1ª PÁGINA


Fim-de-semana cultural:

Casa do Alentejo de Toronto acolheu projecto Art Fest Patrimónios

Por Noémia Gomes
Sol Português

De 19 a 21 deste mês decorreu na Casa do Alentejo de Toronto (CAT) um Fim-de-Semana Cultural, certame que veio preencher uma lacuna criada este ano pelo adiamento de Outubro para Fevereiro da sua habitual Semana Cultural Alentejana.

Assim sendo, o fim-de-semana foi preenchido com artistas e exposições que reflectem a cultura e artesanato da região, graças ao projecto itinerante Art Fest Patrimónios Internacional, que abrange os municípios de Évora, Elvas, Beja, Cuba, Vidigueira e Portel, e que se encontra em digressão deste lado do Atlântico.

O certame integrou também exposições de fotografia, da autoria de Rui Diogo Castelo, Carlos Gasparinho, Telmo Rocha e Beatriz Rocha, assim como artesanato regional representado pelos chocalhos de Alcáçova, mantas alentejanas de Mértola e tapetes de Arraiolos.

As actividades começaram na noite de sexta-feira, com um jantar e espectáculo animado pelos grupos que aqui se deslocaram vindos de Portugal, e intensificaram-se no sábado, com o que se caracteriza como uma noite de gala.

O jantar viria a consistir de sopa de peixe confeccionada pela chefe Eugénia e bacalhau "espiritual", muito apreciado por todos quantos enchiam a sala.

A refeição foi precedida dos votos de boas-vindas proferidos pela radialista Medus Chambel, vinda de Portugal, e do vice-presidente da Direcção da CAT, Jaime Nascimento, que pediu entretanto um minuto de silêncio em memória do jornalista Fernando Cruz Gomes, falecido na véspera.

Após o jantar deu-se início ao espectáculo, que abriu com os Dona Zéfinha, grupo de música tradicional vindo de Portel e constituído por três elementos jovens – Francisco Pestana e Vítor Justino, como vocalistas, e Tiago Pinto, na viola campaniça – unidos por uma paixão em comum: o cante tradicional alentejano.

Desde a sua fundação há três anos, com idades compreendidas entre os 17 e os 19 anos, os Dona Zéfinha têm feito vários espectáculos, lançaram um CD e popularizaram-se ao participarem no concurso Got Talent Portugal, demonstrando que esta forma de expressão musical tão característica não é só para os mais velhos.

Nesta sua actuação em Toronto, o grupo apresentou um espectáculo magnífico, digno do orgulho dos alentejanos e não só, demonstrando a personalidade do cante alentejano que é, tal como o fado, considerado património imaterial da humanidade.

A actuação seguinte foi dos Zanguizarra, grupo vindo de Arraiolos e que representa uma forma de actualização da música popular portuguesa ao fundi-la com a música lusófona.

No processo, a sua sonoridade não perde o carácter da melodiosa música lusa, com marcas do cancioneiro rural português, mas ao qual se juntam ritmos como a morna ou a bossa nova, passando pelo fado, e que dão o tempero perfeito recuperando as influências que a música portuguesa foi recebendo de todos os cantos do mundo.

O projecto nasceu em Agosto de 2013 no reencontro de amigos de longa data unidos pelo calor e amor à música tradicional portuguesa, e integra seis elementos – Joana Ricardo e Andreia do Carmo (vocalistas), António Candeias (guitarra clássica), António Valente (cavaquinho e viola campaniça), Paulo Parreira (contrabaixo) e Paulo Silva (acordeão).

O grupo tem uma forma inédita de actuar, apresentando-se no meio da sala, rodeado pelo público, e nesta noite registou uma actuação fantástica e inesquecível, marcada por temas como "Amora madura", "Mãe negra", "Mar de mágoas", "Feira da ladra" e muitos outros.

Destaque ainda durante o fim-de-semana para "Bonecos e Campaniça", um duo originário de Évora e constituído pelo marionetista Manuel Dias e o músico Tó Zé Bexiga, que apresentou um espectáculo de robertos e marionetas que conta, ao som da viola campaniça, "histórias sem palavras".

Esta actuação, que se realizou durante a tarde de sábado e teve a participação das escolas Novos Horizontes e First Portuguese, assim como dos utentes do centro comunitário Abrigo, foi, nas palavras de Jaime Nascimento, um espectáculo maravilhoso e de alegria para os mais jovens e um momento emocionante.

Sobretudo, como destacou, quando uma das crianças que assistia pediu a Tó Zé Bexiga para tocar um fado com o toque da viola campaniça.

"São momentos como estes que valem a pena o trabalho e o sacrifício que fazemos para manter esta casa", disse o vice-presidente.

Jaime Nascimento viria a proceder à apresentação da segunda parte do espectáculo de sábado, para o qual estava agendada a participação também do fadista Duarte, natural de Évora, mas que por motivos imprevistos perdeu o voo.

Apesar disso, o serão musical continuou animado, com os músicos Nuno Cristo e Valdemar Mejdoubi a acompanharem a fadista convidada Cláudia Pereira, bem como os fadistas Luís Ferraz e Teresa Vieira, que preencheram a lacuna e interpretaram três fados cada um, escutados com respeito e silêncio, e calorosamente aplaudidos pelo público.

A sessão de fados viria a concluir com Luís Ferraz e Teresa Vieira em dueto.

Este Fim-de-Semana Cultural terminou no domingo, de novo com intervenções dos artistas convidados, centrando-se desta feita as actuações à volta de um almoço convívio organizado pela colectividade alentejana.


Voltar a Sol Português