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Deputados do Quebeque recusam-se a prestar juramento ao rei Carlos III

Um grupo de deputados do Quebeque, eleitos recentemente nas eleições provinciais que se realizaram a 19 de Outubro, recusaram-se a prestar o juramento de lealdade ao Rei Carlos III, chefe de Estado do Canadá, como determina a Constituição.

Segundo as informações a que o jornal Sol Português teve acesso, ao todo foram 11 os deputados do partido de esquerda Quebeque Solidário que não quiseram prestar o juramento à coroa britânica, fazendo-o apenas "ao povo do Quebeque".

Há também três deputados eleitos pelo Partido Quebecois, outro partido da oposição, que recusam jurar lealdade ao monarca britânico, que é também, simbolicamente, o chefe de Estado do Canadá.

Em consequência deste acto, os deputados correm o risco de não poderem ocupar as suas cadeiras na Assembleia Nacional do Quebeque quando esta retomar as actividades, o que deverá acontecer no final de Novembro.

O porta-voz do partido Quebeque Solidário, Gabriel Nadeau-Dubois, assegurou em conferência de imprensa que "os deputados agiram com total conhecimento de causa", frisando que "já durante a campanha eleitoral esclarecemos que queríamos virar uma nova página da história no Quebeque e se o povo nos enviou para o Parlamento, é para abrir uma porta".

Segundo a lei constitucional do Canadá, todos os deputados, a nível federal ou provincial, têm de fazer um juramento de lealdade à monarquia britânica para poderem exercer o seu mandato.

Gabriel Nadeau-Dubois mostrou-se confiante de que ainda seja possível ultrapassar o impasse antes do início da próxima sessão parlamentar, agendada para 29 de Novembro, afirmando haver "bastante tempo" para encontrar uma resolução que evite que os deputados que não concordam com o que descreveu como um juramento "colonial, arcaico e desactualizado" sejam impedidos de exercer o cargo para o qual foram eleitos.


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