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Pesca da lagosta gera discórdia na Nova Escócia

Uma disputa entre pescadores indígenas e comerciais que há vários dias se vinha a arrastar pelos cais e ao largo da Baía de Fundy, na Nova Escócia, levou a que na segunda-feira (21) os operadores comerciais colocassem cerca de 100 armadilhas de lagostas à porta do gabinete do Departamento de Pescas e Oceanos em Meteghan e se manifestassem em frente das casas de quem suspeitassem ter comprado os crustáceos aos seus homólogos indígenas.

Há já vários dias que as armadilhas que eram colocadas no mar por pescadores do povo Mi'kmaw estavam a ser retiradas pelos pescadores comerciais, por considerarem que estas não cumprem com os regulamentos estipulados na legislação federal.

"A nossa estratégia aqui, hoje, é demonstrar aos canadianos que a nossa luta não é contra as pessoas indígenas nem os pescadores indígenas, mas com o governo federal e com as pessoas na nossa comunidade que estão a facilitar a compra de pescado ilegal", afirmou o presidente da Associação de Pescadores Costeiros da Baía de Fundy, Colin Sproul.

Os protestos surgiram na sequência do reinicio da pesca auto-regulada deste crustáceo na pretérita quinta-feira (17) em Saulnierville, 21 anos após uma decisão histórica do Supremo Tribunal que afirmou o direito dos Mi'kmaw a derivarem desta forma uma "subsistência moderada".

Essa decisão estipulou igualmente que o governo federal teria de justificar quaisquer regulamentos que fossem impostos às técnicas de pesca dos Mi'kmaw.

Muitos dos pescadores comerciais consideram a técnica Sipekne'katik ilegal e expressam preocupação por a pesca fora da estação poder vir a afectar negativamente as unidades populacionais de lagosta.

Por seu lado, os representantes da pesca Sipekne'katik argumentam que com apenas sete embarcações capazes de usar até 50 armadilhas cada uma, a proporção de lagosta que será pescada, em relação à época comercial, vai ser irrisória.


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