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"Spirit Award"

CCPM homenageia ministro Charles Sousa

Por João Vicente
Sol Português

No passado sábado (21), o Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM) prestou uma homenagem ao ministro das finanças do Ontário, Charles Sousa, durante a qual lhe atribuiu o prémio Spirit Award, que é anualmente concedido pela colectividade a luso-canadianos que se distinguiram ao serviço da comunidade.

A mestre-de-cerimónias foi Elizabeth Mendes, directora de política e orçamento do ministro das Finanças e que é também, desde jovem, frequentadora do CCPM, facto que viria a ser reconhecido pelo presidente do Executivo, Tony de Sousa.

Segundo este dirigente, há já vários anos que o CCPM homenageava anualmente algumas das pessoas que mais ajudaram e contribuíram para o clube, um prémio que "ficava em casa", por assim dizer.

Entretanto, desde há seis anos, e uma vez que já tinham sido premiados todos os sócios, foi criado o Spirit Award com o intuito de agradecer e relembrar o que se faz também na comunidade.

A abrir a noite de gala, a mestre-de-cerimónias leu um resumo biográfico do homenageado, chamando de seguida ao palco o artista luso-canadiano Nelz, que actuou durante o jantar acompanhado da sua Banda e da jovem Cláudia Pereira, com quem fez dueto a certa altura.

Impossibilitados de estarem presentes, houve convidados que enviaram a sua mensagem congratulatória por carta, caso do embaixador de Portugal em Otava, José Fernando Moreira da Cunha, e em vídeo, plataforma preferida pelo deputado federal Peter Fonseca, pela Primeira-ministra do Ontário Kathleen Wynne, pelo ministro das Finanças do Quebeque Carlos Leitão, e pela filha mais nova de Charles Sousa que, em preparação para um exame, não se pôde afastar dos seus deveres como estudante.

Pessoalmente, várias entidades viriam a expressar também o seu apreço e admiração ao ministro luso-canadiano, a começar pelo cônsul de Portugal em Toronto, Luís Barros, que se declarou orgulhoso sempre que testemunha a comunidade a homenagear um dos seus, particularmente neste caso que considerou "uma honra bem merecida".

O diplomata agradeceu ainda a Charles Sousa pela amizade e, a nível profissional, "por sempre se ter esforçado por estreitar os laços entre Portugal e o Canadá, especialmente no que diz respeito à província do Ontário".

Também da parte do conselho de administração da recém-formada Casa Magalhães – à qual no dia anterior tinham sido oficialmente atribuídas licenças para a criação de 256 camas de cuidados a longo prazo para idosos – se pronunciaram os seus responsáveis, com Manuel da Costa, Jack Prazeres e John Peter Ferreira a destacarem que o sucesso da candidatura da organização se deveu directamente à intervenção de Charles Sousa.

Pronunciaram-se ainda Giles Ringwald, vice-presidente do sector comercial da Air Transat, que foi a firma patrocinadora do evento, assim como a presidente da Câmara de Mississauga, Bonnie Crombie, os deputados provinciais Bob Delaney e Cristina Martins, o vereador de Brampton Martin Medeiros, e a vereadora e vice-presidente da Câmara de Toronto Ana Bailão – além do presidente e da relações públicas da colectividade, Tony de Sousa e Lena Barreto, respectivamente.

Mas, como sempre, uma das personalidades mais cativantes e de presença imponente, apesar da sua pequena estatura, foi a ex-presidente da Câmara de Mississauga, Hazel McCallion, que com 97 anos continua vivaz e cheia de energia.

A ex-edil, que voltou a reiterar a sua admiração pela comunidade portuguesa, realçou o papel de Charles Sousa em várias actividades, destacando a sua defesa da zona à beira-lago bem como a sua personalidade calorosa, que "faz com que uma pessoa se sinta especial", e habilidade como negociador que, com sinceridade, "podia vender frigoríficos aos esquimós".

"Adorava o teu pai", disse a certa altura Hazel McCallion, destacando que "ele tinha tanto orgulho de ti" que "deve estar a olhar lá de cima e a dizer `Charles, és o meu rapaz'", acrescentou.

Tal como vários outros oradores, Hazel fez ainda referência à esposa de Charles, Zenny Sousa, como um dos factores que fazem dele o grande homem que é, e finalizou dizendo que, aconteça o que acontecer nas eleições provinciais, "Charles Sousa continuará a ser um trunfo para a comunidade portuguesa, para Mississauga, para a província do Ontário e para o Canadá".

"Portugueses, vocês devem ter muito orgulho" nele, afirmou a decana da política, concluindo com "Charles, I love you".

Outro ponto alto dos discursos foi o depoimento dos filhos mais velhos de Charles Sousa, Christine e Justin, que, com sentido de humor e carinho, levantaram uma ponta do véu para revelarem quem o pai é em privado.

"Ele tem uma excelente atitude e consegue rodear-se de pessoas maravilhosas que o ajudam a alcançar os seus objectivos, por isso obrigado a todos vós, pois decerto o ajudaram a chegar aqui", afirmou Christine.

Entretanto, ficou-se a saber que lá em casa os filhos se referem a ele como "o nosso super-homem" – "e não é só porque têm um físico parecido", disse Justin, para gáudio do público, adiantando ainda que gosta de cantar, carreira que começou "em cuecas e com uma guitarra, a cantar canções do Lion King" ao filho.

"Não estou apenas orgulhosa de tudo o que tens feito, mas também da forma como conseguiste fazê-lo", disse Christine dirigindo-se directamente ao pai.

A cerimónia atingiu o auge com a entrega do Prémio de Espírito Comunitário "Spirit Award" a Charles Sousa, altura em que o comité de selecção subiu ao palco e o homenageado recebeu o troféu das mãos de Tony de Sousa e o respectivo certificado emoldurado das mãos do vice-presidente do CCPM, Jorge Mouselo.

A cerimónia incluiu ainda a entrega de um cheque no valor de 7.000 dólares à Luso Canadian Charitable Society – quantia angariada neste evento.

"Acho que foi bem merecido", afirmou em declarações ao jornal Sol Português o empresário António Belas, a quem foi atribuído um dos cinco Spirit Awards anteriores, adiantando que "Charles Sousa é um homem que tem todos os atributos bons e já merecia isto há um ano ou dois, por isso bem haja", concluiu.

O serão concluiu com um espectáculo da fadista Filipa Cardoso e seus acompanhantes, Guilherme Banza, Frederico Gato e Bernardo Nogueira, vindos de Portugal, que deram por encerrada esta noite de homenagem e orgulho luso-canadiano.


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