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Jovens artistas levaram alegria ao CCPM no primeiro espectáculo fadista do ano

Por João Vicente

Sol Português

Um dos destinos preferenciais dos amantes do fado na Área da Grande Toronto, o Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM) foi palco no passado sábado (20) de mais um espectáculo dedicado à canção nacional ao receber a visita da fadista Sara Correia, que ali se deslocou vinda de Lisboa.

O serão viria a ser abrilhantado por duas vozes femininas, com a jovem luso-canadiana Cláudia Pereira a abrir o espectáculo e a artista vinda de Portugal a encerrar com chave de ouro, ambas acompanhadas pelos músicos Guilherme Banza (guitarra), Bernardo Viana (viola) e Marino de Freitas (baixo).

Um esmerado jantar tradicional, confeccionado e servido pelos voluntários da colectividade, precedeu o espectáculo que teve como mestre-de-cerimónias e apresentador Henrique Conde.

Numa breve alocução, o presidente do Executivo do CCPM, Tony de Sousa, agradeceu a presença do público e dedicou algumas palavras de apreço aos patrocinadores e à comunicação social, destacando ainda a presença na sala de várias figuras ligadas ao mundo do espectáculo, incluindo os fadistas Tony e Elizabeth Gouveia, o músico João Brito e o cantor Nelz.

Momentos antes, em declarações aos jornais Sol Português e Voice, o dirigente mostrava-se entusiasmado com a qualidade das duas artistas convidadas para essa noite, indicando a propósito da jovem luso-canadiana que não houve hesitação em agendar Cláudia Pereira assim que esta visitou o CCPM com a Fado House de Hernâni Raposo,

Apesar da sua juventude surpreendeu todos com uma excelente voz, o que levou Tony de Sousa a prognosticar que "se ela estivesse em Portugal", onde há grande número de casas de fado, "não ia demorar muito tempo para estar bem lá em cima", nos altos patamares do sucesso, adiantando que a jovem "não canta só fado, canta jazz, canta tudo...", afirmou.

Cláudia Pereira teve a sua iniciação nos palcos aos 10 anos, ao participar no Concurso de Cantores com John Santos (SCJS), e desde então tem seguido programas de música, tanto na escola secundária como na universidade de York, que frequenta actualmente.

Aos 14 anos começou a cantar fado e passados seis anos diz gostar "de fado, da nossa cultura portuguesa e de mostrar à nova geração que ainda existe este tipo de música bem tradicional e que é tão importante".

Na sua apresentação na noite de sábado no CCPM, a jovem agradou sobremaneira e até quem percebe do assunto ficou impressionado, como foi o caso do músico João Brito que comentou à nossa reportagem que além do que a jovem fadista já conseguiu, a sua actuação deixa transparecer um "potencial magnífico" para ir ainda mais longe.

Após um breve intervalo, o mestre-de-cerimónias chamou ao palco a fadista Sara Correia que de forma cativante levou o espectáculo até à sua conclusão.

Esta foi a sua segunda actuação no CCPM e conforme Tony de Sousa viria a confirmar-nos, se depender dele, não será a última neste palco.

Alfacinha de gema, natural da freguesia de Marvila. em Lisboa, Sara Correia começou a cantar fado aos 10 anos de idade e quatro anos depois passou a fazê-lo diariamente – de segunda a domingo, sem excepção.

Com um espectáculo cativante, mesmo ao intercalar clássicos e temas originais que irão integrar o seu primeiro trabalho discográfico, a lançar em Março, a jovem fadista demonstrou claramente o resultado da sua imersão desde tenra idade neste meio musical

Apesar de ter uma tia que cantava fado e apreciar este género musical desde pequenina, só mais tarde descobriu a sua veia artística quando numa brincadeira alguém que lhe recomendou que cantasse fado.

Foi à escola Clube Lisboa Amigos do Fado e pediu para cantar fado pela primeira vez, ganhou a Grande Noite do Fado aos 14 anos e aos 15 entrou para a Casa de Linhares como fadista residente onde há nove anos faz carreira, tendo também vindo a actuar no Fado em Si e no Pátio de Alfama.

Apesar de alguns temas mais soturnos, como é característico neste género musical onde a abordagem de emoções corre o espectro desde a tristeza e a saudade até à mais pura alegria e celebração da vida, a artista primou por apresentar um espectáculo alegre, sobretudo na sua interacção com o público, chegando mesmo a declarar, ao puxar pela participação da assistência: "estamos todos aqui para nos divertir, não é?", salientando que o que "é preciso é alegria, porque as tristezas não pagam dívidas".

Para Eduardo Barros, que inicialmente contactou a fadista em Lisboa e a sugeriu ao CCPM aquando da sua primeira actuação em Mississauga, Sara Correia está cotada ao nível de uma Gisela João, Cláudia Leal ou Raquel Tavares.

Embora a casa não estivesse cheia, o que o presidente atribuiu à ocorrência de outros eventos comunitários em simultâneo e ao facto de estarmos em Janeiro, época que não é particularmente propícia a este tipo de espectáculos, ainda assim o serão atraiu quase três centenas de espectadores e quem lá esteve saiu a ganhar ao assistir a um concerto de alta qualidade com duas jovens de talento.

A próxima noite de fados no CCPM consistirá de uma homenagem ao saudoso Armando Costa, mais conhecido por "Rilhas", num espectáculo marcado para o dia 17 de Março.


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