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25 Abril: Somos uma pátria em paz, mais sustentável do que muitos países europeus, diz PR Marcelo

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, descreveu terça-feira Portugal como "uma pátria em paz", que tem resistido à "nova vaga dita populista" e é "mais sustentável" do que muitos dos seus parceiros europeus.

O chefe de Estado deixou esta mensagem na sessão solene comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da República, numa intervenção em que elogiou o povo português, pelo seu "nacionalismo patriótico e de vocação universal", e a democracia portuguesa, considerando que o seu "sistema de partidos é dos mais estáveis na Europa, não deixando espaço a riscos anti-sistémicos".

"Para sermos justos, havemos de admitir que somos uma pátria em paz, com apreciável segurança, sem racismos e xenofobias de tomo, aceitando diferenças religiosas e culturais, como poucos, com rede de instituições sociais devotada, poder local incansável e sistema político flexível. E, nessa medida, mesmo se carecido de reformas, mais sustentável do que muitos outros nossos parceiros europeus", declarou.

Marcelo Rebelo de Sousa, que entrou no hemiciclo de cravo na mão, que pousou na tribuna, acrescentou: "Por isso, temos resistido à nova vaga dita populista que percorre esse mundo fora. Com quase nove séculos de história, não trocamos o certo pelo incerto. Não sacrificamos uma democracia, ainda que imperfeita, seduzidos por cantos de sereia de amanhãs ridentes, em que do caos nascerá o paraíso".

Segundo o Presidente da República, "também graças ao 25 de Abril" existem em Portugal "caminhos suficientemente opostos e, portanto, alternativos, embora todos eles crentes na democracia constitucional", para que os portugueses se sintam "dispensados de aventuras sem regresso".

"Em suma, temos muito orgulho na nossa história, no nosso património aberto ao universo, na nossa capacidade para nos reinventarmos, em democracia, mantendo-nos fiéis à nossa língua, às nossas raízes, à nossa maneira de ser, plataforma entre culturas, civilizações, continentes e oceanos. Numa palavra, nós orgulhamo-nos de Portugal", concluiu.

Na parte inicial do seu discurso, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou o antigo Presidente da República Mário Soares, que morreu em Janeiro deste ano, e saudou os "destemidos e corajosos capitães de Abril", defendendo que esta data deve continuar a ser assinalada no parlamento, "hoje, mais do que nunca".

"Para confirmar que preferimos a democracia, apesar de imperfeita, injusta ou incompleta, à mais sedutora das miragens ditatoriais. Para sublinhar que a democracia tem uma casa, em que se entrechocam as mais variadas visões da vida e da sociedade, e que nem mesmo o tom áspero dessas discussões pode servir de pretexto para questionar a riqueza da diversidade democrática", acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa argumentou que, precisamente porque Portugal tem "tanta diversidade e tão vigorosos combates políticos", o seu "sistema de partidos é dos mais estáveis na Europa, não deixando espaço a riscos anti-sistémicos conhecidos noutras paragens".

Em seguida, apontou os portugueses como os "heróis" da democracia, que a converteram num "regime ao serviço de um desígnio nacional".

O chefe de Estado sustentou que os portugueses têm contido "pulsões antidemocráticas", por se constituírem como "rede de protecção social no terreno e referenciais de paz", e enalteceu o seu "inquebrantável patriotismo".

"Os portugueses, ao sedimentarem a democracia, o fizeram e fazem a pensarem na pátria, como patriotas. Patriotas, digo bem. E não tenhamos medo das palavras e do que elas encerram: patriotas fervorosamente orgulhosos da sua nação", afirmou.

No seu entender, o povo português não é, contudo, "nacionalista contra o mundo", como acontece noutras sociedades, "rejeitando, excluindo, vivendo em medo permanente", mas sim "de coração aberto, de alma universal".

De acordo com o Presidente da República, trata-se de um "nacionalismo patriótico e de vocação universal", assente numa identidade que soma "traços culturais gregos, romanos, fenícios, lusitanos, celtas, mouros, judeus e, mais tarde, africanos, asiáticos e americanos".

"Aliás, o único que perfilhamos, capaz de nos defender de terrorismos, inseguranças, incertezas, porque, ao cultivar a abertura e a inclusão, torna mais difícil o que é hoje o pão nosso de cada dia noutras sociedades: serem os injustiçados, ou rejeitados de dentro, os arietes dos maiores perigos e das mais insidiosas ameaças. É esta visão descomplexadamente patriótica que dá sentido último à nossa democracia", sustentou.


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