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SATA E BOMBARDIER

Mãos portuguesas talham o Q400 NextGen da SATA em Toronto

Por Humberta Araújo
Sol Português

São mais de duas centenas os trabalhadores portugueses de Toronto, que laboraram na Bombardier, alguns dos quais deixaram as suas impressões digitais nos novos aviões, que a transportadora aérea regional dos Açores – SATA - adquiriu a esta companhia canadiana. A primeira das quatro aeronaves foi oficialmente entregue na passada segunda-feira em Toronto, na presença de um considerável número de responsáveis da SATA e jornalistas vindos da região.

Os residentes dos Açores recebem a sua primeira nova aeronave "Bombardier Dash Q400 NextGen" no início do mês de Fevereiro, seguida de dois outros aviões no mesmo mês e, o quarto e último avião em Março.

Estas aeronaves, que vão juntar-se aos dois Dash Q200 da Bombardier já a funcionar no arquipélago, vão renovar a actual frota dos ATP e Dornier, bastante conhecida dos emigrantes.

Estes aviões que têm capacidade para 80 passageiros são mais económicos, mais rápidos, com maior capacidade para bagagem, e mais amigos do ambiente.

De acordo com o presidente do Conselho de Administração do Grupo SATA estas características reduzirão os custos para a empresa e em última análise para os passageiros.

A renovação da frota era uma "das ambições da nossa companhia" que ambicionava apetrechar-se de equipamentos modernos e mais económicos "os quais vão permitir responder às características da operação nas ilhas ao disponibilizar mais lugares por voo para as rotas de mais procura, assim como maior capacidade de transporte de carga e redução das implicações ambientais", disse em Toronto António Meneses.

Estas aeronaves, segundo Meneses foram escolhidas por se adaptarem bem às condições geográficas das ilhas e dos seus aeroportos, permitindo assim uma operação em segurança.

Emigrantes vão ganhar com este novo avião

Estes Dash Q 400 fazem parte de uma família de aeronaves de "sucesso" da Bombardier em vários países do mundo e, segundo António Meneses na decisão desta compra pesou também a realidade do emigrante que se desloca aos Açores.

O presidente do Conselho de Administração do Grupo SATA, em declarações exclusivas ao Sol Português disse a este propósito, que os emigrantes não foram esquecidos nesta escolha e, que as características do avião vão permitir mais capacidade de escoamento dos emigrantes durante as épocas de férias e melhor resposta às questões de bagagem.

"Este avião vai facilitar os circuitos inter-ilhas, porque como tem mais capacidade que o ATP permite ao açoriano que chega, por exemplo à Terceira ou a S. Miguel, deslocar-se a outra ilha com maior facilidade, porque a sua reserva é mais facilmente confirmada uma vez que há mais lugares disponíveis", esclareceu António Meneses.

O Presidente do Conselho de Administração do Grupo realçou ainda como factor positivo, a capacidade para carga destas aeronaves. "Esta" disse "é uma característica que vai influenciar positivamente a nossa resposta, porque a bagagem poderá acompanhar mais facilmente o nosso emigrante e ou visitante até à ilha final de destino - que pode não ser necessariamente a Terceira ou S. Miguel. Este foi também um factor que pesou na nossa escolha, pois sentimos que no Verão é muito importante dar uma resposta adequada, porque quando os problemas surgem também é difícil resolvê-los. De facto", disse ainda Meneses, "sentimos que todas estas questões – tanto de escoamento dos passageiros como de bagagem - ficam agora mais rapidamente resolvidas, sendo certo que nunca se pode comparar um turbo-hélice a um A 310", rematou.

Na cerimónia de entrega do primeiro Q 400 em Toronto estiveram presentes alguns dos principais responsáveis da Bombardier, entre eles o vice-presidente de vendas Kevin Smith e Simon Roberts, vice-president e gestor geral dos turbo-hélices e das novas instalações da "Toronto Site".

Um considerável número de jornalistas de vários órgãos de comunicação social dos Açores e Toronto presenciaram a cerimónia de entrega deste avião, que marca um novo ciclo na vida da transportadora aérea regional açoriana.

Esta foi também uma oportunidade para uma operação de charme por parte da Bombardier junto dos portugueses ao abrir as suas instalações à comunidade, para assim mostrar os seus produtos e dar a conhecer as relações que tem também com Portugal continental, através dos seus produtos na área dos transportes ferroviários do Porto e Lisboa, assim como da metro da capital portuguesa.

A fábrica da Bombardier de Toronto com uma história, que remonta a 1928, passa agora por uma remodelação física profunda, para segundo Simon Roberts, modernizar as suas instalações e melhorar a produtividade e a segurança dos trabalhadores. Segundo fonte da Bombardier, esta unidade fabril emprega mais de duas centenas de portugueses, entre eles o Joe Pereira, engenheiro de produção, natural da ilha Terceira, o Jaime Amorin, responsável pelos interiores do Q 400 da SATA e o Francisco Lopes de Coimbra.

Esta é uma empresa com sede em Montreal e baseada na tradição da família Bombardier, que emprega actualmente 66 900 funcionários em todo o mundo e tem um valor de negócios que ronda os 10.7 biliões de dólares.


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