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Luso-Can Tuna:

20 anos a empolgar a juventude luso-canadiana

Por Jonathan Costa
Sol Português

O grupo académico Luso-Can Tuna assinalou sábado (22) o seu 20.º aniversário numa celebração simultaneamente alegre, nostálgica e emotiva que destacou o historial desta Tuna estudantil inspirada nas tradições universitárias portuguesas – a única existente na diáspora – e que no seu elenco acolheu já várias gerações de estudantes luso-canadianos.

A Casa dos Açores do Ontário (CAO) foi o local escolhido para a comemoração, que foi constituída por um jantar convívio e um espectáculo proporcionado pelo próprio grupo e pelo conjunto Mexe-Mexe, ao longo de uma noite em que centenas de pessoas vibraram com a animação musical e, para alguns, a recordação de momentos marcantes da sua vida.

"Vinte anos! De facto, o tempo passa a correr", dizia-nos Ana Bailão, que foi membro fundador da Luso-Can Tuna e é actualmente vereadora e vice-presidente da Câmara Municipal de Toronto.

"Parece que foi ontem que eu andava na universidade e que os reitores da Universidade dos Açores e da Tuna Académica dos Açores, que são os padrinhos da Luso-Can Tuna, nos lançaram o desafio de criarmos uma Tuna na nossa comunidade, quando cá vieram para celebrar uma Semana Cultural nesta mesma Casa dos Açores", recordou a autarca que considerou "muito especial" celebrar este aniversário "onde foi inicialmente lançado esse desafio".

Desde então, já muitos elementos entraram e saíram do grupo, à medida em que completam os seus estudos, mas o projecto mantém-se por ter sempre jovens interessados em dar-lhe continuidade.

É o caso de Victoria Meneses que se juntou à Tuna em Fevereiro e que orgulhosamente nos afirma: "Sou caloira e toco a pandeireta", adiantando que o "baptismo" foi há apenas duas semanas mas que "desde o início me têm ensinado não só a tocar os instrumentos, mas também o que significa pertencer a uma Tuna Académica".

"É um grupo fantástico, partilhamos esta união entre nós e este orgulho pela cultura e música portuguesa, e acolhemos todos igualmente", destaca a jovem, entusiasmada, acrescentando que, "independentemente de saberem tocar ou cantar, são todos bem-vindos e convidados a se juntarem ao nosso grupo", que considerou "muito divertido".

Para se tornarem tunos os caloiros têm que conquistar cinco laços, simbólicos das etapas necessárias para atingirem esse estatuto e representadas pelas cores que formam a bandeira portuguesa.

Todos começam como aprendizes e após serem "baptizados" recebem a faixa azul, que os identifica como caloiros.

Consoante o tempo, irão receber a branca, a amarela e a verde até, eventualmente, atingirem a faixa vermelha que oficializa o seu estatuto de tunos, membros experientes da Luso-Can Tuna.

"Fazer parte deste grupo é muito especial, somos como uma família, muito unidos. Temos orgulho na nossa cultura portuguesa, nas nossas raízes e tradições e fazemos questão de as representar onde quer que vamos", diz-nos Miguel Marques Dias, que salienta que "já tivemos a oportunidade de o fazer no México, em Portugal e noutros lugares do mundo".

Para o vice-maestro da tuna, que abordou um pouco da história do grupo, incluindo alguns dos obstáculos que enfrentaram há pouco tempo, "é maravilhoso ver todos estes jovens de diferentes universidades, de diferentes escolas, unidos desta maneira".

"É verdade que enfrentámos algumas dificuldades em tempos recentes, não é fácil sustentar as nossas actividades sem apoios financeiros e patrocínios, mas sobrevivemos e hoje estamos aqui fortes, preparados para os próximos 20 anos", afirmou.

Miguel Marques Dias, que fez questão de agradecer "toda a ajuda dos fundadores e veteranos", considerou que este projecto está "a ensinar às próximas gerações porque se devem sentir orgulhosos da sua cultura e de representarem a nossa comunidade", acrescentando que "temos uma história lindíssima e que continuará a ser escrita por estes jovens – o nosso futuro".

