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Canadá/Covid-19: Governo canadiano diz que vacina AstraZeneca é segura

Na última semana quase 3,6 milhões de infecções cifraram o número de casos de Covid-19 detectados em todo o mundo desde o início da pandemia em 124,2 milhões, enquanto que os 64.900 óbitos registados elevaram o número de mortes para 2,73 milhões e a taxa de recuperação da doença sofreu um ligeiro decréscimo para 80,58 por cento, com cerca de 21,2 milhões de casos ainda activos.

A nível nacional, e no mesmo período, o número de novos casos (27.000) também sofreu um acréscimo de quase 7.000 em relação à semana anterior, cifrando-se agora o total em cerca de 936.000, com quase 22.700 falecimentos atribuídos à doença desde o início da pandemia (231 na última semana) e a taxa de recuperação a descer para 93,79 por cento.

A meio da última semana a directora dos serviços de saúde do Canadá, dra. Theresa Tam, advertiu o público de que aquela que era até então a tendência decrescente no número de casos graves de Covid-19, incluindo hospitalizações e mortes, estava a terminar e dava sinais de vir a inverter-se.

Há já algum tempo que a porta-voz dos serviços de saúde do governo federal vinha a avisar que a média de infecções diárias estava a aumentar em todo o país, após ter estagnado durante algumas semanas.

Segundo indicou, as taxas de infecção são mais altas no escalão etário entre os 20 e os 39 anos de idade, realçando que o vírus pode subsequentemente ser transmitido às populações mais vulneráveis.

Entretanto o governo federal deu a conhecer que até àquela data já tinham sido administradas quase 3,33 milhões de doses das vacinas contra a Covid-19 no país.

Por sua vez, o portal do Departamento de Saúde do Canadá revelou que nas próximas oito semanas – entre 22 de Março e 16 de Maio – o país está previsto receber 8,5 milhões de doses da vacina da Pfizer-BioNTech, um aumento de 250 por cento em relação às que tinham sido enviadas por aquele fabricante nas 14 semanas anteriores.

Em Toronto, a dra. Eileen de Villa, directora dos serviços de saúde da autarquia, alertava que os dados não demonstram satisfatoriamente que a cidade pudesse passar à fase "vermelha" de desconfinamento.

Toronto está actualmente no nível "cinza", o qual proíbe servir refeições no interior de restaurantes e mantém encerradas as empresas que prestam serviços pessoais e os ginásios.

Na região de Peel, o seu congénere, dr. Lawrence Loh, mantinha conversações com o governo provincial no sentido de um eventual ajustamento das restrições, à medida em que o tempo começa a aquecer.

Por sua vez, o director dos serviços de saúde do Ontário, dr. David Williams, mostrava-se receptivo a suavizar algumas das restrições no que toca a actividades ao ar livre em Toronto e Peel, embora admitisse publicamente pela primeira vez que a província tinha entrado na terceira vaga da pandemia.

Na mesma altura, uma iniciativa da autarquia torontina começou o processo de transferir alguns dos sem-abrigo que se encontravam em quatro acampamentos na cidade para um hotel.

Segundo o porta-voz autárquico, Brad Ross, a meio da semana já tinham sido alojadas 75 pessoas num hotel na baixa de Toronto onde a Câmara Municipal alugou 250 quartos.

Integrado neste programa, a autarquia disponibilizou vários serviços de apoio complementares, incluindo refeições, aconselhamento, assistência a toxicodependentes e os préstimos de funcionários camarários para criarem um plano de realojamento a longo prazo.

Ainda na última semana, o major-general Dany Fortin – encarregue de administrar a distribuição de vacinas a nível nacional – indicou que, desde que não hajam mais atrasos na produção e entrega das remessas que estão encomendadas, deverá haver vacinas suficientes para inocular todos os canadianos elegíveis (mais de 16 anos) com a primeira dose até ao fim de Junho.

