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Operário SC aos 41 anos:

Face ao envelhecimento inevitável, clube prepara plano para rejuvenescer

Por João Vicente
Sol Português

O Operário Sports Club (OSC) de Toronto, que sábado (21) comemorou 41 anos num convívio em família no Centro de Convenções Oásis, em Mississauga, foi constituído em 1976 tendo sempre como principal área de actividade a prática do futebol.

O presidente da Assembleia-Geral, Edgar Soares, que é o responsável pela componente social do clube, faz questão de salientar que procura nutrir esse ambiente familiar referindo que "o principal é que as pessoas se sintam bem ao participarem em eventos como este".

A componente despor-tiva, essa fica à responsabilidade do presidente da Direcção, Norberto Vital, e Edgar Soares considera que está "em muito boas mãos" apontando os sucessos obtidos, incluindo a conquista do campeonato e da taça na liga em que o OSC participa.

Ainda assim, esta é uma área que já foi mais abrangente no passado; o clube chegou, inclusive, a ter ténis de mesa e futebol juvenil, mas hoje em dia o seu único foco desportivo é o futebol de seniores, como nos conta.

"Em 1990 começámos a praticar futebol da velha guarda porque alguns jogadores já não davam os 100 por cento, por isso tivemos que fazer uma liga e uma secção desportiva para os mais idosos – para aqueles que só faziam 40 por cento", explica Edgar Soares com evidente sentido de humor.

Apesar disso, os atletas mantêm "o espírito futebolístico e isso é que é preciso porque eles vão trabalhar e, com romantismo ou sem romantismo, aparecem em campo e ganham", afirma, realçando que o ano passado ganharam todos os torneios em que participaram.

Já a componente social do clube surge do facto do futebol ser um elo de ligação entre os que o praticam e as suas famílias.

"Fazendo uma festa, desde que venha um jogador vem uma família, por isso reunimos sempre umas 600 a 700 pessoas", refere o presidente da Assembleia-Geral, lembrando que o futebol continua a ser a força motriz por trás da longevidade e do espírito familiar desta colectividade e que a maior parte das receitas provenientes destes encontros são para investir "no clube, na família", ou seja, na componente social.

Essa componente passa por aliar o aspecto recreativo ao desportivo, pelo que quando organizam excursões que os levam a defrontar outras equipas, tanto no Canadá como em Portugal, são sempre uma actividade familiar.

Cita como exemplo o que aconteceu em Agosto, quando fizeram uma digressão que os levou a Itália, Espanha, França e Portugal.

Indo uma equipa de futebol, logo se arranjam algumas dezenas de pessoas porque há sempre alguém que diz: "...o meu filho vai jogar", ou "o meu marido vai jogar" e quer acompanhá-los.

Contudo, Edgar Soares admite que "ultimamente não é muito os filhos; é mais os pais...", revelando com esse comentário o problema da falta de continuidade que receia possa vir a pôr fim a este clube dentro da próxima década.

E não é só a falta de participação desportiva que ameaça a continuação do Operário daqui para o futuro.

O presidente destaca também a tendência dos jovens se disporem para fazer parte da Direcção, mas só em papéis que não exijam muito trabalho, e outros factores que identifica na própria família mas que não vê como os ultrapassar.

"[Os jovens] dedicam-se aos desportos, ao hóquei, ao ski, depois [quanto ao] futebol, vêm cá porque vêm fazer um frete ao avô ou ao pai, mas quando se lhes diz: `queres continuar aquilo que o teu avô fez?' a resposta é `eu não tenho tempo, agora vou para a universidade'", lamenta, dizendo sentir o carinho dos jovens pelo clube mas não ver isso a revelar-se na prática, temendo por isso que o elo de ligação vá ficando cada vez mais fraco com o passar do tempo.

A seu ver, a tendência será de o clube se ir apagando conforme for desaparecendo a velha guarda, um processo que tem vindo a observar ao longo dos anos quando ocupava outros cargos, incluindo a presidência da Liga Luso-Canadiana de Futebol, onde viu desaparecer equipas como o Nacional, o Transmontano e outras de grande qualidade.

Entretanto têm vindo a estabelecer relações com vista a manterem a sua actividade por tanto tempo quanto possível, citando como exemplo a visita a uma equipa de veteranos da Lagoa, berço do Operário nos Açores, e onde mais uma vez o Operário de Toronto somou uma vitória.

"Os reumáticos de cá ganharam e os de lá reclamaram que não temos reumático", diz com uma gargalhada.

Ainda assim, cada vez fica mais difícil encontrar adversários se quiserem, por exemplo, ir jogar a Montreal, a Kingston ou a Winnipeg, porque, como destaca, "a situação por lá é igual".

Apesar da dissolução que se teme aí venha. ainda há motivos para celebrar.

"Temos aqui 90 por cento dos jogadores [...] e fomos campeões do campeonato e da taça", referiu Norberto Vital ao agradecer a presença e a contribuição de todos para este evento comemorativo.

Continua a ser a massa de jogadores veteranos a dar vida ao clube e a trazer alegrias aos adeptos, mais recentemente num encontro contra uma equipa croata que foi decidido a favor do Operário com um golo a 30 segundos do apito final.

Além de mais de 200 sócios com quotas em dia, o presidente do Executivo aludiu ainda a outra "luz ao fundo do túnel" durante um breve discurso, ladeado dos restantes elementos do executivo.

É que cada vez têm mais sócios, quatro deles angariados só nessa noite, e em declarações ao jornal Sol Português referiu terem ainda planos para tentar em breve atrair e dinamizar uma componente jovem – talvez com a criação de uma nova secção juvenil.

Mas para isso, gostariam de incorporar primeiro directores mais jovens nos quadros dirigentes, realça Norberto Vital.

Por enquanto, e apesar de tudo, este ainda é um clube vibrante que faz por manter esse estatuto, e a celebração deste aniversário foi disso evidente ao decorrer em ambiente de viva camaradagem e alegria.

Após a bênção proferida pelo padre João Mendonça, da Igreja de São Sebastião, o jantar foi animado pelo conjunto Mariachi Azteca e no final da refeição um concerto dos Starlight prendou as mais de 500 pessoas ali presentes com alguns dos maiores êxitos do popular conjunto luso-canadiano.

Aproveitando um intervalo, foi feito referência e um elogio ao departamento que realiza o torneio anual de golfe, apontado como uma grande ajuda financeira para a organização.

Entretanto proceder-se-ia a um sorteio que viu Norberto Teixeira levar para casa dois prémios, um deles um televisor de 43 polegadas, e Tony Valinho arrecadar o grande prémio da noite, uma viagem que o levará a passear por terras de São Miguel.

Após o sorteio os Starlight voltaram novamente ao palco e com eles voltou a festa, que continuou para lá da meia-noite.

O clube vai ter mais um convívio de cariz social a 16 de Dezembro, na forma da Festa da Família, evento para o qual Norberto Vital convida os sócios e interessados, com crianças ou não e que desejem participar, a contactarem-no através do telefone 416 795-9774.

Por seu turno, o próximo evento futebolístico do Operário vai ser uma digressão pela costa Leste do Canadá, durante a qual a equipa e acompanhantes irão passar pelas províncias da Terra Nova, Nova Escócia e Ilha do Príncipe Eduardo.


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