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Semana de Portugal:

ACMT deu arranque para competição internacional de folclore

Ranchos lusos do Canadá e EUA, e representações da Macedónia e do Equador na primeira edição de um certame que vai ter realização anual

Por João Vicente
Sol Português

Numa iniciativa que se pretende venha a realizar-se anualmente com a participação de ranchos da comunidade portuguesa e de várias outras etnias decorreu no último sábado (19), no salão Gerry Gallagher da LIUNA Local 183, o 1.º Festival Internacional de Folclore da Associação Cultural do Minho de Toronto (ACMT).

O certame, que está integrado no calendário de eventos da 31.ª Semana de Portugal da Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas do Ontário (ACAPO), teve nesta primeira realização as participações de vários ranchos da comunidade portuguesa no Canadá e de um grupo vindo dos Estados Unidos, assim como de dois ranchos representantes das culturas macedónica e equatoriana.

O projecto foi impulsionado pelo presidente da ACMT, Augusto Bandeira, que nos referiu ser sua intenção apresentar algo diferente dos festivais de folclore organizados pela colectividade minhota no passado pois, segundo ele, "quando se convidam ranchos da mesma região [...] não é um festival, mas sim uma competição de folclore".

Dado que a intenção não foi competir mas sim mostrar a cultura da região representada pelo rancho da ACMT, procuraram para isso diversificar a sua apresentação em termos de etnografia, trazendo "o Minho, mas diferente, que vem de longe", a par também de países diferentes.

Inicialmente, o objectivo era incluir já nesta edição grupos representantes da Itália, Grécia e Polónia, mas lamenta não ter sido possível ainda fazê-lo, tanto por motivos monetários como do tempo que seria necessário para a preparação de um festival mais abrangente.

Entretanto, adianta que para o ano pretendem trazer um rancho do outro lado do Atlântico, mais precisamente da zona de Viana do Castelo, além de representações da etnografia de outros países.

Nessa altura pensam contar também com o apoio da Associação de Folclore de Portugal, mas, segundo indicou, até lá precisam de elaborar um projecto com objectivos claros e alinhar patrocinadores ao longo deste ano.

No que diz respeito ao folclore nacional, Augusto Bandeira opina que para um país com tanta riqueza gastronómica e etnográfica, Portugal não está a ser bem representado.

"Estamos a trabalhar mal no terreno nesse sentido, porque a nossa etnografia está a ser pessimamente divulgada e precisamos de mais união, menos Casas e mais força", afirma o presidente da ACMT, salientando que isso será essencial para terem mais apoios, tanto do outro lado do Atlântico como por cá.

Entretanto, e no respeitante à realização deste ano do certame, Augusto Bandeira poderá ter sido o impulsionador, mas foi a filha, Jennifer, quem o levou avante, procurando fazer o melhor, maioritariamente com a "prata da casa": grupos locais, da Área da Grande Toronto, coadjuvados por ranchos vindos de London, de Montreal e de Newark - EUA.

A organizadora, que viria a agradecer todo o apoio que foi dado à ACMT, destacou sobretudo a prestação de Alexandre Silva, a quem se referiu como o seu "braço direito".

A assinalar o começo do espectáculo, o batuque dos Zés Pereiras da ACMT ribombou pelo salão de festas, sincopando os pés e os corações de quem assistia, e preparando a assistência para o que se iria seguir.

A primeira apresentação foi do rancho da casa, o Grupo Folclórico da ACMT, que passou a demonstrar a etnografia minhota através dos seus cantares e danças tradicionais numa boa exibição das suas alas sénior e infanto-juvenil.

O próximo a subir ao palco foi o Rancho Folclórico de London, Ontário, um grupo que opta por não representar uma região específica, mas ser abrangente de Portugal e regiões autónomas no seu todo, e cuja apresentação agradou ao público.

Seguiu-se a actuação do rancho da Nazaré, que é o mais antigo da comunidade e comemora este ano 59 anos de actividade, e que principiou com um pescador e uma lavadeira no centro do terreiro, aos quais se viriam a juntar todo o elenco que dentro em breve deliciava o público com a velocidade dos seus corridinhos.