A concretizar-se, será um avanço significativo em relação aos cálculos iniciais que previam que essa meta só seria ultrapassada em Setembro.

Entretanto a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, confirmou que o Canadá tinha pedido ajuda aos EUA para conseguir mais vacinas e que a administração do Presidente Joe Biden iria avaliar o pedido, embora a prioridade fosse para os cidadãos nacionais.

No dia seguinte, porém, a Casa Branca indicou estava a elaborar um plano para a concessão de 1,5 milhões de doses da vacina da Oxford-AstraZeneca ao Canadá e 2,5 milhões de doses ao México.

Enquanto isso, o período de encerramento da fronteira do Canadá com os EUA ao trânsito não essencial foi prolongado mais uma vez, desta feita até ao dia 21 de Abril.

No Ontário, o governo provincial revelou detalhes duma iniciativa que levará ao investimento de 933 milhões de dólares na criação de mais vagas em lares da terceira idade e no melhoramento das instalações.

O objectivo é que as novas verbas criem 7.510 novos espaços – alguns dos quais serão dedicados especificamente a idosos francófonos e indígenas – e melhoramentos em 4.197 já existentes.

Dias depois o governo prometeu que seriam também canalizados 1,2 mil milhões de dólares para ajudar os hospitais a recuperarem das pressões financeiras criadas e agravadas pela pandemia, para além de 106.4 milhões de dólares destinados às universidades e instituições vocacionais e profissionalizantes que incorreram despesas adicionais e perderam receitas devido à pandemia.

No que diz respeito às campanhas de vacinação, o primeiro-ministro provincial, Doug Ford, indicou que, apesar de algumas dificuldades iniciais, só no primeiro dia (segunda-feira, 15) tinham sido marcadas 133.000 inoculações através do portal criado pelo governo para esse efeito e que quatro dias depois estas totalizavam já perto de 400.000.

Apesar disso, o processo de vacinação continua lento, sobretudo devido à escassez de vacinas, com diferentes resultados em diferentes jurisdições.

Assim, enquanto que os idosos de Toronto e Peel com mais de 80 anos continuavam a aguardar uma oportunidade para serem inoculados, na região de York as autoridades de saúde estavam já a marcar vacinas para os que têm mais de 75 anos, o segundo escalão etário por ordem de prioridade.

Um dia depois o governo provincial revelou que a partir de segunda-feira (22) este grupo podia reservar a data da vacina no portal do governo.

Segundo Doug Ford, a campanha de vacinação dos mais idosos estava adiantada em relação ao que tinha sido agendado, tendo sido inoculados até àquela data mais de metade da população com idade superior a 80 anos que solicitou a vacina, podendo os que têm mais de 75 anos começar a fazer marcações para a primeira semana de Abril.

Também o programa de vacinação através das farmácias – onde o imunizante da Oxford-AstraZeneca poderá ser solicitado por quem tiver mais de 60 anos – vai continuar a expandir-se, com o número de estabelecimentos previsto duplicar para cerca de 700 até ao fim do mês.

Em Toronto, o presidente da Câmara, John Tory, recorreu aos meios de comunicação social para pedir às pessoas que nasceram antes de 31 de Dezembro de 1941 para marcarem a data para serem vacinados, declarando haver vagas que, caso não sejam preenchidas, serão oferecidas a faixas etárias mais jovens.

Curiosamente, numa altura em que no Ontário o intervalo que é recomendado observar entre a administração da primeira e da segunda dose das vacinas contra a Covid-19 aumentou para 16 semanas, devido à escassez de imunizantes, os profissionais de radiologia passaram a recomendar às mulheres que façam mamogramas de rastreamento quatro a seis semanas após qualquer uma das inoculações.

Ainda na recta final da semana, a dra. Theresa Tam voltou a alertar para o aumento no número de infecções provocadas pelas novas estirpes do coronavírus, que disse ameaçarem o progresso que tem sido feito na contenção da doença.

