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Casa do Alentejo de Toronto: Noite de São Martinho animada pelo artista barrosão Luís Pedreira

Por Luís Aparício

Sol Português

Respeitando as regras de distanciamento e os limites de capacidade em vigor, a Casa do Alentejo de Toronto (CAT) juntou na passada sexta-feira (19) cerca de duas centenas de espectadores para ouvirem o artista português Luís Pedreira e festejarem da melhor forma a tradição do São Martinho.

O músico, barrosão de gema, voltou a esta colectividade dois anos depois de ali ter actuado pela última vez, num espectáculo inserido numa pequena turné que ele e o pai, Francisco, fizeram aos Estados Unidos da América e ao Canadá em nome do Cantos da Casa, grupo musical composto por cinco elementos da família Gaspar-Pedreira.

Neste regresso a Toronto, Luís Pedreira apostou num espectáculo assente nas músicas tradicionais do cancioneiro popular português, um tipo de espectáculo que, diz o artista, "ganha força e sabemos que funciona muito bem" junto das comunidades lusas espalhadas pelo mundo, mas onde não faltou também alguma música anglo-saxónica e alguns registos em espanhol.

"Vindo com estes temas, eu dou-lhes essa saudade e eles dão-me o carinho e afecto, e isso é o que procuro mais neste momento", acrescentou o artista, que encerraria esta mini-digressão com um último espectáculo na Associação Cultural do Minho de Toronto dois dias depois, no domingo (21), que assinalava o regresso das actividades do clube minhoto no período pós-pandemia.

Na sua passagem pelos EUA no contexto desta digressão, o duo de músicos actuou num restaurante português em Mount Vernon, no estado de Nova Iorque; no Portuguese Cultural Center of Danbury, em Connecticut, uma actuação perante cerca de 400 pessoas que "correu bem"; e num terceiro espectáculo de menor dimensão na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Newark, Nova Jérsia.

Em declarações ao jornal Sol Português, Luís Pedreira reconheceu que as "pessoas [da comunidade] continuam tão afáveis como eram há dois anos", apesar da pandemia ter "reduzido" a efusividade na hora de matar as saudades junto dos compatriotas.

Embora viva sobretudo da música, o artista apostou também no mundo da produção audiovisual, através da produtora "Sótão de Histórias", empresa de animação turística, audiovisuais e entretenimento sediada em Montalegre.

Como nos explica, trata-se de uma empresa que oferece todo o tipo de actividades turísticas, desde caminhadas temáticas, passando por passeios de barco ou a cavalo, e tours de grupo em veículos eléctricos, sem descurar contudo a tradição e a cultura locais como os típicos Sexta 13 ou o Fumeiro tradicional.

Tudo isto representa uma forma de fazerem divulgação do turismo de natureza, em particular do Barroso – região que engloba os municípios de Boticas e Montalegre – que assinalou em Abril três anos de reconhecimento como terra Património Agrícola Mundial.

Para Carlos Sousa, presidente da CAT, esta noite de São Martinho foi uma boa oportunidade para cumprir a tradição anual e apresentar em palco um "artista muito versátil" que viria permitir ao público dançar e divertir-se, "mas com o uso de máscara", como fez questão de realçar.

No intervalo da actuação do artista, os convivas puderam ainda degustar castanhas assadas, oferecidas pela Direcção da colectividade alentejana, cumprindo assim a tradição de São Martinho.

Grato pelo apoio que a Casa tem recebido ao longo dos últimos meses, apesar das dificuldades que a pandemia representou e representa, Carlos Sousa adiantou que o próximo grande evento que irão realizar poderá ser a festa de passagem de ano, se as restrições em torno da situação pandémica assim permitirem.

Espera depois poder convocar uma Assembleia-Geral no primeiro trimestre de 2022 para eleição dos novos corpos gerentes da colectividade.


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