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Casa dos Açores celebra padroeiro e chama a si mordomia das festas do Divino

Por Noémia Gomes
Sol Português

O culto do Divino Espírito Santo, que tão caracteristicamente define a religiosidade açoriana, esteve este fim-de-semana em evidência na Casa dos Açores do Ontário (CAO) onde, à conclusão das festividades, a Direcção deu a conhecer a decisão dos sócios de chamarem a si a mordomia das festas em realizações futuras, eliminando por completo este cargo que habitualmente é desempenhado por particulares.

A realização deste ano, que decorreu ao longo da semana – período durante o qual o padroeiro desta colectividade foi venerado com a reza diária do terço – culminou no fim-de-semana com três dias de grande actividade, incluindo a bênção e entrega de pensões e um espectáculo com Lídia Sousa na sexta-feira (22), um jantar convívio e actuação de Carlos Martins no sábado (23) e, por fim, a cerimónia de coroação e as tradicionais Sopas do Espírito Santo no domingo (24).

Naturalmente, este último dia marcou também o auge das festividades e apesar de ter estado bastante chuvoso, o cortejo cerimonial apresentou-se ainda assim composto por um bom número de fiéis que se dirigiram à igreja para assistirem à coroação da mordoma Cidália Sousa, da neta Ema de Viveiros e do jovem Jordan Pedro.

Esta que marca uma das mais vistosas cerimónias no culto do DES foi administrada pelo pároco João Cabral, que também celebrou a missa solene.

Após a celebração religiosa, o cortejo, que integrava a mordoma, as coroas e os estandartes da CAO e do DES, saiu da igreja de volta à sede da CAO, acompanhado pela Banda do Sagrado Coração de Jesus de Toronto, por elementos do Rancho Folclórico Pérolas do Atlântico e pelo público.

A procissão entrou no salão ao som do hino do DES, a cargo do D.J. Messias Medeiros, que foi também o responsável pelo som durante toda a semana, e foi ali, já com a sala repleta de público que começaram a ser servidas as tradicionais Sopas do Espírito Santo, acompanhadas pela carne, os enchidos e o toucinho, o repolho e as batatas, não faltando a massa sovada e o vinho.

Antes, porém, a vice-presidente da Assembleia-Geral e relações públicas, Fátima Bento fez questão de subir ao pódio para recitar uma prece ao DES e agradecer a refeição que estava prestes a ser servida.

Depois do repasto, Fátima Bento voltou a dirigir-se ao público para pedir um forte aplauso para a presidente do Executivo, Suzanne Cunha, que por sua vez agradeceu a toda a Direcção que ajudou a mordoma Cidália Sousa, relembrando os dons do DES, que constituem os valores centrais deste culto.

Também Fátima Bento recitou os sete dons e o seu significado, realçando entre estes os dons da Fé, da Esperança e da Caridade, convocando de seguida Cidália Sousa a pronunciar-se.

A mordoma das festas fez questão de agradecer a todos os que a ajudaram nesta tarefa, incluindo à família e amigos que a apoiaram no comprimento da sua promessa, e destacou os directores e as cozinheiras que, como referiu, "começaram a cozinhar às quatro da madrugada, tudo em louvor ao Divino Espírito Santo".

Fátima Bento voltou então ao microfone para anunciar a eliminação da mordomia do DES. decisão que, como referiu, foi tomada em Assembleia-Geral pelos sócios que votaram em unanimidade nesse sentido.

Assim, a partir de agora as festas passam a ser feitas pela Direcção da CAO e não haverá mais mordomos, ressalvou a vice-presidente, esclarecendo que "se houver alguém com uma promessa ao Espírito Santo", junta-se à Direcção da CAO que toma as rédeas das festas.

O convívio continuou pela tarde fora, incluindo sorteios de uma viagem e outros valiosos prémios, e levou à cerimónia de entrega da coroa e da bandeira do Espírito Santo, que passou das mãos da mordoma para a Casa dos Açores do Ontário.


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