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43.º Aniversário:

CCPM abre comemorações com agradecimento aos sócios

Por João Vicente

Sol Português

Uma semana antes, mas já com tudo a postos para assinalar o seu 43° aniversário, o Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM) deu início às celebrações no passado domingo (19) com um dia dedicado aos sócios e a tradicional cerimónia do hastear da bandeira na sua sede.

A manhã começou com a celebração de uma missa, reflexo, como referiu o presidente do Executivo, Tony Sousa, do facto de ter sido nesta colectividade que se celebraram as primeiras homilias em português em Mississauga.

De seguida foram hasteadas no exterior as bandeiras do Canadá, de Portugal, da cidade de Mississauga e do próprio clube, reunindo-se para esse efeito algumas dezenas de pessoas que corajosamente enfrentaram o vento forte e gélido que se fez sentir nessa manhã.

Enquanto iam sendo hasteados os estandartes, escutaram-se os hinos do Canadá e de Portugal nas vozes das crianças da Escola Portuguesa Fernando Pessoa, que os entoaram acompanhadas pelo público.

De volta ao interior, onde continuavam a chegar sócios, Tony Sousa fez o ponto da situação do CCPM em declarações aos jornais Sol Português e Voice ao realçar o prazer e orgulho que sentia em ver ali todos aqueles sócios.

"Para nós é o pagamento do trabalho que fazemos", disse, apontando para a casa já quase cheia.

A colectividade atravessa um período áureo, algo que considera ter muito a ver com o trabalho que ocorre "por trás das cenas", e cita o exemplo da noite anterior em que ali decorreu um evento.

Os voluntários saíram do salão às 4h30 da manhã e às 7h00 já ele estava a receber uma mensagem de texto a comunicar que o técnico de som da TNT estaria no clube daí a meia hora para começar a montar o equipamento.

"É muito trabalho e amor à camisola", refere Tony Sousa em jeito de síntese, antes de acrescentar que o louvor é todo dos voluntários.

É um sentimento ecoado pelo sócio número 7 desta colectividade, Armindo Silva, que considera que "fazem um bom trabalho", e que mesmo "não podendo falar pelas outras associações, porque não conheço, deve ser difícil duplicar o grupo de voluntários e o número de actividades que esta gente aqui faz – às vezes não sei como eles aguentam", remata.

Para Armindo Silva, a dinâmica de amizade e camaradagem que se vive no clube é uma explicação para o espírito de entrega e sacrifício que observa.

Entretanto, Tony Sousa congratula-se com alguns dos sucessos mais recentes, incluindo a reposição da escola de Português do CCPM, que tem vindo a desabrochar de há dois anos para cá, após uma interrupção de alguns anos.

O dirigente tece ainda louvores à secção de juventude, que é "bastante activa e ajuda muito", especialmente aos sábados de manhã, quando outros jovens preferem estar noutros lados a fazer coisas que não serão tão úteis, "assim como nós já estivemos", reconhece.

Também o rancho, que celebrou o seu aniversário o mês passado e é composto por cerca de 80 elementos, de todas as faixas etárias, é apontado como um orgulho e uma mais valia desta Casa – "temos aqui dançarinos dignos de ser vistos", garante – e há ainda um grupo da terceira idade que, além de se reunir e conviver diariamente, entretendo-se com actividades várias, vai ajudando a casa com algumas coisas.

Já a música e o desporto rei são duas áreas com pouca actividade mas que acredita terem potencial.

"O futebol já teve mais força no CCPM", confessa Tony Sousa, adiantando que quando o treinador deixou de ter viabilidade para continuar as suas funções, a secção ficou inactiva, mas que ainda têm vontade de lançar uma escolinha para os mais pequenos.

De igual modo, também já se falou numa escola de música e embora indique que as pessoas que aceitaram o compromisso não tenham cumprido com o acordado, é uma ideia que ainda não foi posta de parte.

Naturalmente, o objectivo de todas estas iniciativas é assegurar o futuro do CCPM.

"Estamos a trabalhar para não deixar morrer o clube […], temos de dar oportunidade aos nossos jovens [...] e eles gostam de estar connosco – isso faz-me ver que o clube vai estar aqui por vários anos", afirma o seu presidente.

Apesar de consciente de que o CCPM se encontra de boa saúde, dirigentes e sócios têm consciência também de que não se podem distrair e tentam idealizar e executar projectos com vista a manter e a melhorar a situação.

Por forma a viabilizar economicamente as actividades do dia-a-dia, o clube procura alugar os seus espaços a terceiros durante a semana e almeja agora conseguir um subsídio do governo que lhe permita empregar uma secretária a tempo inteiro.

Apesar da grande quantidade de jovens e crianças que frequentam o clube – pelo menos em comparação com muitas outras colectividades – Armindo Silva é da opinião que ainda se poderia fazer melhor.

Nesse sentido, e ultrapassadas as barreiras burocráticas e outras que se possam apresentar, considera que uma creche talvez fosse ideal para manter a ligação dos jovens, enquanto transitam do envolvimento activo para a vida conjugal e familiar, que é normalmente a fase em que tendem a desligar-se da colectividade.

Os sócios, esses são em grande parte fiéis ao clube e nessa tarde que lhes era dedicada voltaram a comprová-lo ao se apresentaram em grande número na sede do CCPM.

Após um aperitivo, seguido de almoço – ambos servidos em estilo de bufete – escutaram-se alguns dos visitantes que se aliaram a esta celebração, designadamente representantes de outras colectividades luso-canadianas.

Gilberto Moniz, que preside à Assembleia-Geral do CCPM, convidou Teresa Batista, Victor Rocha e Deodato Medeiros a dirigirem algumas palavras ao público em representação, respectivamente, do Asas do Atlântico, da Casa das Beiras e do Centro Comunitário da Graciosa, deixando cada um deles uma oferta ao clube aniversariante.

O Rancho do CCPM, que tanto na forma como veste como no seu repertório representa todas as regiões de Portugal, animou esta festa do sócio com uma demonstração da alegria e energia que lhe são características, terminando os festejos com música para dançar.

Amanhã, sábado (25), irão realizar-se o Porto de Honra e Jantar de Gala comemorativos dos 43 anos de actividade do CCPM, serão que será abrilhantado pela conceituada banda luso-canadiana Tabu.


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