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Rancho do CCPM:

31 anos celebrados "em família"

Por João Vicente
Sol Português

Desde a sua fundação, em 1987, que o rancho do Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM) tem vindo a apresentar uma imagem viva e abrangente da variada etnografia portuguesa.

Através dos trajes seleccionados para cada par de dançarinos, tocadores e cantadores que o integram, e do repertório de músicas e danças que estes interpretam, Portugal continental e insular surge retratado quase na totalidade durante as suas actuações.

No passado sábado (20), cerca de três centenas de pessoas acorrerem à sede do CCPM para comemorarem o 31.º aniversário do seu rancho folclórico, um encontro que incluiu uma actuação especial dos grupos infantil e adulto bem como um animado baile a cargo de Tony Silveira e sua Banda.

Na abertura do serão, o presidente do CCPM, Tony de Sousa, convocou o monsenhor Eduardo Resendes, os responsáveis pelo rancho, Nancy Vieira, Angie Câmara e Andrew Câmara, e o vice-presidente da colectividade, Jorge Mouselo para o corte cerimonial do bolo de aniversário, seguido de um brinde.

O sacerdote convidado, que começou por anunciar o falecimento no dia anterior do jornalista Fernando Cruz Gomes, há muito radicando na comunidade luso-canadiana, apresentou os parabéns ao rancho aniversariante, procedendo depois à oração de graças que marcou o início do jantar.

No final da refeição, o músico Tony Silveira e a sua banda – que incluiu o filho, de 12 anos, na bateria – animaram o público durante a primeira parte de um espectáculo e baile que desde logo levou gente à pista de dança, até tudo estar a postos para a actuação do rancho aniversariante.

Não sendo uma colectividade conotada com uma localidade ou região em particular, o CCPM tem sempre tentado agradar aos seus sócios de diversas origens, incorporando também o rancho, a pouco e pouco, cada vez mais canções e trajes de diferentes regiões até chegar às 47 modas que constam actualmente do seu repertório.

Segundo Nancy Vieira, que acumula as funções de dançarina e ensaiadora do rancho, e declara o seu orgulho não só por fazer parte desta organização mas também por ter crescido dentro dela desde a sua formação, todos os anos tentam introduzir uma moda nova.

Como nos diz, os jovens do rancho – no qual as filhas também participam – têm orgulho no que fazem e estão sempre ansiosos por aprender mais.

As suas palavras são reforçadas pelo coreógrafo do grupo, Andrew Câmara, que quando questionado sobre se é difícil manter um repertório tão grande e continuar a adicionar mais temas, explica que "ao fim e ao cabo as pessoas gostam de se envolver para verem os trajes da sua região representados" e que "com tantas mentes criativas no grupo, se queremos mantê-las interessadas temos também de manter as coisas interessantes".

Há dois anos, três jovens dançarinos do grupo voltaram de Portugal com algo mais na bagagem do que quando partiram daqui, pois aprenderam entretanto a tocar a concertina, e isso, indica Nancy Vieira, é sem dúvida uma mais-valia, uma vez que a música ao vivo dá mais alegria e entusiasmo ao rancho e aos dançarinos assim como "mais vida à nossa cultura" e "toca mais fundo no coração".

E assim foi no sábado à noite, com o rancho da casa a resplandecer com uma energia e alegria exuberantes que transmitiram à assistência, primeiro através do grupo infantil, depois com o de adultos e, por fim, os dois em conjunto e ainda a puxarem por membros do público e ex-elementos do rancho para a grande final.

Durante uma pausa no espectáculo para que os dançarinos pudessem descansar, Andrew Câmara apresentou alguns dos trajes representativos das diferente regiões portuguesas, incluindo Póvoa de Varzim, Nazaré, Ribatejo, Viseu, Viana, Açores, e outras.

No final da actuação, o presidente e o vice-presidente do CCPM foram presenteados com as fotos de grupo dos dois ranchos da casa, juntando-se todos depois na entrada do clube para mais uma foto colectiva.

