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Instabilidade do gelo no Inverno tem vindo a provocar maior número de mortes por afogamento, incluindo crianças

Jogar hóquei no gelo é uma actividade que faz parte da cultura canadiana, mas nos últimos anos as temperaturas amenas que encurtam o período em que os lagos estão congelados têm originado um maior número de vítimas entre as crianças que procuram estas superfícies geladas para praticarem a sua modalidade favorita.

A conclusão surge na sequência de um estudo conjunto envidado por investigadores da Universidade de York e de outras universidades e instituições doutros países, que analisaram 4.000 incidentes de morte por afogamento durante o Inverno.

Os pesquisadores debruçaram-se sobre 10 países do hemisfério norte, incluindo o Canadá, Rússia, Alemanha, Suécia e 14 estados dos Estados Unidos, à luz de 30 anos de dados relativos a este assunto provenientes de todas as províncias e territórios canadianos.

O estado americano de Minnesota foi usado como exemplo e uma vez que os dados recolhidos neste género de incidentes incluem a idade e a causa dos afogamentos, foi possível verificar que em 44 por cento dos casos em que não estavam envolvidos veículos, as vítimas eram crianças com menos de 10 anos de idade.

Outro grupo de alto risco são os indivíduos entre os 15 e 39 anos de idade, quer por passarem mais tempo a pescar no gelo, quer por tenderem a envolver-se em actividades mais arriscadas.

Sapna Sharma, da Universidade de York, e a principal investigadora neste estudo, é especializada em alterações climáticas e no impacto das ameaças ambientais e das alterações dos habitats nos lagos, e atribui as causas às alterações climáticas.

Segundo ela, os Invernos estão a ficar mais amenos, mas as pessoas têm dificuldade em incorporar isso nas decisões que tomam.

"Estamos no Canadá, por isso pensamos: `vou ao Canal Rideau, em Otava', e toda a gente vai para lá patinar" mas, como adverte, só porque no ano passado ou nos anteriores aquele canal estava congelado nesta altura do ano, isso não significa que seja sempre assim.

A seu ver, este pode vir a ser um ano especialmente perigoso e fatal porque muita gente que nunca se envolve em actividades do género vai experimentar e explorar a natureza, uma vez que há menos coisas para fazer devido à pandemia.

Como destaca, as comunidades indígenas têm um conhecimento mais profundo de como determinar as condições reais do gelo, e este conhecimento deve ser incorporado pela comunidade em geral.

O resultado do estudo aponta para uma maior frequência de acidentes no gelo quando a temperatura média do ar oscila entre os 0º e os -5º C e recomenda que haja um maior número de agências a vigiar as condições do gelo e a emitir previsões e avisos acerca das condições.

Acima de tudo, salienta, é preciso ter consciência de como tem estado o tempo nos dias anteriores, pois as pessoas podem esquecer-se que a temperatura subiu aos 10º C, "mas o gelo não se esquece".


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