Como destacou também Ana Bailão, "é importante termos mais grupos como este, que aproximem os jovens à nossa comunidade, às nossas tradições e que os motivem a atingir o sucesso na área académica", objectivos que considera estarem a concretizar-se lembrando que "temos aqui jovens da Universidade de York, da Universidade de Toronto e de diversas faculdades".

Após um jantar convívio onde predominaram os sabores típicos da gastronomia portuguesa, e enquanto os elementos da Luso-Can Tuna aqueciam a voz e afinavam os instrumentos para a sua actuação, os convidados e o público aproveitaram para reavivar as suas memórias e tirar fotografias.

Ana Bailão e a deputada federal Julie Dzerowicz tiveram também oportunidade de partilhar algumas palavras com o público.

"Lembro-me de uma das primeiras canções que cantei; os meus joelhos não paravam de tremer, mas com a ajuda de todo o grupo lá consegui. A partir daí ficou mais fácil", partilhou Ana Bailão.

"A comunidade portuguesa sempre me impressionou pela sua união e este grupo é de facto um símbolo disso", afirmou por seu turno Julie Dzerowicz que considerou "um prazer enorme ver este grupo de jovens com tanto talento, com tanto orgulho da sua cultura e do seu sucesso académico".

"Vocês vão estar bem representados por estes jovens no futuro", concluiu a deputada eleita ao Parlamento em Otava pelo bairro torontino de Davenport – distrito com a maior percentagem de residentes de origem portuguesa no Canadá.

Os responsáveis da tuna aproveitaram também para darem início à venda de rifas, que incluíam diversos prémios e cujo objectivo era angariar fundos para apoiar as digressões e actividades do grupo.

Por fim, chegado o momento da actuação, os jovens luso-canadianos subiram ao palco debaixo dos calorosos aplausos e dos sorrisos dos pais e familiares orgulhosos e, ao som do fado e de temas tradicionais portugueses extraídos do seu álbum "Carpe Diem", que recentemente lançaram, levaram o público ao rubro.

No decurso da sua actuação, um momento especialmente emotivo surgiu quando, para surpresa de todos, alguns dos elementos do grupo puxaram por cadeiras e as colocaram à frente do palco, e nelas se sentaram as avós do grupo para uma serenata emocionante – ao som, apropriadamente, da melodia "Avó".

No final da música, cada um dos netos e netas recebeu um beijo carinhoso da sua avó, conduzindo-a de volta ao seu lugar na plateia e dando por concluído um momento de ternura que derreteu o coração das homenageadas e de quem assistia.

Após mais alguns temas – incluindo danças e uma coreografia com a bandeira oficial do grupo – a "Tuna" como é carinhosamente conhecida, solicitou a presença em palco de todos os ex-elementos e fundadores que se encontravam na plateia.

Um a um, todos superaram a vergonha e tomaram o seu lugar no palco, criando uma bela imagem do passado, presente e futuro desta tuna académica luso-canadiana numa interpretação conjunta que arrancou uma salva de palmas dos espectadores que se levantaram dos seus lugares para aplaudir.

A emotiva ovação durou perto de cinco minutos, após o que os jovens deixaram o palco para descansarem e desfrutarem da festa que continuou até bem para lá da meia-noite, com um animado baile a cargo do conjunto Mexe-Mexe.

"Gostava de agradecer a todos os que aqui marcaram presença nesta noite e deixar o convite a todos os jovens luso-canadianos que estão inscritos ou prestes a estar inscritos no ensino pós-secundário: juntem-se a nós, venham-se divertir connosco, fazer parte da nossa história", convidou Miguel Marques Dias.

"Vão aprender a tocar e a cantar, a fazer parte desta união e família deste grupo, a representar a vossa cultura e a nossa comunidade. E, claro, convido todos a ouvir o nosso álbum "Carpe Diem" e a comparecer nas nossas actuações num futuro próximo", concluiu.


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