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Banco do Canadá exorta tomada de medidas aceleradas em resposta a alterações climáticas

O governador do Banco do Canadá quer que o país enfrente o impacto das alterações climáticas com mais celeridade para impedir que as consequências económicas afectem os lares e as empresas da nação.

Tiff Macklem considera que as instituições financeiras do país têm de avaliar melhor os riscos que representam as condições meteorológicas extremas ou o país necessita de efectivar uma transição mais rápida para uma economia hipocarbónica (com baixa emissão de carbono), caso contrário o banco central poderá não conseguir prestar o apoio necessário ou, em último caso, a própria estabilidade do sistema financeiro poderá estar em perigo.

O Banco do Canadá está a acelerar o estudo das implicações das alterações climáticas no sistema financeiro, mas o governador salienta que os restantes parceiros nesta equação têm também de acelerar o passo.

"Precisamos de posicionar o Canadá de forma a aproveitar as oportunidades climáticas que os consumidores, os trabalhadores e os investidores procuram", disse Tiff Macklem, "mas, para atenuar a ameaça e capitalizar esta oportunidade, todos nós precisamos de nos mobilizar, e depressa", acrescentou.

O responsável pelo banco central canadiano salientou a título de exemplo que a emissão de obrigações "verdes" no Canadá disparou nos últimos três anos, de pouco menos de 2.000 milhões de dólares em 2017 para quase 13.000 milhões este ano.

Reiterando uma afirmação feita quando era ainda o responsável pela Escola de Gestão Rotman, da Universidade de Toronto, Macklem voltou a advertir que as finanças, só por si, não irão dar solução às alterações climáticas, mas podem ajudar a criar os investimentos necessários para permitir uma transição suave para uma economia hipocarbónica.

No início deste ano, o banco publicou um estudo onde calculava os riscos económicos relacionados com vários cenários de política pública, embora advertindo que as conclusões apresentadas no documento não sejam a posição oficial do Banco do Canadá.

Os cálculos revelam que o momento e o impacto de algumas dessas mudanças variam, dependendo da lentidão ou da rapidez com que as políticas mudam, com os riscos daí decorrentes a afectarem o banco central, os governos, as instituições financeiras e o sector ligado à exploração de recursos naturais.

Esta semana o banco central aproveitou esses cálculos para iniciar um projecto-piloto com o regulador bancário federal, o Gabinete do Superintendente das Instituições Financeiras, para ajudar um grupo de bancos e seguradoras a criar cenários de risco em torno da avaliação das alterações climáticas.

Segundo Tiff Macklem, os riscos que representam os eventos climáticos mais extremos e mais frequentes são normalmente subestimados, enquanto que os que estão vinculados a ganhos futuros ou à apreciação de activos são mal avaliados no contexto das alterações climáticas.

"Quanto mais tempo esta situação persistir, maior o risco de uma mudança acentuada de preços, com o potencial de perdas substanciais para as instituições financeiras", afirmou.

"No mínimo, isso iria prejudicar a capacidade do sistema financeiro apoiar a economia real e poderia até ameaçar a estabilidade do nosso sistema financeiro", concluiu.


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