|
| ||||
|
| ||||
Projecto de corrida para cegos criado no Brasil já reúne 20 duplas no PortoPor Jorge Fonseca Agência Lusa
Um projecto de corrida para pessoas cegas e de baixa visão criado em 2011 em Florianópolis, no Brasil, ganhou raízes no Porto e já reúne 20 duplas, estando em formação um segundo grupo em Lisboa. Nesta história em que o sucesso está em ganhar vontade de sair de casa, aceitar a condição e correr, Alexandre Clementino e Bárbara Pereira formam a equação que permitiu ao projecto "Sexto Sentido" atravessar o oceano Atlântico e convencer cada vez mais pessoas a correr. Natural de São Paulo, Alexandre, a residir no Porto desde 2017, encontrou na Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal o meio para instalar o projecto, aí conhecendo Bárbara, cega desde o mesmo ano, para dela fazer a "embaixadora" cá, contou à Lusa. "Está a ser incrível. Conheci o Alexandre em 2018 e comecei a praticar a corrida guiada com ele, pois precisava de ter um escape ( ) o desporto trouxe-me essa liberdade de movimentos. Gostei tanto que quando dei por mim estava a arrastar os meus amigos e a chamar outras pessoas cegas e com baixa visão para participar", testemunhou Bárbara. A recente chegada de um patrocinador abriu perspectivas para o grupo e é da participação em provas, da chegada de mais guias e do crescimento a nível nacional que é feito o horizonte mais próximo do "Sexto Sentido". "Estão a entrar muitos guias para o projecto e estamos a conseguir divulgar por quase todo o país, e já temos um segundo grupo em construção em Lisboa", revelou a responsável, que se afirma empenhada na criação de "vários pólos espalhados pelo país onde as pessoas com deficiência consigam fazer desporto quase autónomo, sem estarem dependentes de familiares ou amigos". O projecto começou a ganhar dimensão há um ano e hoje há um grupo no WhatsApp "que pode ser consultado a qualquer hora" para combinar "correr ou caminhar", explicou Bárbara, referindo-se a uma interacção entre atletas e guias que nem "sempre é fácil". "Por cada pessoa com deficiência o ideal é termos três guias, pois isto é consoante a disponibilidade dos guias, não há aqui nenhum tipo de obrigação e vamos rodando", assinalou a responsável para aludir à necessidade de se "juntarem mais guias ao projecto". Precisando que o projecto se destina a "pessoas cegas ou com baixa visão", Bárbara assinalou, também, que "não é apenas corrida, também pode ser marcha acelerada". "O engraçado é começar na marcha e depois há quem já queira ir para a corrida. Não conheço nenhum projecto em Portugal como o nosso, lúdico e que faça a inclusão através do desporto", disse. Exemplo disso, Ana Eduarda, hoje a "primeira para-ciclista cega em Portugal", contou à Lusa que "não gostava de correr", mas que em 2019, ao aceitar o convite da Bárbara para integrar a equipa, começou a "desenvolver o gostinho pelo ar livre e pelo desporto". "O desporto é altamente inclusivo e, para além disso, ajuda bastante na adaptação da pessoa com deficiência na sociedade. Depois da minha perda de visão foi o desporto que me ajudou na minha inclusão e na minha aceitação da deficiência", contou. Guia e marido de Bárbara, Ricardo Ribeiro contou que, no Porto, entre atletas e guias já contabilizam "cerca de 20 duplas a correr", um número que classificou de "muito bom". Recentemente a equipa participou num `trail' em Ferreira do Zêzere com "algumas duplas, creio que cinco", contou o guia, um desafio que os obrigou a contornar "escadas, ribanceiras, rios, todo um sem número de obstáculos que em corrida é mais difícil de fazer com um atleta cego". "Participar já é uma vitória. A ideia, de facto, não é conseguir um tempo, mas, numa primeira fase, juntar as pessoas. Essa é a primeira grande vitória. Depois é pôr a pessoa em contacto com a natureza, em contacto com a rua, pôr o atleta com alguma sensação de liberdade ( ) é prazeroso para todos", assegurou à Lusa. | ||||
|
| ||||