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Fundação Magalhães:

Novo centro para idosos da comunidade lusa poderá ser realidade já em 2025

Por Rómulo Ávila

Sol Português

Ao todo são precisos mais de 85 milhões de dólares para pôr de pé o sonho da Magellan Community Charities, instituição de caridade luso-canadiana que pretende construir um lar e centro para idosos portugueses onde estes possam viver dentro das suas tradições e hábitos culturais.

Na passada quinta-feira (20), vários elementos de associações e empresários ligados à comunidade portuguesa participaram num evento destinado a dar a conhecer o ponto da situação relativo à construção do centro e a anunciar os contributos obtidos até ao momento.

A Instituição de Caridade Comunitária Magalhães é uma organização sem fins lucrativos que pretende homenagear o navegador português Fernão de Magalhães concedendo o seu nome a um centro com capacidade para 320 utentes e que seja capaz de preservar a identidade, a língua e a cultura portuguesa.

As portas do Downtown Macedo Winery, onde o encontro decorreu, abriram-se pelas 18h00 e Aimee Macedo, gerente daquele espaço localizado na Ossington Avenue, frisou à nossa reportagem "o orgulho e a alegria" que sentiam em poderem ajudar esta causa.

"Todos seremos idosos no futuro, quem sabe um dia precisaremos deste espaço", realçou, lembrando ainda que "devemos estar na vida também para ajudar os outros", motivo porque esta causa poderá sempre contar com o apoio da firma.

A família Tavares – como assim quer ser conhecida – mereceu destaque nessa noite pois quis honrar a memória do pai que, como salientou, sempre ajudou a comunidade, procedendo à entrada de um cheque no valor de 100.000 dólares para a instituição Magalhães.

Foi mais um contributo para ajudar a erguer este há muito almejado centro comunitário para idosos, realçando a responsável em declarações ao nosso jornal, que a "comunidade bem se deveria unir em torno desta causa".

No decorrer do encontro o jornal Sol Português falou com Anabela Taborda, directora do comité de angariação de fundos da instituição de caridade, que, recorrendo ao provérbio português de que "de grão a grão enche a galinha o papo", evidenciou a importância da construção daquele espaço e da necessidade de que "todos os que puderem contribuir" vão fazendo os seus donativos para que o projecto se possa concretizar.

Por seu turno, Ulysses Pratas, director da Fundação Magalhães, indicou que "com a ajuda de todos foram dados e vão continuar a ser dados muitos passos importantes" para tornar realidade esta aspiração da comunidade portuguesa, mostrando-se por isso confiante de que as obras se possam iniciar em breve.

Também Manuel da Costa, responsável pela Magellan Community Charities, considerou "muito importante estarmos todos envolvidos e contribuirmos para este grande projecto", adiantando não se poder "perder mais tempo pois estamos perante uma obra muito importante para a comunidade portuguesa".

Referindo-se aos passos dados até aqui como "os grandes alicerces desta obra sonhada há mais de duas décadas", lembrou que continua a ser necessário o apoio de todos para que o projecto se possa concretizar.

Entretanto, Charles de Sousa, director da Instituição Comunitária Magalhães, afirmou à nossa reportagem ter chegado "o momento decisivo", assumindo terem-se ultrapassado já "muitas etapas" para garantir a construção do centro.

Segundo indicou, este terá uma área para a prestação de assistência a idosos e outra para residências, para quem necessitar de cuidados contínuos, garantindo também a possibilidade de ali virem a residir idosos que possam viver de forma independente.

O antigo ministro das Finanças do Ontário esclareceu ainda que contam com uma lista de espera "nada pequena de pessoas interessadas" e confessou o seu desejo de que em 2025 possam começar a receber os primeiros residentes.

Segundo indicou, para além dos serviços de apoio e das residências, o primeiro piso do prédio será colocado à disposição da comunidade portuguesa para que as associações lusas ali possam "conviver e realizar os seus eventos", afirmando mesmo que o edifício será "uma verdadeira Casa de Portugal".

Recorde-se que em 2019 a Câmara Municipal de Toronto cedeu um terreno para a construção do centro, que ficará localizado no número 640 da Lansdowne Avenue.

Na altura a cedência do terreno municipal foi considerada uma "parceria inédita", pois foi doado por um período de 99 anos a um custo simbólico de um dólar por ano.

O tema da campanha de angariação de fundos para a construção do "Magalhães" destaca que o centro irá ser um lar para muitos dos que construiram esta cidade e que chegou por isso "a hora de retribuirmos e ajudarmos a construir-lhes uma casa" onde possam viver juntos e em harmonia dentro das tradições que lhes são queridas.


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