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XIII Festival de Concertinas e Cantares ao Desafio em Toronto:Desafios da língua e da improvisação trazem artistas populares de França e Portugal
Por António Perinú e Débora Viveiros
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A cada ano que passa o certame sobe mais um degrau no reconhecimento e no sucesso que conquista junto do público, sendo dos poucos eventos comunitários que consegue atrair um público diversificado, que abrange todos os escalões etários. É também um tipo de espectáculo que agrada a minhotos, naturalmente, mas não só, já que este género de despiques humorísticos têm um apelo quase universal e todos se divertem a assistir aos calorosos confrontos entre os artistas. "Ora dizes tu, ora digo eu" e os cantores digladiam-se verbalmente com quadras de improviso, compondo versos que tanto dão para ataques agrestes como saudações amistosas, mas onde impera sempre o humorismo e o civismo – mesmo em pleno "campo de batalha" – o que é geralmente do inteiro agrado dos que assistem e se divertem com os dichotes, larachas e "insultos" que os artistas trocam entre si. | ||||||||||
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Este encontro incluiu um jantar convívio, confeccionado e servido pela empresa luso-canadiana Europa Catering, após o que Tony Letra, presidente da Assembleia-Geral do Arsenal viria a palco para agradecer a presença do público e convocar alguns dos convidados a proferirem curtas alocuções. Assim se escutaram o deputado Joe Volpe – antigo Ministro da Imigração e que se manifestaria satisfeito em ver a comunidade portuguesa manter as suas tradições neste país – assim como o actual presidente do Conselho de Presidentes da Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas do Ontário (ACAPO), Laurentino Esteves, que citou a grandiosidade destas realizações. | ||||||||||
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A encerrar as alocuções, Fernando Gonçalves, adido do Consulado-Geral de Portugal em Toronto, falou nos mesmos moldes, dizendo-se ele próprio minhoto. Ao encontro assistiram ainda a candidata luso-canadiana Theresa Rodrigues e o presidente da ACAPO, José Eustáquio. | ||||||||||
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Emoção transborda para o exteriorManuel Gonçalves, também ele Director do Arsenal, foi o apresentador da noite, começando por chamar ao palco o Grupo de Concertinas do Arsenal do Minho, que incluía também elementos de outras organizações. Desde logo começava a festa e o baile. A actuação do Grupo do Arsenal proporcionou como que o aperitivo para a entrada em palco de Mike da Gaita e Nelson Costa, dois jovens e exímios tocadores de concertina vindos directamente de França. Pela segunda vez entre nós, este duo já tinha actuado neste certame na edição anterior e voltou a ser chamado para o espectáculo deste ano pela sua habilidade e repertório de músicas minhotas. | ||||||||||
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Os dois músicos uma vez mais brilharam na sua actuação, sendo fortemente aplaudidos pelo público. Não seria, porém, a sua última prestação da noite, já que se aproximava o ansiado momento dos cantares ao desafio, cujos intérpretes viriam também a acompanhar musicalmente. Nesse sentido, davam entrada em palco os cantadores Marinho da Barca e Irene de Gaia, veteranos destas lides e que se deslocaram até nós vindos de Portugal para fazerem jus ao seu nome. Desde logo começaram os ataques entre os dois, com versos maliciosos e as quadras a tornarem-se cada vez mais picantes, enquanto cresciam também os aplausos e as gargalhadas dos cerca de 1050 espectadores na sala. Tal era o entusiasmo e a boa disposição que, mesmo para os que não conseguiam resistir sem terem de ir até ao exterior fumar, rapidamente se improvisou um espectáculo fora de portas Davy Neves e a sua concertina acompanharam as vozes de Manuel Nogueira e Lino Gonçalves que ali mesmo, à frente da porta, fizeram o seu confronto. A contenda, apesar de "acesa", acabou com um aperto de mão entre os dois adversários, mas não sem que se tivessem juntado algumas dezenas de pessoas para presenciarem o despique improvisado. São assim estas gentes das concertinas e das cantigas ao desafio: entregam-se de alma ao momento e vivem com emoção o convívio e o espectáculo que, por ser popular, a todos toca. | ||||||||||
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