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Canadá/Covid-19:

Após desconfinamento, Ontário volta a detectar média superior a 100 casos diários

Com o número de pessoas infectadas com o vírus corona a rondar os 24 milhões em todo o mundo, 820.000 das quais faleceram – mais 40.000 do que na semana anterior – o índice de recuperação melhorou ligeiramente, de 66,1 por cento para 67,9 por cento, ou 16,3 milhões.

No Canadá, porém, o índice de recuperação que tinha vindo a aumentar nas últimas semanas parece ter estagnado com o levantamento de muitas das medidas de confinamento pelo que, com cerca de 125.000 casos – um acréscimo de cerca de 3.000 – as 112.000 pessoas que são agora consideradas recuperadas da doença representam a mesma percentagem da semana anterior, ou 88,8 por cento do total, com os óbitos a fixarem-se perto dos 7,2 por cento, ou 9.100.

Na pretérita quarta-feira (19) uma coligação de profissionais ligados ao ensino revelou que os professores substitutos, que normalmente transitam de escola para escola conforme as necessidades, se mostram preocupados com o risco que representa trabalharem em várias instituições de ensino face à pandemia.

A organização "Trabalhadores da Educação do Ontário Unidos", composta por professores do ensino secundário, juntou a sua ao coro de vozes que protestam o plano criado pelo governo provincial para o regresso às aulas, desta feita para se queixarem de que os funcionários com estatuto de "trabalhadores ocasionais" não foram incluídos no diálogo referente à reabertura das escolas.

Por seu turno, a Direcção Escolar Distrital de Toronto apresentou um novo plano para o próximo ano lectivo que desta feita tem como objectivo reduzir o tamanho das turmas nas escolas primárias em distritos considerados de maior risco de Covid-19.

O plano proposto anteriormente e apresentado ao governo provincial tinha sido chumbado por reduzir o tempo de ensino diário em 48 minutos.

Entretanto a Câmara Municipal de Toronto e as autoridades responsáveis pelos serviços de saúde pública voltaram a advertir os jovens para continuarem a usar máscara e a praticarem o distanciamento social na sequência de um aumento significativo no número de casos de Covid-19 entre adolescentes e jovens.

A situação levou a que a média da idade das pessoas infectadas passasse de 52 anos, como se tem registado ao longo de toda a pandemia, para 39 anos no espaço de apenas duas semanas.

Enquanto isso e conforme terminava a moratória imposta pelo governo aos despejos de inquilinos pelo não pagamento de renda, foram revelados novos dados que indicam que os bairros onde estas acções se têm registado em maior número são também os mais afectados pela Covid-19, o que parece indicar que os moradores dessas zonas poderão vir a sofrer duplamente com esta crise secundária.

Várias firmas de grande envergadura e bancos continuam a pedir aos empregados para que se mantenham a trabalhar de casa, pelo menos até ao fim do ano, o que reduz o número de utentes nos transportes públicos e nos elevadores dos prédios da baixa, mas a situação também tem transformado o distrito financeiro de Toronto numa cidade fantasma, o que significa que os estabelecimentos, restaurantes e cafés situados nesta zona vão continuar a sofrer economicamente.

Noutra vertente do impacto económico das medidas de confinamento, os estudantes universitários – alguns dos quais passaram o Verão sem poder trabalhar, embora muitos recebessem subsídios do governo ao abrigo do programa CESB – queixam-se de que vão ter de pagar milhares de dólares em propinas apesar de ficarem a estudar em casa.

Isto na sequência da decisão de várias universidades de passarem a oferecer a maioria dos cursos online e não em aulas presenciais, embora sem terem com isso reduzido os respectivos custos.

Entretanto a Universidade de Toronto (UT) anunciou a criação de um Instituto para o estudo de Pandemias que pretende ajudar a moldar as respostas dos governos à crise de Covid-19 e subsequentes surtos pandémicos que possam vir a surgir.

O instituto foi criado graças a um donativo de um milhão de dólares, doado pela filantropa Sabina Vohra-Miller, e o reitor Adalsteinn Brown afirma que, além de politicamente neutros, os académicos são mais ágeis do que os governos e podem responder mais rapidamente a eventuais ameaças do foro infeccioso.

Segundo a UT, o novo instituto vai concentrar-se nos funcionários de saúde pública, para que possam ajudar na preparação para eventuais pandemias e no processo de recuperação, assim como irá aumentar a capacidade de modelar doenças infecciosas.

O aspecto social das pandemias também será alvo da atenção do instituto, que pretende concentrar-se no estudo da forma como a Covid-19 exacerbou a desigualdade entre ricos e pobres a nível mundial.

No seguimento da última semana, a recém-nomeada ministra das Finanças, Chrystia Freeland, anunciou, juntamente com a ministra do Emprego, Carla Qualtrough, que o governo federal ia aprovar um pacote financeiro na ordem de 37.000 milhões de dólares para prolongar o Benefício de Emergência CERB durante mais quatro semanas.

O CERB concede aos que se qualificam 2.000 dólares por cada ciclo de quatro semanas, passando agora os requerentes a poder receber um máximo de sete ciclos em vez dos seis que eram anteriormente permitidos, até serem substituídos por uma forma "simplificada" de subsídio de desemprego que está ainda a ser estudada.

Os governos Federal e do Ontário firmaram entretanto um acordo com a empresa 3M para a produção de máscaras N95 numa fábrica em Brockville.

