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"Até um dia destes, José Mafra!"

ACAPO organizou jantar de despedida em homenagem ao presidente e ensaiador do Rancho Folclórico da Nazaré

Por Luís Aparício

Sol Português

A noite de 22 de Julho foi de fortes emoções para José Mafra e a esposa, Isabel, ambos visivelmente sensibilizados pela iniciativa da Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas do Ontário (ACAPO) de promover um jantar de despedida e homenagem ao casal que está de regresso a Portugal ao fim de quase 40 anos no Canadá.

Realizado no restaurante "O Sobreiro", da Casa do Alentejo de Toronto, o jantar permitiu um momento de comunhão entre amigos e representantes de alguns dos clubes membros da ACAPO, situação que para José Eustáquio, presidente do Executivo da Aliança, era mais do que merecida por ser uma forma da comunidade prestar um tributo ao casal pelo trabalho e dedicação dentro do movimento associativo português, mas principalmente pela coragem que tiveram em assumir as rédeas do Rancho Folclórico da Nazaré num período difícil da sua existência e garantirem, assim, a sua sobrevivência ao longo das últimas três décadas.

Se José Mafra já mostrava sinais de estar deveras emocionado pelo carinho de todos os que compareceram a este convívio, mais ficou com a visita surpresa do filho, que veio propositadamente da cidade de Calgary, Alberta, para abraçar os pais e desejar-lhes o melhor no regresso a Portugal.

"Foi uma decisão à última da hora", disse Diogo Mafra, que disse ter tido a sorte de conseguir um voo para Toronto.

Todavia, confessou que aquele momento representava também um sentimento agridoce, apesar da felicidade de os ver regressar a Portugal.

"Agora tenho mais razões para visitá-los mais vezes, mas é uma parte da nossa vida aqui no Canadá que está a terminar", reconheceu.

Segundo José Mafra, o filho vem a Toronto "duas ou três vezes por ano", mas nessa noite "estava longe de pensar" que ele iria estar ali a participar na festa, admitiu, ainda incrédulo com a surpresa do filho.

A propósito do regresso agora a Portugal, José Mafra explicou ao jornal Sol Português que não foi uma decisão fácil, tendo sido tomada em Dezembro passado, dois a /três anos antes daquilo que ele próprio previa, mas que, como em tudo na vida, outros valores falaram mais alto.

Além da vertente empresarial, que sofreu um abalo com a pandemia – ao longo dos anos esteve ligado profissionalmente ao sector do Turismo – a decisão da filha e do genro de irem viver para a Costa Rica, país da América Central que, acreditam os progenitores, poderá proporcionar "um futuro mais afectivo e mais natural para os filhos" do que o Canadá, foi o "motivo maior".

Por isso, acrescentou José Mafra, "o plano passa por dividir o tempo: o Verão em Portugal e o Inverno na Costa Rica, porque inclusivamente estamos já a construir duas casas, uma para a minha filha e outra para nós", referiu.

Questionado sobre do que vai sentir mais saudades, José Mafra – que veio para o Canadá com 25 anos – disse que terá saudades dos clientes e amigos que, ainda assim, o têm pressionado para voltar a fazer excursões.

"Inclusivamente, vou voltar em Outubro porque tenho uma viagem a fazer de quatro dias a Nova Iorque e depois a seguir uma a Quebeque", revelou, adiantando que "depois, chegando a Primavera, voltarei em Abril para fazer mais uma viagem ou duas".

Uma referência da comunidade

Para o cônsul-geral de Portugal em Toronto, José Manuel Carneiro Mendes, que esteve presente nesta festa de homenagem, é importante uma comunidade ter referências, porque, como justificou, sem elas, "acaba por ser uma comunidade órfã, por um lado, e por outro, também uma comunidade que não tem nada de que se possa glorificar".

"E hoje [sexta-feira] – prosseguiu o diplomata – na pessoa do sr. José Mafra, estamos também a comemorar o dinamismo desta comunidade, para lá da pessoa em si e dos seus méritos, que são indiscutíveis".

Valter Ferreira, presidente do Clube Cultural Português de Vaughan (PCCV) e ensaiador do rancho folclórico "Os Antigos" fez também questão de estar no jantar para reconhecer a actividade de José Mafra e "dizer um obrigado pelo trabalho que ele tem feito pela cultura portuguesa, que sei que foi difícil, pois eu sei dar o valor, porque já ando nisto há muito tempo", acrescentou.

Também Linda Correia, que preside à Casa dos Poveiros de Toronto, desejou a melhor sorte nesta nova etapa do casal, adiantando conhecer "o José Mafra e a Isabel há muitos anos das nossas andanças com os clubes e com os ranchos".

Como destacou, "são duas pessoas espectaculares que deram [muito] à nossa comunidade" e que "em questão de cultura e dos nossos ranchos folclóricos, foram um marco muito importante na nossa comunidade".

Laurentino Esteves, na qualidade de Relações Públicas, leu uma mensagem do presidente da Casa do Alentejo de Toronto, Jaime Nascimento, na qual o dirigente realça "o valioso legado que fica para ser continuado e que nos é deixado pelo casal Mafra". Além de destacar o dinamismo que sempre emprestaram em todas as apresentações públicas, através das danças folclóricas representativas da Nazaré, que deixa "uma indelével marca".


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