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30.ª Semana Cultural dinamiza Casa da Madeira de Toronto

Por João Vicente
Sol Português

Desde sexta-feira (21) que a Casa da Madeira de Toronto está a celebrar a 30.ª edição da sua Semana Cultural, um aniversário especial que por envolver um número redondo pedia "qualquer coisa de diferente", como nos explicou o seu presidente.

Contudo, as circunstâncias este ano não permitiram que se alargassem muito no programa, pelo que Rick Coelho considera que "fez-se o melhor que se pôde", sempre com a intenção de mostrar aspectos interessantes da cultura madeirense ao público visitante.

"A Direcção fez um bom trabalho. Foi feito do coração e estou muito satisfeito com o que temos aqui", disse-nos o presidente do Executivo no decorrer das comemorações que sexta-feira marcaram a abertura da Semana Cultural Madeirense deste ano.

O certame, que está a decorrer até amanhã, sábado (29), tem patente ao público uma exposição que ilustra algumas das indústrias artesanais típicas da Madeira, incluindo trabalhos em vime, bordados, tapeçarias e vinho.

Integrados nesta mostra, o casal de artesãos Teresa e João Freitas têm vindo a exemplificar, com demonstrações práticas, como se fazem os bordados típicos, bem como cestos e outras peças em vime.

João Freitas começou a trabalhar com vime aos 12 anos e só parou aos 18, para cumprir o serviço militar. Após um interregno de 60 anos, voltou a pegar no vime para demonstrar a arte de o trabalhar aos mais novos e assim começou a fazer algumas peças tradicionais.

Embora já se tenha esquecido de muito, como nos confessa, são as mãos sobretudo que "ainda se vão lembrando de alguma coisa".

Por seu turno, Teresa Freitas aprendeu a bordar aos 10 anos e sete décadas depois é com prazer que mostra como se fazem os lindos bordados da Madeira.

A artesã diz-nos sentir-se "muito contente" por ver que os bordados comandam agora valores mais altos na Madeira, mas lamenta a falta de interesse da juventude nesta arte e receia que possa vir a desaparecer.

Além de poder ver estes artesãos em acção, quem visitar a Casa da Madeira durante estes dias poderá ainda adquirir artigos típicos do arquipélago, tais como as carapuças da Madeira, os chapéus de palha, rebuçados de funcho e colares de rebuçados, além de poder saltar para dentro de um típico carro de cesto e tirar uma foto para recordação.

Durante a inauguração, o primeiro evento consistiu da cerimónia do hastear das bandeiras, que se realizou no exterior e que apesar da noite a pender para o frio e com vento foi acompanhada por uma boa porção da cerca de uma centena de pessoas que estiveram presentes.

Jonathan Garcia, um jovem que integra o rancho da casa, interpretou os hinos do Canadá e de Portugal, e o da Região Autónoma da Madeira foi entoado por todos os presentes enquanto eram hasteadas as bandeiras do Ontário, da Madeira, do Canadá e de Portugal.

De volta ao salão, bolo de mel e cálices de vinho da Madeira acolheram os convivas e ajudaram-nos a aquecer, erguendo-se os copos para um brinde acompanhado de quatro vivas: ao Canadá, a Portugal, à Casa da Madeira e à ilha da Madeira.

Entretanto, após se ter observado um minuto de silêncio por alma dos sócios falecidos, o mestre-de-cerimónias, Salomé Gonçalves, passou a palavra a José de Freitas, presidente da Assembleia-Geral e ensaiador do rancho, que agradeceu a presença de todos, destacando a participação do cônsul-geral de Portugal em Toronto, Luís Barros, do conselheiro permanente das Comunidades Madeirenses no Canadá, José Rodrigues, e dos órgãos de comunicação social.

Numa breve alocução, o cônsul Luís Barros elogiou o trabalho desenvolvido pela Casa da Madeira, com especial ênfase para a visita do presidente do governo regional, Miguel Albuquerque, e apelou aos jovens para que cresçam com a cultura canadiana, mas cientes das suas raízes e da outra cultura à qual têm acesso, preservando a língua portuguesa.

O serão incluiu um espectáculo com o artista Décio Gonçalves, que subiu ao palco logo após o jantar, seguido por uma actuação do rancho da Casa da Madeira.

Apesar do tocador de concertina – peça-chave dos músicos do rancho – ter adoecido à última hora, o que obrigou à actuação do grupo com música gravada, o empenho e amor dos jovens dançarinos pelo que fazem permitiu uma boa demonstração do folclore da região, ainda que apenas uma fracção dos seus cerca de 40 elementos pudessem actuar.

Recentemente juntaram-se ao rancho mais sete raparigas e dois rapazes, mas segundo os responsáveis continuam a procurar atrair novos elementos.

O mesmo acontece com a própria colectividade que apesar de se dedicar à preservação e promoção da cultura madeirense está "aberta a pessoas de todas as regiões", como salientou José Rodrigues, lembrando que o quadro de voluntários da casa conta com elementos de outras origens.

O conselheiro permanente das Comunidades Madeirenses no Canadá lembrou ainda uma iniciativa cujo prazo de candidatura está prestes a encerrar: a "V Edição do Curso Intensivo de Verão para Luso-descendentes: Língua, Literatura e Cultura Madeirenses", que decore de 3 a 28 de Julho na Região Autónoma da Madeira e para o qual os interessados devem concorrer até ao dia 30 deste mês.

Destinado principalmente a alunos pré-universitários, universitários ou outros, mas também a adultos que tenham vontade de melhorar o seu nível de entendimento da língua portuguesa, trata-se de um curso gratuito – apenas as passagens e a estadia são da responsabilidade dos candidatos, havendo no entanto descontos de que podem auferir – e as candidaturas e pedidos de informação devem ser enviados para: isabelbrazao@gov-madeira.pt.

A Semana Cultural Madeirense teve o seu segundo dia de actividades no sábado (22), uma noite que foi abrilhantada pelo conjunto Karma Band, tendo-se registado depois uns dias de interregno até ontem, quinta-feira (27) quando os artesãos Teresa e João Freitas de novo voltaram a demonstrar a sua arte.

A noite fechou com a actuação do Grupo de Concertinas Estrelas do Norte.

Para hoje, sexta-feira (28), as portas estão previstas abrir às 18h00 para uma grande noite de fado com Luís Ferraz e Teresa Santos, dando-se por encerrada esta 30.ª Semana Cultural com um espectáculo e baile com a banda Além Mar, marcado para amanhã, sábado, dia 29.

Entretanto, está já anunciado o início das actividades no Madeira Park a partir do dia 24 de Junho, com a festa dos Santos Populares, mantendo-se o parque em funcionamento para celebrar outras ocasiões durante os meses de Julho, Agosto e Setembro.


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