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Família portuguesa lança campanha no GoFundMe para ajudar a pagar despesas médicas

Uma família portuguesa a braços com uma crise médica criou uma página no site GoFundMe para ajudar a pagar as despesas da sogra, uma septuagenária sem seguro de saúde público ou privado que desde o início do ano está doente e hospitalizada em Toronto.

Segundo Sónia Bizarro Jardim, só as despesas da estadia no hospital ascendem a mais de 2.680 dólares por dia, para além dos exames e outras intervenções necessárias.

Em desespero, Sónia recorreu àquele site, onde cidadãos privados podem criar uma página a solicitar verbas do público por diferentes razões, neste caso apelando à generosidade e ao espírito de compaixão da comunidade para com as dificuldades financeiras que esta hospitalização súbita criou à família.

Como nos conta, a sogra, Maria Pacheco, de 70 anos, é natural de São Miguel-Açores e reside no Canadá com visto de visitante a aguardar a concessão do estatuto de residente permanente.

Sónia Jardim explica que há cerca de sete anos que aguardam que o processo avance, mas "temos lutado com [os serviços de Imigração canadianos] para que ela seja residente permanente, mais ainda não tivemos sorte".

Como todos os que procuram obter o estatuto de residente para pais e familiares idosos sabem, este é um processo difícil e moroso, e uma das principais queixas das famílias que pretendem reunir os seus entes queridos neste país de acolhimento.

Alguns dias antes do Natal, Maria Pacheco adoeceu subitamente e a família, ciente de que a despesa correria por conta deles, levou-a à urgência do hospital Humber River onde ficou internada.

Devido à sua presença no Ontário como visitante, Maria Pacheco não tem direito a assistência médica dos serviços de Saúde do Ontário (OHIP) e também não tem seguro privado porque, como Sónia nos explica, "mesmo que tivesse, [a companhia] não cobriria as despesas porque ela já teve algo parecido no passado" e as apólices de seguro de doença para visitantes excluem condições pré-existentes.

A família estava consciente do facto de que as despesas do hospital ficariam a seu cargo e Sónia pediu para que fossem colocados num plano de pagamento em prestações mensais.

Contudo, dias depois, precisamente no dia "1 de Janeiro, ela piorou e tivemos que trazê-la de volta [à urgência]" onde "a readmitiram, fizeram muitos testes" e ali permanece com prognóstico indefinido.

Chegou a prever-se que teria alta até ontem, quarta-feira (23), mas o estado de fraqueza, a par das dificuldades renais que entretanto se manifestaram e as contínuas dores de estômago que a afligem, impediram o regresso a casa.

"Num dos testes que ela fez, o resultado voltou negativo, o que por um lado é uma óptima notícia", diz Sónia Jardim, "mas continua com uma infecção urinária e a vomitar", sendo por isso necessário outros exames que, tal como a estadia, correm por conta da família.

"O hospital cobra pelo menos 2.680 dólares por cada dia/noite que ela lá está, não incluindo os testes que tenha feito ou que terá que continuar a fazer" e que incluem radiografias, tomografia computorizada, ultra-sons e vários outros exames que, como explica, "são à parte".

Face a uma conta que a 1 de Janeiro estimava em pelo menos 45.000 dólares, Sónia criou a página no GoFundMe (gofundme.com/help-for-maria039s-er-hospital-fund ) "com uma meta de 30.000 dólares para ajudar com a conta actual", segundo refere.

"Não sei se posso alcançar esse objectivo, mas claro, obtendo a ajuda do público com uma determinada quantia a longo prazo fará uma grande diferença e será uma grande ajuda".

Até ao momento, e em véspera da publicação desta edição, a campanha tinha registado donativos no valor de 2.950 dólares de um total de 19 dadores, incluindo 1500 dólares identificados como oferta da Fundação Pauleta.

Sónia Jardim explica que tentou procurar auxílio de outras organizações, mas que nenhuma pode ajudar com as despesas do hospital, "simplesmente ajudam só com médicos e remédios que forem precisos no futuro".

Foi, como relata, de uma forma resumida "o que acon-teceu e que me leva a pedir ajuda ao público português".

Para além da página da campanha acima indicada, os interessados em ajudar a família podem contactar directamente com Sónia Jardim através de e-mail, sonia_jardim85@hotmail. com ou do telefone 647 669-9763.


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