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Grand Forks acusa governo da Colúmbia Britânica de ter originado cheias de 2018

Autarquia alega má administração da exploração florestal na província pela calamidade

Uma proposta para o lançamento de um processo colectivo contra o governo da Colúmbia Britânia apresentada ao supremo tribunal daquela província por um grupo de habitantes da vila de Grand Forks alega que a causa das devastadoras cheias que em 2018 assolaram a região se deve à má administração da floresta e a negligência na gestão da exploração florestal pelo governo.

No seu aviso para o início desta acção civil, os residentes da vila afirmam que o ministério sobresti-mou em 20 por cento a quantidade de árvores que poderiam ser derrubadas de forma sustentável durante duas décadas.

O processo alega que esse facto terá criado condições que impediram a regeneração da floresta assim como a recuperação adequada da bacia hidrográ-fica, o que levou a um aumento do escoamento superficial das águas pluviais e do caudal dos cursos de água que provocaram enormes cheias nos rios Kettle e Granby e seus afluentes.

Os queixosos apontam o dedo ao governo provincial e às companhias madeireiras, que dizem terem criado as condições que levaram às cheias, por isso pedem que sejam responsa-bi-lizadas pelos danos que sofreram.

Jennifer Houghton, uma das três pessoas desde já indicadas como queixosas no processo colectivo, diz que a sua casa sofreu inundações em três dos quatro anos em que tem vivido em Grand Forks, "uma experiência traumatizante", especialmente pela "incerteza" se voltará a acontecer.

Os queixosos acusam o Ministério das Florestas da Colúmbia Britânica, o departamento de Operações de Recursos Naturais e Terras, as companhias madeireiras Interfor, Weyerhaeuser e Tolko Industries, assim como a produtora de polpa Mercer Celgar e três outras companhias pertencentes às Primeiras Nações, da situação que se vive na vila.

"É impossível que a quantidade de floresta que foi abatida nesta bacia hidrográfica não esteja relacionada com o número de inundações que temos sofrido", diz Jennifer Houghton, cuja casa foi comprada pela autarquia ao abrigo de um projecto para minimizar as cheias e que diz tencionar mudar-se para não voltar a ser afectada.

A sua é uma de 62 casas no bairro de North Ruckle e de 16 em South Ruckle que foram adquiridas pelo município para serem destruídas pois estão situadas nas duas zonas mais atingidas em 2018 e a intenção é devolver essas áreas à planície aluvial.

Nenhuma das alegações foi provada em tribunal e ainda não foi emitida uma resposta ao processo, pelo que o Ministério das Florestas se escusou a comentar o caso por estar perante a justiça.

Caso o tribunal autorize a acção colectiva, as audiências não deverão realizar-se antes de 2021 e no entretanto os moradores pedem a inclusão no processo de todas as pessoas que vivem num raio de 15 quilómetros de Grand Forks cujas casas, empresas, saúde ou fonte de sustento tenham sido afectadas pelas cheias.

Está actualmente em curso um programa de recuperação desta área, no valor de 50 milhões de dólares, anunciado por entidades oficiais federais, provinciais e municipais, que visa reforçar 1.300 metros da margem do rio e construir barragens para impedir futuras inundações.


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