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Forças armadas canadianas procuram abolir racismo e intolerância nas suas fileiras

As Forças Armadas Canadianas (FAC) acabam de emitir novas ordens que projectam uma linha mais dura na forma como lidam com "conduta odiosa", após alegações de que vinham sendo demasiado brandas.

Naquilo que o responsável pela estratégia, planos e política do gabinete do chefe do serviço militar, Marc Gagné, classifica como "um primeiro passo" num esforço para mudar atitudes a longo prazo, a liderança militar canadiana acaba de banir imagens, palavras ou símbolos que encorajem, justifiquem ou promovam ódio ou violência contra indivíduos ou grupos.

Estas ordens surgem no rescaldo de vários incidentes onde as FAC foram apanhadas de surpresa pelas acções odiosas e ligações a grupos de ódio de alguns dos seus membros.

Nesta altura em que as FAC estão a tentar diversificar as suas fileiras com a inclusão de mais mulheres, minorias visíveis e pessoas indígenas por forma a melhor reflectir a sociedade canadiana e possibilitar um melhor desempenho no terreno estas ordens procuram remover qualquer ambigui-dade possível e responsabilizar tanto a chefia como os seus subalternos.

A partir de agora as tropas passam a ter de denunciar todo e qualquer incidente, enquanto que aos comandantes é exigido que ajam quando forem informados de incidentes – tendo sido todos eles avisados de que serão responsabili-zados, caso não o façam.

Foi ainda criada uma base de dados com base no sistema que monitoriza alegações de natureza sexual para registar incidentes de natureza discriminatória ou odiosa.

Esta nova abordagem decorre de casos como o dos marinheiros ligados aos "Proud Boys" – um grupo neo-fascista de extrema direita – que em 2017 perturbaram uma cerimónia de nativos Mi'kmaq em Halifax ou o do reservista do exército acusado de andar a recrutar para um grupo neo-nazi que foi detido nos Estados Unidos da América e acusado pelo FBI de conspiração para iniciar uma guerra racial.

As FAC têm sido acusadas de terem a mão leve no que toca a este tipo de casos, como foi exemplifi-cado quando um relatório da inteligência militar identificou 30 militares como pertencentes a grupos de ódio ou por terem feito comentários racistas ou discriminatórios, dos quais 16 foram advertidos, disciplinados ou obrigados a receberem aconselhamento mas sempre mantiveram o uniforme.

Está a ser desenvolvido um novo treino para as tropas e processo de selecção dos recrutas com a intenção de deixar bem claro que este tipo de conduta é inaceitável e "vamos continuar a reforçar isso através de educação e treino, conforme [as tropas] sobem na hierarquia e assumem mais responsabilidade", afirma Gagné.


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