Na sua avaliação, o país está num "momento crucial" na luta entre estas variantes e as vacinas, sendo por isso fundamental "dar um último impulso" ao combate observando "as medidas de protecção pessoal" e "limitando os contactos na medida do possível".

Apesar disso, as restrições impostas nas regiões de Toronto e Peel, assim como noutras ainda em fase "cinza" de confinamento, foram ligeiramente ajustadas por forma a permitir que sejam servidas refeições ao ar livre, com muitos restaurantes e cafés a abrirem as suas esplanadas desde o fim-de-semana.

Nas jurisdições actualmente na fase "vermelha" foi dada autorização para servirem um maior número de clientes no interior dos estabelecimentos, embora alguns peritos tenham expressado preocupação por considerarem estar-se actualmente a atravessar a terceira vaga da pandemia.

Entretanto, no sábado (20) foi divulgado o resultado duma auditoria provisória solicitada pela ministra da Saúde federal, Patty Hajdu, sobre o motivo porque o sistema nacional de monitorização de pandemias não conseguiu emitir um alerta formal sobre o coronavírus quando este começou a ser detectado na China.

O estudo agora tornado público concluiu que o sistema que monitoriza as notícias de todo o mundo identificou a existência de um surto de pneumonia – que se revelaria ser a Covid-19 – na noite de 30 de Dezembro de 2019 e incluiu essa informação num relatório especial enviado às autoridades de saúde pública canadianas no dia seguinte.

No entanto, sem enviar também um alerta formal, os parceiros internacionais que dependem das informações do Canadá continuaram alheios à situação.

A auditoria revela que antes desta pandemia o sistema de monitorização não tinha procedimentos operacionais-padrão e que os seus responsáveis não entendiam exactamente qual o "propósito nem o público" a quem esses alertas se dirigiam.

O comité responsável por esta auditoria vai continuar a sua avaliação ao longo dos próximos meses, examinando mais profundamente o contexto em que o sistema opera mas destaca desde já existir um alto grau de rotatividade de pessoal e que os quadros operacionais tinham sofrido uma redução no número de especialistas em saúde pública ali empregados.

No domingo (21), o presidente da Câmara de Toronto dirigiu uma cerimónia virtual a partir da praça Nathan Phillips em memória dos que faleceram no último ano, transmitida em directo por várias estações de televisão locais.

A cerimónia, que se iniciou com as badaladas do sino no edifício da antiga Câmara Municipal, em sinal de luto, apresentou 2.753 velas acesas na praça – uma por cada vida que se perdeu devido à pandemia.

No início da semana o Departamento de Saúde do Canadá preparava-se para emitir um aviso sobre a possibilidade da vacina da Oxford-AstraZeneca provocar coágulos sanguíneos, considerando no entanto essa probabilidade remota e ressalvando que o imunizante continua a ser seguro e eficaz contra a Covid-19.

Na avaliação do Departamento de Saúde do Canadá, os benefícios da vacina continuam a ser muito superiores ao risco, dado que a incidência de coágulos detectados é inferior à que normalmente ocorre na população em geral, e a Agência Europeia de Medicamentos indica não haver um aumento generalizado do risco de coágulos após a vacinação.

No entanto, tanto a entidade de saúde canadiana como a entidade europeia de medicamentos dizem continuar a analisar os dados para determinar o risco da vacina poder provocar um número muito pequeno de coágulos na principal veia do cérebro.

O aviso canadiano centra-se nos principais sintomas a que os inoculados devem estar atentos, incluindo dores de cabeça intensas ou persistentes, falta de ar e dores nas pernas.

Um dos sectores onde os efeitos da pandemia têm sido particularmente notáveis em termos financeiros é o da imobiliária, nomeadamente uma redução no preço dos apartamentos e condomínios na baixa da cidade e o encarecimento dos imóveis em zonas mais afastadas, tais como Malvern e Jane, e na faixa em torno da avenida Finch Oeste, onde os preços aumentaram, respectivamente, 14 e 11 por cento entre Fevereiro de 2020


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