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Declaração de rendimentos relativa a 2020 poderá permitir a quem trabalhou de casa durante a pandemia deduzir algumas das despesas

De acordo com uma estimativa do Departamento de Estatísticas do Canadá, cerca de 40 por cento dos canadianos que continuaram a trabalhar durante a pandemia fizeram-no em regime de tele-trabalho, valor muito acima das médias de 10 a 13 por cento em anos anteriores.

Ao contrário dos que trabalham por conta própria, os assalariados estão muito mais limitados nas despesas que podem deduzir na declaração de rendimentos, mas devido à pandemia e antevendo um aumento significativo nos pedidos de deduções, o governo federal simplificou o processo.

Assim, este ano existem duas opções para calcular o valor das deduções: a habitual, que o departamento de Finanças do Canadá (CRA, na sigla em inglês) designa por "método detalhado"; e a simplificada, designada "método de montante fixo temporário", ficando a escolha ao critério do contribuinte.

Para o contabilista Michael Kelso, da firma Baker Tilly de Otava, o segundo método, que permite deduzir uma quantia fixa de 400 dólares, será a opção mais atraente por ser a mais fácil de usar para a maioria das pessoas.

Por sua vez, o contabilista Charles Ghadban esclarece que "quem tiver trabalhado em casa mais de metade do tempo durante quatro semanas consecutivas em 2020 devido à Covid-19 tem direito à dedução" das despesas de ter um escritório em casa.

Como refere, o contribuinte pode calcular uma dedução de "dois dólares por cada dia que trabalhou de casa, até um máximo de 400 dólares, sem ter de fornecer qualquer documentação à CRA nem preencher formulários especiais".

No entanto, o método detalhado poderá ser a opção preferível para quem tiver despendido mais e este ano o governo também facilitou essa opção com formulários T2200S e T777S simplificados.

Ambos os contabilistas recomendam a quem use esta opção que tenha todos os seus recibos em ordem e se informe bem sobre as despesas que um empregado assalariado pode declarar, uma vez que, de forma geral, quem trabalha de casa apenas pode declarar despesas com consumíveis ou serviços, mas não com artigos permanentes.

Dão como exemplo as contas de internet, electricidade ou o material de escritório (papel e canetas, etc.) que são permitidas descontar, enquanto que a compra de computadores ou mobiliário não, por serem considerados bens capitais, ou de longa duração.

É necessário também calcular qual a percentagem de cada conta pela qual pode ser pedida a dedução, que é determinada com base na área ocupada pela sua área de trabalho em casa, destacam os contabilistas.

A título de exemplo, Michael Kelso explica que se ao longo do ano o empregado despendeu entre 3.000 e 4.000 dólares em electricidade e outras despesas, mas o escritório que usa consiste de 10 por cento do espaço habitável, só poderá declarar até 10 por cento dessas despesas, o que poderá ficar aquém ou equiparar-se ao montante fixo permitido de 400 dólares – além de que o método detalhado ainda exige o preenchimento de um formulário assinado pela entidade empregadora.

No meio de tudo isto quem poderá sair a ganhar são os empregados que arrendam, especialmente em cidades como Otava ou Toronto onde a renda muitas vezes ultrapassa os 2.000 dólares por mês, enquanto que quem é proprietário e paga hipoteca não pode fazer o mesmo em relação às suas prestações nem aos juros.

Charles Ghadban recorda ainda que para muitos dos seus clientes que trabalham a partir de casa também lhes vale mais a pena alugar equipamento, como mobiliário e computadores, pois nesse caso essa despesa já pode ser deduzida, e recomenda que as pessoas que estão em escalões mais altos de receitas e tributação considerem cuidadosamente o método detalhado pois, apesar de mais moroso, é potencialmente mais rentável.


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