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Banda terceirense "FadoAlado" encanta no Canadá

Vozes e sons dos Açores ecoaram no coração da comunidade em espectáculos na CAO e CCPM

Por Rómulo Ávila

Sol Português

Numa tarde marcada pela emoção, lágrimas, abraços e sorrisos, a Casa dos Açores do Ontário (CAO) revelou-se pequena para receber, no passado domingo (20), o grupo terceirense "FadoAlado" que se deslocou ao Canadá onde realizou dois espectáculos – um na CAO e outro no Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM) – durante o fim-de-semana.

Composta por 10 elementos com idades entre os 25 e os 40 anos, os FadoAlado têm, instrumentalmente, Bernardo Oliveira na percussão, Ricardo Martins no bandolim, Tânia Gaspar no piano, Diogo Brasil na guitarra clássica e Gonçalo Fouto no acordeão, enquanto que as vozes de Sara Mota, Leandra Mota, Filipa Lima, Ivânia Pires e Lizélia Toste cantam numa demonstração de harmonia ímpar, que deleita quem as escuta.

Vestidos de azul, a cor do mar açoriano que divide, mas também une as ilhas, os elementos do grupo vencedor do Got Talent Portugal em 2021 conseguiram, em palco, transpor e levar o público numa autêntica viagem no tempo, recordando cada recanto dos Açores, cada festa, cada coroa do Espírito Santo, cada tourada e cada grão de areia das praias da sua ilha Terceira.

Pela mão do casal Marco e Sara Costa, o agrupamento musical encheu as duas salas onde actuou no Canadá: a CAO, em Toronto, e o CCPM, em Mississauga, sendo ainda de referir que dos Açores para o Canadá veio também a jornalista da RTP-Açores Eduarda Mendes, que teve como missão apresentar os espectáculos.

O tempo estava frio lá fora, mas naquela "sala açoriana", como elas próprias referiam, "sentia-se o calor das gentes portuguesas, o calor da saudade, o calor de uma luta de vida vencida".

Dirigindo-se ao público, afirmaram-se "portadoras de abraços da Terceira, mas", como realçaram, "para a Terceira e para os Açores levamos a alma de um povo que na bagagem não trouxe bens materiais, apenas o desejo de uma vida melhor, mas também o mais importante: os sonhos, a ambição, a fé e a esperança".

Autênticas marés cheias de som, os FadoAlado foram actuando, entre solos e canções em grupo, até ser tempo de fazerem uma pequena pausa.

Foi nesse intervalo que o jornal Sol Português conversou com as cinco jovens que dão voz ao grupo.

Clarificando que "todas falam como sendo uma só", Sara Mota começou por dizer que "é gratificante cantar para este povo, pois"; como afirmou, sabem bem "o que significa a palavra saudade.

Contudo, reconheceu que "só quem vive aqui é que sabe o que é sentir verdadeiramente saudades da ilha, das ilhas, da rua, do mar, do cheiro da terra, do mato, dos touros, das algas, das flores ou das hortênsias" motivo porque "aqui sentimos, em cada abraço que nos dão, que as pessoas estão a abraçar a ilha".

Em lágrimas sentidas, Leandra Mota, outra das vozes do grupo, assume que se "tem comovido muito" com esta visita ao Canadá, pois as pessoas dizem-lhe que o seu abraço tinha "sabor à sua casa e à sua ilha".

E reconhece: "Eu sei que quando nos dizem que estão a abraçar a casa, é muito forte: é abraçar o pai, a mãe, os irmãos".

Filipa Lima, por seu turno, frisa que "olhar para açorianos e [continentais] aqui, olhos nos olhos, é sentir que estamos a conseguir colocar no coração de cada um deles um bocadinho daquilo que trouxemos e isso tem para nós muita responsabilidade".

Também Lizélia Toste é clara: "não tenho palavras para descrever isto, este amor a Portugal e aos Açores. Cada aplauso, cada expressão, cada lágrima, cada vibração, cada aguentar de lágrimas e cada sorriso tem, aqui no Canadá, um peso especial. Estou arrepiada", afirmou.

Visivelmente emocionada, a colega Ivânia Pires afirma: "de cá para lá levo na bagagem para as nove ilhas cada beijo, cada abraço de saudade e cada suspiro" que aqui recebeu do público com que conviveram.

Como destaca: "gostava de conseguir memorizar cada pessoa que abracei, cada beijo e cada abraço que levo, para os entregar às pessoas certas".

E em jeito de despedida, prometeu: "levo na alma, e no próximo espectáculo que fizermos lá vamos entregar e levar isto tudo. O orgulho é enorme e vamos sempre trazer e levar o sentimento de ser ilhéu e da açorianidade, como bem escreveu o nosso Vitorino Nemésio", afirmou.

O espectáculo recomeçou pouco depois e muito mais houve para escutar e aplaudir por um público receptivo e carinhoso.

Os FadoAlado iniciaram o seu projecto musical em 2016, depois de actuarem numa festa de freguesia a convite de um amigo dos elementos, e desde então nunca mais pararam.

"Assim está escrita a nossa história, a tua história (...) ó minha terra és tu, Terceira. És rocha preta, basalto negro, pedra escura, manto verde, cobrindo um povo de alma pura. Teu céu brilhante, penetrando em mar profundo, és para mim, a maior maravilha do mundo", como cantam, dando assim por terminada uma tarde de encanto, de música e de alegria, entre gentes das "ilhas de bruma, onde as gaivotas vão beijar a terra".


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