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Canadá/Covid-19: Restrições mantêm-se em Toronto e Peel, mas abrandam no resto do Ontário

"Estamos numa fase crítica", adverte a directora dos serviços de saúde nacionais

Tal como na semana anterior, o número de casos de Covid-19 em todo o mundo aumentou em cerca de 2,6 milhões, totalizando já 112,2 milhões desde que em Março de 2020 foi declarada a existência da pandemia, enquanto que os que superaram a doença se cifram em 87,7 milhões, o que elevou a taxa de recuperação para 78,1 por cento.

Entretanto os óbitos atribuídos ao coronavírus ascenderam a 2,48 milhões, com o registo de 67.000 falecimentos na pretérita semana, número que voltou mais uma vez a descer, contabilizando-se ao nível mais baixo desde Novembro.

No Canadá o número de novas infecções (21.500) subiu ligeiramente em relação à semana anterior (19.900), cifrando-se o total dos casos detectados até à data em 848.000, mas os que venceram a doença aumentaram para 795.300 o que elevou a taxa de recuperação para 93,7 por cento, embora se somassem também mais 406 óbitos, cujo total ascende agora a 21.700.

Até ao dia 17 de Fevereiro tinham sido administradas 1,3 milhões de doses das vacinas contra a Covid-19 no Canadá, o que representa 3,45 doses por cada 100.000 habitantes.

No Ontário só na véspera tinham sido administradas 9.107 doses, para um total de 489.484 desde o início da campanha de vacinação, e segundo o governo provincial 195.366 pessoas já tinham recebido as duas doses que completam a inoculação.

Entretanto também as tempestades de neve que atingiram algumas áreas dos Estados Unidos "conspiraram" para provocar mais um atraso nas remessas de vacinas destinadas ao Canadá.

Os nevões, que deixaram soterradas regiões que não estão habituadas a esse tipo de precipitação, levaram a gigante da distribuição de encomendas, UPS, a encerrar temporariamente as suas instalações no estado de Kentucky.

Apesar disso, o Departamento de Saúde do Canadá reassegurou o público de que as províncias podiam contar com as remessas da vacina da Pfizer-BioNTech, ainda que com pelo menos um dia de atraso, e que a totalidade das 400.000 doses que eram esperadas deveriam chegar até sexta-feira (19), o mais tardar.

Mais preocupantes foram as notícias de que o número de testes que acusavam a variante britânica B.1.1.7 e outras estirpes mais contagiosas continuavam a aumentar, o que levou alguns peritos em doenças infecciosas a afirmar que uma terceira vaga de Covid-19 é praticamente inevitável.

Face ao aumento dos casos originados por estas variantes, a dra. Eileen de Villa, directora dos serviços de saúde de Toronto, viria a afirmar que nunca esteve "tão preocupada com o futuro como hoje" e em conjunto com o presidente da Câmara, John Tory, pediu ao primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, para prolongar o período de confinamento em Toronto por mais duas semanas.

Este indicou no dia seguinte que o seu governo estava inclinado a conceder o pedido de Toronto e da Região de Peel para manter em vigor as restrições que estavam previstas suavizar-se ligeiramente a partir de 22 de Fevereiro, assim decidindo poucos dias depois ao anunciar que estas iriam continuar subordinadas ao actual "nível cinzento" de confinamento durante pelo menos mais duas semanas.

Na quinta-feira (18), conforme as autoridades federais anunciavam que o país contava receber mais de cinco milhões das vacinas Pfizer-BioNTech e Moderna antes da data inicialmente agendada, algumas das principais entidades do sector da saúde indicaram que estavam a debater e a avaliar a possibilidade de adiarem a administração de segundas doses para poderem inocular o maior número possível de pessoas.

Caso seja aprovado, o esquema baseia-se em estudos preliminares que demonstraram existir um alto factor de protecção após a primeira dose e poderá acelerar o número de pessoas vacinadas com o stock actual, enquanto se aguardam remessas maiores.

Entretanto, a entidade que fiscaliza as finanças do Ontário apresentou uma imagem sóbria da realidade provocada pelas medidas de combate à pandemia ao revelar que a província perdeu mais de 355.000 empregos no ano passado, a maior queda anual desde que há memória.

Em paralelo, indicou que cerca de 765.000 pessoas tinham registado menos horas de trabalho e revelou que o grupo mais atingido pelo desemprego foi a juventude, segmento da população cuja taxa de desemprego disparou e se cifra agora em torno dos 22 por cento.

Com o regresso às aulas presenciais, algumas escolas em Toronto começaram também a administrar testes de despistagem da Covid-19 ao abrigo de uma nova iniciativa do governo provincial que visa avaliar semanalmente cinco por cento dos estabelecimentos escolares.

