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Volta Luso 2018 move centenas de pessoas e angaria quase 125 mil dólares

Por João Vicente
Sol Português

Centenas de pessoas participaram domingo (23) na quarta edição da Volta Luso, certame anual constituído por passeios de bicicleta e a pé destinados a angariar fundos para a organização beneficente Luso Canadian Charitable Society (LCCS) e que, através de três centros especializados em Toronto, Hamilton e Mississauga, se dedica à prestação de serviços a pessoas com deficiências físicas ou cognitivas e seus familiares.

O Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM) foi mais uma vez o anfitrião deste evento, com os participantes a reunirem-se em torno da sua sede, não só à partida e à chegada das "provas", como para o convívio e celebração que se seguiu.

"Não devíamos de precisar destes prédios, mas infelizmente precisamos...", como nos dizia Tony de Sousa, presidente do CCPM, referindo-se aos três centros a cargo da LCCS e cujo mais recente, em Peel (Mississauga) – "a dois passos" da colectividade lusa – tem ainda grandes despesas ligadas não só ao seu funcionamento como à construção.

Estas são iniciativas pelas quais a comunidade "está de parabéns", ressalva o dirigente, motivo porque o CCPM as tem apoiado desde o início cedendo as instalações e o contributo dos voluntários do clube para servir de base de apoio às centenas de ciclistas e caminhantes que nelas têm participado.

Tony de Sousa destaca ainda que 10% das verbas provenientes da realização da gala "Spirit Award", um prémio atribuído anualmente pelo CCPM, se destinam à obra da LCCS, para que esta continue a oferecer os programas e serviços necessários aos seus utentes, uma oferta que gostaria de ver multiplicar-se por outras colectividades e organizações.

A propósito da Volta, o presidente da LCCS, Jack Prazeres, explica que a sua realização nasceu do desejo de fazer algo diferente e mais acessível ao público em geral.

"É uma coisa em que toda a comunidade pode participar, de bicicleta ou a pé – não é preciso angariar 100 dólares para se inscrever, basta fazer uma doação e participar" – ressalva, contrastando com os 200 a 250 dólares por pessoa para o jantar de gala – considerando-a por isso uma boa oportunidade "para a comunidade se juntar toda e participar".

A data deste evento sofreu uma alteração desde que primeiro se realizou, há quatro anos, mas o número de participantes e o montante angariado têm ambos vindo a crescer, atingindo desta vez mais de 130 mil dólares.

Apesar disso, a participação continua um pouco aquém do desejado e a organização, que por infortúnio já se deparou com intempéries em anos anteriores, está a considerar voltar a realizá-lo em Maio – segundo explicam os seus responsáveis, porque fica a impressão

de que nesta altura do ano, em que as pessoas acabam de voltar de férias e as crianças começaram a escola, talvez não seja a melhor.

É algo que está ainda por decidir, sobretudo face ao "lindo dia de sol com que fomos abençoados" este ano, como notou o deputado federal e ex-maratonista olímpico Peter Fonseca durante o seu discurso, e que constituiu uma agradável excepção às condições climatéricas que marcaram as edições anteriores.

Fosse porque fosse, o evento foi imbuído de um tremendo espírito positivo e a par das realizações habituais contou até com a visita de um carro histórico da polícia de Peel, havendo ainda actividades como pinturas de rosto para as crianças.

Logo pela manhã saiu o grupo de ciclistas que se comprometeu a fazer um percurso de 60 quilómetros, seguido pouco depois pelo pelotão para a rota de 20 quilómetro e só então o grupo mais numeroso: os que se comprometeram a percorrer a pé um circuito de oito quilómetros.

Antes, porém, realizou-se uma sessão de aquecimento com uma palestra motivadora pela quase centenária ex-presidente da Câmara de Mississauga, Hazel McCallion, que, em palco, ajudou a demonstrar os exercícios ao mesmo tempo que punha um sorriso no rosto de todos e depois acompanhou a caminhada a pé, demonstrando a sua inesgotável energia, alegria e boa vontade.

A marcha contou com a participação também do deputado Peter Fonseca e da esposa, a vereadora de Mississauga, Chris Fonseca, tendo ainda comparecido à partida e deixado algumas palavras de apoio à organização e incentivo aos participantes os vereadores George Carlson, Pat Saito e Ron Starr (Mississauga), e Martin Medeiros (Brampton), assim como o inspector Rob Shear, da Polícia de Peel.

A presidente da Câmara de Mississauga, Bonnie Crombie, que não pôde estar presente à partida, viria a discursar mais tarde, quando os participantes estavam já de volta e a saborear os comes-e-bebes proporcionados pela organização.

Na presença dos dignitários, Jack Prazeres referiu encontrar-se ali uma família de Hamilton, com três filhos em cadeiras de rodas e a mãe que se debate com um cancro, situação que levou o empresário Manuel da Costa a apresentar mais tarde um cheque, no valor de 10 mil dólares, para ser entregue à família.

Entretanto, e após a atribuição de algumas medalhas aos participantes que mais se distinguiram pelo valor das verbas que angariaram ou pela rapidez com que o fizeram, foram rifados alguns prémios, incluindo uma camisola dos Maple Leafs autografada pelo jogador luso-canadiano John Tavares, artigo que galvanizou a atenção do público.

Essa sorte calhou a José Eustáquio, mas este decidiu entregar a camisola à organização, para que fosse leiloada.

A oferta final, que começou a 300 dólares, chegou aos 1500 e foi Carlos Costa, de ACS Productions, empresa responsável pela montagem do palco e pelo som, quem levou a camisola para casa, elevando o total arrecadado com esta iniciativa de 123.000 para 124.500 dólares.

Apesar da Volta Luso 2018 ter terminado, não terminaram os esforços de angariação de fundos para a LCCS, organização caritativa que depende quase exclusivamente da generosidade de cidadãos privados e empresas para custear as despesas de funcionamento dos centros a seu cargo.

Os responsáveis apelam ao público para que se informe sobre os serviços que prestam e que fazem toda a diferença na qualidade de vida dos seus utentes e familiares, podendo os interessados visitar cada um destes centros pessoalmente – em Toronto no 2295 St. Clair Avenue West, em Hamilton no 760 Barton Street East ou em Mississauga no 6245 Mississauga Road – ou virtualmente, através do portal da organização, em lusoccs.org.


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