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Canadá/Covid-19: Deputado provincial expulso da bancada Conservadora por recusar inoculação

EUA recusam reciprocar levantamento de restrições fronteiriças com o Canadá e adiam decisão para 21 de Setembro

A nível internacional, tanto o número de casos de Covid-19 que foram detectados (4,45 milhões) na última semana como o de mortes atribuídas à doença (68.000) desceram sensivelmente em relação à anterior – menos 160.000 infecções e 373 óbitos – mas a taxa de recuperação sofreu igualmente um ligeiro decréscimo, de 88,8 para 88,6 por cento.

No Canadá, o número de infecções detectadas (15.200) aumentou apenas 3,5 por cento em relação à semana anterior, o que parece indicar que a recente subida desenfreada está a abrandar, mas em contrapartida o número de mortes (90) quase triplicaram (33 na semana anterior).

Em consequência do agravamento geral da situação, a taxa de recuperação nacional voltou a descer, passando de 96,9 para 96,5 por cento.

A meio da última semana, após a convocação de eleições federais em plena pandemia e decorridos apenas dois dos quatro anos de mandato do actual governo, o dirigente responsável pelos serviços eleitorais, Stephane Perrault, indicou a possibilidade de vir a ser negado o direito ao voto presencial a 20 de Setembro aos cidadãos que se recusem a usar máscara sem justificação médica.

Segundo indicou, nos locais onde as regras decretadas pelos serviços de saúde pública exigem o uso de máscara, o Departamento de Eleições do Canadá (Elections Canada) irá respeitá-las, incentivando por isso os que não podem ou não querem usar máscara a votar por via postal.

Apesar disso, defendeu a decisão tomada pelo departamento de não exigir que os cerca de 250.000 funcionários eleitorais a seu cargo estejam totalmente imunizados, embora deixasse aberta essa possibilidade caso a progressão da pandemia venha a piorar.

Enquanto isso, e apesar da maioria dos adeptos de basebol se mostrarem satisfeitos por poderem voltar a assistir aos jogos ao vivo, alguns questionam a eficácia das medidas provinciais contra a Covid-19 e que são seguidas nos estádios.

Fãs da equipa torontina de basebol, Blue Jays, dizem que as regras de distanciamento e do uso de máscara não estão a ser cumpridas durante as partidas, o que poderá levar à proliferação da variante Delta do coronavírus, substancialmente mais contagiosa.

Dias depois, tanto os Blue Jays, como o Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF, na sigla em inglês), anunciaram que vão passar a pedir um comprovativo de imunização ou de teste negativo de Covid-19 aos espectadores – algo que no caso da equipa de basebol, começará a ser feito já a partir do dia 13 de Setembro

Entretanto, e numa altura em que milhões de canadianos viram as suas fontes de rendimento devastadas pela pandemia, um estudo recentemente publicado sugere que as fórmulas usadas para determinar a atribuição de bónus a dezenas de executivos foram alteradas por forma a garantir que a sua remuneração não seria prejudicada.

Segundo uma análise efectuada pelo Centro Canadiano para Políticas Alternativas (CCPA, na sigla em inglês) 49 companhias canadianas cujas acções são negociadas publicamente na bolsa de valores alteraram as regras de compensação dos executivos para reforçar a atribuição de bónus, mesmo que as empresas tenham tido um desempenho abaixo do previsto devido à pandemia.

O estudo concluiu ainda que mais de metade dos executivos que concordaram em aceitar cortes salariais, acabaram, na realidade, por auferir de mais rendimentos em 2020, graças a generosos bónus que lhes foram atribuídos.

"É caras eu ganho e coroas mudo as regras", segundo o economista David Macdonald, da CCPA, e co-autor com Alicia Massie do novo relatório intitulado "Bónus ilimitados: Compensação exorbitante para executivos canadianos durante a pandemia de 2020".

A polémica em torno da eventual obrigatoriedade de vacinação tem vindo também a aumentar e a situação atingiu um novo ponto crítico na passada quinta-feira (19) quando o primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, expulsou um deputado e veterano do partido Conservador da bancada Parlamentar, após este se recusar a ser vacinado contra a Covid-19.

Rick Nicholls, que representa o distrito de Chatham-Kent-Leamington no Parlamento provincial, passou assim a deputado independente e a sua homóloga Christina Mitas, de Scarborough-Centro, evitou igual sorte por ter apresentado um comprovativo médico que justifica a sua isenção, embora sem revelar a doença subjacente.

O governo do Ontário anunciou que os funcionários públicos e os políticos vão ter de estar vacinados (duas doses) contra a Covid-19 ou submeterem-se frequentemente a testes de despistagem, de acordo com as regras para o regresso aos locais de trabalho no Outono.

Num memorando enviado nesse dia aos 64.000 funcionários do Sector Público do Ontário (OPS, na sigla em inglês), o governo esclarece que quem recusar a inoculação sem justificação médica terá de assistir a uma sessão educativa sobre o tema e submeter-se a testes de despistagem periódicos.

De acordo com uma sondagem realizada pela firma KPMG, a maioria das pequenas e médias empresas no Canadá são a favor da vacinação obrigatória dos funcionários.

Segundo os dados recolhidos, 62 por cento dos participantes na sondagem indicaram tencionar ou estar já a implementar regras para a vacinação obrigatória dos empregados, enquanto que 84 por cento indicaram considerar as vacinas essenciais para evitar novo período de confinamento.