As atenções concentraram-se então nas tradições da Macedónia, cuja cultura ali esteve representada pelo grupo Ilinden, da igreja ortodoxa St Ilija, de Mississauga.

Composto inteiramente por jovens, o grupo apresentou uma actuação que foi muito bem recebida pelo público maioritari-amente lusófono.

Mais tarde e em declarações ao jornal Sol Português, um dos líderes do grupo, Ivan Tockovski, mostrou-se entusiasmado com esta participação salientando: "Adorei a experiência! Boa música, boa gente e comida deliciosa", adiantando ter adorado também o sumo de laranja português.

Ivan está a treinar para ser coreógrafo do grupo Ilinden e diz que gostou de testemunhar os elementos comuns e as diferenças entre as músicas e as actuações dessa noite, apreciando sobretudo a partilha e a diversidade proporcionadas por este primeiro Festival Internacional de Folclore da ACMT.

Segundo o director, Alexander Braginsky, que considera importante participarem nestas realizações multiculturais para promoverem a sua cultura, o convite para esta actuação partiu de um "grande amigo", com quem têm viajado ao longo dos anos nas suas digressões: o proprietário da Mafra Tours e presidente do Rancho Folclórico da Nazaré, José Mafra, destacando que o grupo Ilinden participa em cerca de 30 festivais por ano, viajando um pouco por toda a parte.

Ultrapassado já o meio-termo do certame, o espectáculo continuou e logo de seguida a rusga da ACMT puxou pelo público, mantendo os espectadores animados até chegar a altura da intervenção do segundo rancho convidado, o Grupo Etnocultural Equatoriano que subiu então ao palco para demonstrar a etnografia da sua região.

Os coloridos e melódicos sons daquele país da América Latina foram seguidos dos alegres e mexidos ritmos ribatejanos, trazidos até Toronto pelo Grupo Folclórico Campinos do Ribatejo, de Montreal.

Jovens e adultos deram o seu todo e foram bem recebidos, mas o adorável grupo infantil levou a multidão ao rubro – e não era para menos, pois os seus pequenos dançarinos realmente dançaram a valer e a multidão só se podia mesmo render ao seu encanto e habilidade.

Como referiu a apresentadora, o elemento mais novo tem apenas três anos mas já dança "há três anos e nove meses" e, vista a prova, realmente parece que não estava a brincar.

Por último, vindo de Newark, Nova Jérsia, o Rancho Barcuense mais uma vez levou a etnografia do Minho ao palco e ao "terreiro", entusiasmando os espectadores, muitos dos quais não precisaram que insistissem para aceitar o convite das cantadeiras e juntarem-se aos dançarinos, numa mostra de alegria e convívio típica da gente minhota.

Para os organizadores, apesar do salão não estar cheio este 1.° Festival Internacional de Folclore foi um sucesso, somado ao longo de cinco horas de actuações praticamente sem parar – com pausas apenas para as trocas de actos e para darem algum alívio aos dançarinos, quando necessário.

Ao longo do serão foram-se trocando lembranças entre a organização e os grupos convidados, que receberam fitas comemorativas afixadas nos seus estandartes, assim como se procedeu ao sorteio de prémios.

Já passava da meia-noite quando a organização convidou todos os tocadores de concertina para junto do palco, para porem toda a gente a dançar com um vira geral, dando assim por terminado um bem sucedido espectáculo.

Segundo apurámos, o próximo grande evento da ACMT será o seu piquenique anual, que irá decorrer no dia 17 de Junho no Karlovac Croatian Park, sito ao 1860 da Thompson Road South, em Milton.

Entretanto, e ainda relacionado com o programa da Semana de Portugal 2018 da ACAPO, o espectáculo em tributo a Amando Costa "Rilhas", que estava agendado para a noite de amanhã, sábado (26), na Casa do Alentejo de Toronto, foi cancelado, segundo uma missiva da organização.


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