Posteriormente, os elementos activos do rancho viriam a ser presenteados com um alfinete comemorativo desta temporada, terminando o serão em festa com Tony Silveira e sua banda de volta ao palco, com muita música para dançar.

Em declarações ao jornal Sol Português, a mãe de Andrew Câmara lamentou que este ano o rancho não tenha feito muitas digressões, mas deixa entender que isso poderá vir a mudar.

Ligada ao grupo praticamente desde a sua formação, pois tanto o falecido marido como os filhos foram parte integrante – incluindo Andrew, que é o actual coreógrafo – Angie Câmara só se envolveu activamente há 18 anos, exercendo actualmente as funções de cantadeira e directora.

Questionada se há planos para uma actuação fora, Angie Câmara deixa antever a possibilidade de uma "saída especialíssima" e que, se tudo correr bem, poderá acontecer já no próximo ano – embora deixe claro que por enquanto ainda não está nada concretizado, apenas idealizado.

Entretanto, Andrew mostra-se satisfeito com o envolvimento juvenil no rancho, mas gostaria de ver mais envolvimento da parte dos pais pois isso ajuda as crianças e os jovens a darem outra importância a esta actividade.

No seu caso, o pai pediu-lhe especificamente para nunca deixar "que o folclore parasse nesta casa" e, como nos diz, ele cumpre com essa missão com sentido de dever e grande entrega, mas também com prazer.

"Há 25 anos que faço isto e agora, passado todo este tempo, acho que seria egoísta se parasse", acrescenta Andrew, salientando que "a minha mãe é a cantadeira principal, as minhas sobrinhas também dançam, o meu falecido pai era o porta-estandarte e tenho orgulho de que as famílias se envolvam dessa forma".

Como destaca: "estamos aqui porque escolhemos estar aqui e gostamos, mas no fundo damos prioridade a isto porque por vezes as pessoas que conhecemos num clube português podem tornar-se mais importantes nas nossas vidas do que a nossa própria família".

Os membros saem, constituem família e voltam, é esse o ciclo que parece estar a dar a este grupo a contínua renovação necessária para assegurar o seu crescimento e longevidade.

Mas Andrew vê ainda outro factor que motiva o crescimento e progressão do grupo: é que ainda não têm todas as regiões representadas.

"Falta-nos a representação do Alentejo, da Estremadura – Lisboa, Tomar, Cascais, Óbidos – além do Algarve", refere o coreógrafo e dançarino do rancho, adiantando que isso leva a que as pessoas da comunidade tentem usar os seus conhecimentos para preencher essas lacunas – e assim vão crescendo.

Entretanto, para Tony de Sousa, que expressa o seu orgulho neste ex-libris do CCPM – até porque, como diz, "um clube sem um rancho não está completo" – há toda uma série de iniciativas em curso que fazem parte de um esforço consciente para preparar os jovens e englobá-los nas actividades do clube, garantindo assim a sua continuidade.

Sem descurar o sonho de uma escolinha de futebol para os mais pequenos – que se mantém vivo, aguardando apenas a ocasião propícia – o presidente do CCPM cita realizações como as danças carnavalescas e pascais, que mobilizam cerca de uma centena de pessoas, a par de outras actividades que têm vindo a crescer em popularidade e às quais poderá vir a ser acrescido um novo grupo de danças constituído só por senhoras.

O próprio grupo de jovens também tem vindo a ganhar cada vez mais projecção e os espectáculos de Natal que têm apresentado nos últimos dois anos têm sido um sucesso, destaca.

Agora pensam acrescentar ao calendário de eventos uma Noite Latina que, a ir avante, deverá realizar-se em meados de 2019.

Entretanto, para o rancho, a sua próxima actuação formal vai ser no dia 18 de Novembro, aquando do Porto de Honra que marca o aniversário da colectividade.


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