De acordo com um porta-voz do ministro do Desenvolvimento Económico do Ontário, Otava e Queen's Park irão contribuir com 23,3 milhões de dólares cada, prevendo-se um aumento da capacidade de produção da fábrica para 100 milhões de máscaras anualmente.

A província do Ontário anunciou ainda mais um prolongamento do período em que as medidas de emergência decretadas a propósito da pandemia vão continuar em vigor, até 22 de Setembro, à excepção de algumas que expiram a 31 de Agosto e nas quais se inclui o decreto que autorizava as direcções escolares a destacarem funcionários para ajudar as instalações de cuidados de saúde.

Por seu turno, o Presidente da Câmara de Toronto, John Tory, anunciou que vai ser concedido um incentivo financeiro a 45 casas de espectáculo de música ao vivo na cidade, na ordem de 1,7 milhões de dólares, na forma da suspensão do pagamento do imposto predial e que se destina a ajudar estas empresas fortemente abaladas pelo impacto das medidas de confinamento.

Já no final da semana, a média de infecções que são detectadas diariamente no Ontário voltou a fixar-se acima dos 100 casos, após cerca de três semanas durante as quais estiveram consistentemente abaixo desse número.

A maioria dos casos foram detectados em apenas três unidades dos serviços de saúde: Toronto, Oshawa e na Região de Peel.

Seria no fim-de-semana que o bio-estatístico Ryan Imgrund, do Centro Regional de Saúde Southlake, de Newmarket, viria a revelar a sua preocupação com o "número de reprodução efectiva" do vírus corona, valor que tem vindo a estudar desde o início da pandemia e que indica ter aumentado subitamente, de 0,8, a 29 de Julho, para 1,35.

Este número, como explica, indica quantas pessoas um doente com Covid-19 tipicamente infecta, sendo que para se manter o contágio sob controlo deve permanecer inferior a 1.

No início da semana a organização que representa os profissionais de enfermagem no Ontário pediu ao governo provincial para que reduzisse o tamanho das turmas nas escolas, para melhor proteger os alunos e funcionários do sistema de ensino do perigo de contágio com Covid-19.

Na mesma altura, foi dado a conhecer um novo modelo matemático da progressão da pandemia, elaborado por um grupo de pesquisadores das universidades de Waterloo e de Guelph, que sugere que à medida em que o número de alunos numa sala de aula aumenta, o risco de contraírem a doença aumenta, não de forma progressiva, mas exponencialmente.

O modelo prevê cinco casos de infecção numa escola primária com 50 alunos, divididos em turmas de 8, com ensino presencial a tempo inteiro, uso de máscara, observação das regras de distanciamento e desinfecções rigorosas, o que resultaria na perda de 9,5 dias de ensino por cada aluno.

Num cenário híbrido, com aulas presenciais só durante meio dia, o modelo calcula que apenas quatro alunos contrairiam a doença, resultando na perda de 9,25 dias de ensino por aluno.

Contudo, quando os alunos são divididos em turmas de 15, com aulas presenciais a tempo inteiro, a estimativa do número de casos quase triplica, aumentando para 14, com 18 dias de escola perdidos por estudante.

No decurso da semana a Dra. Eileen de Villa, directora dos serviços de saúde de Toronto, viria a público para emitir um novo alerta para a juventude que se julga imune à Covid-19.

Segundo indicou e após ouvir "muitos jovens" afirmarem que não acreditam serem susceptíveis ao vírus, a médica considerou necessário lembrá-los de que a doença "não conhece barreiras – nem de idade, nem de raça, nem de afluência", e deu como exemplo o caso de um jovem de 19 anos que tinha acabado de falecer dias antes no Quebeque e que era, de acordo com todas as medidas, saudável antes de ter contraído Covid-19.

Nos últimos três meses, a proporção de jovens com menos de 30 anos infectados pelo vírus corona no Quebeque aumentou de 13,6 para 22,9 por cento, enquanto que no resto do país a proporção é agora ainda maior, na ordem dos 23,8 por cento.

Esta é uma tendência que tem vindo a ser observada em todo o mundo, à medida em que se regista uma segunda vaga de infecções em vários países.

Entretanto, confrontados com grandes atrasos nos tribunais, agudizados ainda mais pelas medidas de confinamento decretadas na sequência da pandemia, o governo federal avisou os procuradores-gerais para evitarem processos criminais em casos de posse de droga para consumo pessoal, salvo os que forem particularmente gravosos.

Trata-se de um reconhecimento da ineficácia do sistema criminal em resolver problemas de adição, que consomem uma percentagem significativa dos recursos jurídicos sem produzirem resultados palpáveis.

Foi ainda esta semana que o Gabinete de Responsabilidade Financeira do Ontário (FAO, na sigla em inglês) deu a conhecer que a classificação de crédito da província se manteve estável em 2020, apesar das enormes despesas que sobrecarregaram o governo durante a pandemia.

Segundo este organismo, as quatro principais agências internacionais de classificação de crédito confirmaram que o Ontário continua a merecer a designação de AA- ou A+, que são a quinta e sexta mais elevadas, embora advertindo para o facto destas classificações estarem dependentes dos planos pós-pandemia do governo, nomeadamente para a redução progressiva do défice orçamental e da dívida pública.

Por último, a Comissão de Transportes Públicos de Toronto (TTC, na sigla em inglês) anunciou que os seus utentes poderiam a partir de agora pedir o reembolso das tarifas mensais que carregaram nos cartões Presto em Março e Abril, e que não puderam usar devido ao confinamento.


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