Segundo o ministro da Educação, Stephen Lecce, o objectivo é que, todas as semanas, as direcções escolares testem pelo menos dois por cento das populações estudantis a seu cargo, o que acontecerá em regime voluntário para os alunos, pretendendo-se assim ter uma noção mais completa do contágio no ambiente escolar.

A fechar a semana, o Primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, confirmou sexta-feira (19) que o Canadá tinha recebido dois dias antes uma remessa de mais de 400.000 doses da vacina da Pfizer-BioNtech e que nas próximas três semanas as províncias estavam a postos para administrarem cerca de 1,5 milhões de doses,

O chefe do governo federal aproveitou ainda para anunciar uma série de alterações aos programas de apoio governamentais, a começar pela extensão do período de elegibilidade para os subsídios direccionados aos trabalhadores que perderam o emprego ou sofreram reduções drásticas de salário, que passa de 26 para 38 semanas.

Por sua vez, o subsídio concedido aos trabalhadores que contraírem Covid-19 ou que tenham de ficar em quarentena vai passar a abranger quatro semanas em vez das actuais duas, para que possam recuperar completamente, mitigando assim as pressões financeiras que poderiam levá-los a regressar aos empregos antes do que seria ideal.

De igual modo, o período coberto pelo subsídio de desemprego foi alargado de 26 para 50 semanas depois de vários grupos ligados ao movimento laboral terem advertido que muitos trabalhadores estavam à beira de um precipício financeiro, após meses de confinamento durante os quais esgotaram os benefícios a que tinham direito.

Entretanto, novos modelos que projectam a progressão da pandemia sugerem que as novas variantes do coronavírus podem vir a dar azo a uma terceira vaga, com alguns peritos do sector de saúde a opinarem que esta poderá fazer com que as duas anteriores pareçam pequenas, em comparação, a menos que se redobrem as precauções e os protocolos de confinamento.

De acordo com a dra. Theresa Tam, directora dos serviços de saúde do Canadá, apesar de se ter registado uma queda no número de casos activos na ordem dos 60 por cento em relação ao mês anterior, com as novas estirpes do vírus – consideradas 50 por cento mais contagiosas – já detectadas em todas as províncias, o Canadá poderá não conseguir evitar uma aceleração súbita no número de casos diários se não houver vigilância contínua.

"Estamos numa fase crítica da pandemia e os nossos esforços começam a alterar o equilíbrio a nosso favor", destacou a médica, que urgiu no entanto as províncias a serem consistentes na aplicação das medidas de confinamento, por forma a evitar-se "o efeito de yo-yo", com constantes altos e baixos.

Apesar disso, na terça-feira (23) a médica viria a afirmar ter esperança de que as províncias e territórios pudessem vir a aliviar as directrizes de saúde mais opressivas antes de Setembro.

Contudo, nem ela nem o ministro dos Assuntos intergovernamentais, Dominic LeBlanc, adiantaram uma data concreta ou mais detalhes.

Segundo as projecções do governo federal, a propagação da infecção provocada pelas novas variantes da Covid-19 poderá levar o número de casos a ascender a 20.000 por dia até meados de Março, caso se levantem mais as restrições.

No Ontário foi anunciado que o processo de vacinação vai ser aberto nas próximas semanas a todos os que tiverem mais de 80 anos, por marcação, embora os médicos de família, onde potencialmente serão ministradas muitas das inoculações, indicassem não terem ainda recebido informações a esse respeito.

A oposição pediu entretanto ao governo de Doug Ford para definir claramente os critérios que o possam levar a activar o "travão de emergência", referido nas últimas semanas caso a pandemia volte a intensificar-se.

O governo diz estar preparado para activar esse mecanismo por forma a confinar rapidamente as regiões que sofram um aumento repentino no número de casos, mas não chegou a definir as condições que originariam o seu uso.

Segundo a ministra da Saúde, Christine Elliott, os principais factores que serão tidos em consideração incluem um aumento no número de infecções, a presença de variantes preocupantes e a capacidade de resposta do sistema de saúde, embora se escusasse a entrar em pormenores.

Foi ainda esta semana que entraram em vigor as novas medidas de confinamento para os viajantes que chegam ao país pelas fronteira terrestres, com muitos a darem conta da sua frustração e das dificuldades que tiveram ao tentarem contactar as linhas telefónicas que os deveriam ajudar a reservar quarto nos hotéis aprovados pelo governo.

Entretanto o restaurante Adamson Barbecue voltou a ser notícia após o seu proprietário, Adam Skelly, ter revelado que recebeu uma factura para pagar, da Câmara Municipal de Toronto, no valor de 187.000 dólares.

A autarquia decidiu cobrar-se pelo custo de fazer cumprir as restrições impostas ao funcionamento daquele estabelecimento, após este ter aberto para servir refeições ao público no interior, em contravenção das ordens decretadas pelo departamento de saúde de Toronto.


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