá quatro conselheiros a representar províncias específicas, nomeadamente: Quebeque, Manitoba, Ontário e Colúmbia Britânica, e um quinto que representará os açorianos residentes nas restantes áreas do país.

A par dos 19 representes da diáspora, o CDA será constituído pelo membro do governo regional com competência em matéria de emigração e das comunidades açorianas; por três representantes da Assembleia Legislativa dos Açores; por um representante do Conselho Mundial das Casas dos Açores; e pelos directores regionais com competências nas áreas da emigração e comunidades, da solidariedade social, do emprego e da qualificação profissional, da cultura, do turismo e dos incentivos.

Completam ainda o elenco um representante da Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores (SDEA); um representante da Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores; um representante das associações de emigrantes com presença e actividade na Região Autónoma; um representante da Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas; e um representante do Conselho das Comunidades Portuguesas.

"O objectivo central é envolver todos os açorianos, onde quer que estejam, sejam de que geração forem, no projecto açoriano", referiu Rui Bettencourt, já que, considerou, "o projecto do futuro dos Açores é algo que deve implicar todos os açorianos, quer estejam nos Açores ou fora" do arquipélago.

Há ainda um outro objectivo que considerou muito importante, "que é os açorianos no mundo, através dos seus representantes, também dizerem as suas preocupações em relação às suas comunidades", destacou o representante do Governo Regional.

A seu ver, a mensagem chegará assim mais rápido e mais perto, não só da presidência do governo e da associação dos municípios da região autónoma, mas também de todos os outros representantes dos departamentos ligados à diáspora ou a ela relacionados.

Para além de ter consequências práticas e directas para quem vive fora da Região Autónoma, o projecto é previsto ter também ramificações a nível da autonomia ao adicionar um milhão e meio de pessoas à "população açoriana" e ao ampliar e amplificar o perfil da Região em termos globais.

Segundo Rui Bettencourt, a iniciativa permitirá que as populações da diáspora não só dêem voz às suas preocupações relativas à comunidade em que se inserem, mas também opinem sobre a governação da própria Região Autónoma dos Açores.

Consciente de que irá levar tempo até que esta iniciativa esteja a funcionar em pleno, o secretário regional adjunto da presidência regional recorda que o objectivo imediato é dá-la a conhecer à diáspora, para que todo este sistema passe a funcionar o mais rapidamente possível e a primeira reunião do CDA ocorra ainda no fim do primeiro semestre de 2020.

"A ideia é colocar todo o povo açoriano a reflectir, a trabalhar e a contribuir para o projecto açoriano", salientou, lembrando que "este é que é o grande passo" nesse sentido.

Os açorianos que não sejam residentes na Região Autónoma e desejem inscrever-se no portal têm de ter e-mail pessoal – ou seja, não podem usar o seu para inscreverem um avô, por exemplo – assim como documentos comprovativos digitalizados, por forma a carregá-los aquando do acto do registo, tais como carta de condução, certificado de residência fiscal, facturas (água, luz, telefone ou internet), recibo e/ou contrato de arrendamento, e outros relativos à ascendência açoriana.

Concluído o registo, passam a poder candidatar-se a conselheiros pela região onde residem assim como a poderem eleger o conselheiro dessa região através de voto electrónico.

A missão de divulgação deste projecto teve início no Brasil – onde Rui Bettencourt indicou ter sido muito bem recebida – passou pelas Bermudas e chegou agora ao Canadá, com os representantes do GRA a visitarem também as comunidades do Oeste do país assim como as maiores e mais centrais, em Toronto e Montreal.

Seguem-se a Califórnia, em meados de Fevereiro, e então Portugal continental, enquanto que o resto da Europa, África e Ásia vão ser contactados por outra via.


Voltar a Sol Português