Apesar disso, o advogado Norm Keith, da firma KPMG Law LLP, recomenda às entidades patronais que consultem um advogado antes de implementarem este tipo de regras.

Depois de ponderarem a questão durante meses, e em alguns casos incentivadas pelos avisos do governo, há cada vez mais entidades patronais, tanto no sector público como no privado, a implementar regras de vacinação obrigatória para os trabalhadores que regressam aos escritórios depois de mais de um ano a trabalharem de casa.

Na quinta-feira o banco RBC disse aos funcionários que terão de estar totalmente vacinados até 31 de Outubro para poderem trabalhar "nas nossas instalações".

A seguradora Sun Life Financial Inc. e a empresa de compras online Shopify tinham emitido mensagens semelhantes alguns dias antes, e na sexta-feira (20) os bancos TD e CIBC fizeram o mesmo.

Na Universidade McGill, em Montreal, foram várias as organizações académicas que pediram àquela instituição de ensino superior para exigir a vacinação obrigatória dos professores e alunos, entre elas a Associação de Professores Universitários de McGill, o Departamento de Epidemiologia, Bio-estatísticas e Saúde Ocupacional, assim como um grupo de professores de Direito.

Em Toronto, a autarquia confirmou que os funcionários têm de completar a vacinação contra a Covid-19 até 30 de Outubro e apresentar prova de imunização a partir do dia 13 de Setembro, exemplo seguido poucas horas depois pela Comissão de Transportes Públicos de Toronto (TTC, na sigla em inglês).

Embora a Polícia de Toronto dissesse na altura que ainda não se podia comprometer com a mesma exigência para os seus 7.400 funcionários, viria a fazê-lo na terça-feira (24) ao indicar que todos os que estão ao serviço precisam de comprovar a imunização até 13 de Setembro.

De igual modo a Metrolinx – empresa responsável pelo serviço de comboios GO – indicou ser sua intenção vir a exigir a imunização dos funcionários, embora sem adiantar mais detalhes.

No mesmo dia os hospitais pediátricos Sick Kids e Holland Bloorview, em Toronto, assim como o CHEO, em Otava, anunciaram que irão implementar políticas de vacinação para os seus funcionários e voluntários que vão além das exigidas pelo governo provincial, justificando-as como forma de protegerem os pacientes mais jovens que ainda não podem ser vacinados.

As novas regras de vacinação entram em vigor a 7 de Setembro, com excepções para quem apresentar justificação médica ou um pedido de isenção assente na égide dos direitos humanos.

Também a rede de hospitais UHN, que inclui o Toronto Western, Toronto General e Princess Margaret Cancer Centre, anunciou que iria exigir a imunização de todos os seus funcionários e que quem não o fizesse até ao final de Outubro seria despedido.

Ainda no início desta semana, a organização People for Education pediu que a vacina contra a Covid-19 fosse incluída na lista de imunizações obrigatórias para as crianças que frequentam as escolas no Ontário.

Entretanto, e embora todos os vereadores que compõem a Assembleia Municipal de Toronto indiquem estar vacinados e ser a favor de imunizar os 37.000 funcionários da autarquia, as opiniões divergem no que toca à obrigatoriedade do público ter de apresentar um comprovativo de imunização para poder assistir às reuniões ou para usar instalações municipais, incluindo os centros de recreio.

Os 444 municípios do Ontário pediram ao primeiro-ministro provincial, Doug Ford, para adoptar o uso de passaportes de vacinação e a directora dos serviços de saúde de Toronto, dra. Eileen de Villa recomendou que tanto as empresas como os organizadores de grandes eventos exijam um comprovativo de vacinação dos participantes.

Isto enquanto mais agências e organizações a cargo do município, incluindo o Jardim Zoológico de Toronto, passaram a exigir a vacinação dos seus funcionários.

Na segunda-feira (23) o governo do Ontário anunciou a extensão do subsídio salarial de três dólares/hora aos auxiliares dos serviços de saúde, implementado durante a pandemia.

A iniciativa, que custa ao governo 169 milhões de dólares, estava para terminar nesse dia mas foi prolongada pelo menos até 31 de Outubro.

Na terça-feira (24) a Câmara do Comércio do Ontário (CMO) apresentou um documento que diz ser uma base para as empresas do sector privado que pretendem implementar um protocolo para a exigência da apresentação de comprovativos de vacina, na ausência de orientação governamental.

Segundo a organização – que representa mais de 150 Câmaras e Juntas de Comércio no Ontário – a implementação dum sistema comprovativo de vacinação ajudaria as empresas a reabrirem com segurança e a mitigar o risco de novos confinamentos.

A orientação emitida pela CMO estabelece cinco princípios básicos para as empresas que adoptarem os seus próprios sistemas de verificação, destacando a importância de o fazerem da forma menos intrusiva possível e permitirem isenções por motivos médicos ou de direitos humanos.

No meio de tudo isto, os Estados Unidos da América viriam a anunciar no final da última semana que iam manter em vigor durante pelo menos mais um mês (até 21 de Setembro) as restrições impostas aos viajantes considerados "não essenciais" e que pretendem deslocar-se do Canadá ao país vizinho – seja por ferry ou por terra.

Isto apesar do Canadá ter levantado as restrições aos viajantes americanos vacinados no início deste mês e os EUA estarem previstos fazer o mesmo a partir de 21 de Agosto.


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