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Casa dos Poveiros de Toronto:

Sem marchas mas com folclore, noite de arraial recordou tradições dos Santos Populares

Por António Perinú
Sol Português

Após um longo Inverno, a chegada do Verão e do tempo quente convida a mais actividades de rua, algo a que Junho está indelevelmente associado não seja este o mês das afamadas festas dos Santos Populares, as quais são, tradicionalmente, desfrutadas ao ar livre.

Alvo de muita alegria e animação, três datas predominam nas realizações dedicadas a este trio de Santos: 13 de Junho, dia de Santo António, seguindo-se São João, a 24, e São Pedro a fechar o mês, a 29, juntando dezenas de milhares de pessoas em diferentes localidades, não só em Portugal continental e insular, mas também nas comunidades dispersas pelo mundo.

No passado sábado (23), a Casa dos Poveiros de Toronto combinou as festas dedicadas a São João e a São Pedro num só convívio ao ar livre e durante o qual, apesar da falta de marchas, não faltaram ranchos folclóricos a dar o mote para a dança e o arraial.

Embora com tempo instável e chuvoso, o parque de estacionamento da Padaria Caldense em torno da sua sede, onde tudo viria a acontecer, esteve sempre animado e foi palco de muita alegria e diversão.

Segundo a presidente do Executivo poveiro, Linda Correia, estes arraiais já se realizam nesta colectividade há uma década e embora tradicionalmente sejam celebrados não com marchas mas com folclore – nas quais os participantes desfilam com coloridos arcos e balões – nem sempre isso é possível.

"Já realizamos estas festividades há dez anos [mas] só em 2010, creio eu, é que fizemos com marchas, arcos e balões", explicou a dirigente, referindo que, para isso, "é preciso termos pessoas ligadas à Casa que queiram aderir, mas nunca temos pessoal suficiente" para tudo o que isso envolve.

"Por exemplo, de momento não temos rancho folclórico e são os elementos do rancho que formam a marcha", referiu, indicando terem esperança de ver a situação alterar-se em breve já que, "a partir de Setembro vamos voltar a ter novamente o rancho da Casa dos Poveiros, como sempre tivemos. e então no próximo ano, se tudo correr bem – que é o nosso desejo – aí já voltamos a ter a marcha da Casa dos Poveiros", afirmou esperançada.

Com respeito ao local destes festejos populares, "desde o início que realizamos e celebramos aqui no parque de estacionamento da Padaria Caldense, que tem óptimas condições", referiu, acrescentando que "este ano festejamos o São João e o São Pedro", o que vai para além das realizações anteriores, que eram alusivas "só ao São Pedro", esclareceu.

No decorrer do serão seria a própria presidente a apresentar toda a programação, que começou no final da tarde de sábado com a entrada em palco do rancho folclórico da Associação Migrante de Barcelos.

O animado grupo nortenho seria seguido pelos seus congéneres da Associação Cultural do Minho de Toronto, sendo ambos muito aplaudidos pelo público que se apresentou em bom número, apesar do tempo instável.

Mais tarde actuaram ainda os artistas Linda Sousa e Tony Câmara e ao longo do serão não faltaram arrematações, que foram realizadas com a ajuda também de duas directoras da colectividade e não foram difíceis de "vender" pois a mercadoria incluía as sempre apetecíveis camisolas e fatos de treino da selecção portuguesa de futebol.

Quanto ao comes-e-bebes, os aromas que pairavam no ar eram convidativos a saborear a sardinha assada, as bifanas, o caldo verde e as farturas e foram muitos os que aderiram a estas especialidades – entre outras – que são na realidade as rainhas da culinária popular lusitana.

Como escreveu o poeta e diz a canção: "Santo António já se acabou / O São Pedro está-se a acabar / São João, São João / Dá cá um balão para eu brincar".

A ordem dos Santos Populares pode não ser esta e também não houve balões, mas houve muita alegria, convívio, animação e boa disposição entre todos, que é o que mais se pode desejar para uma festa popular.

Quanto à marcha, os arquinhos e os balões, provavelmente voltarão a sair às ruas no próximo ano.


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