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Nova Direcção:

Casa do Alentejo de Toronto quer voltar a ter grupo folclórico

Atrair os jovens e fazer renascer o rancho surgem como prioridades para garantir o futuro

Por João Vicente

Sol Português

Na sequência de uma série de demissões nos principais cargos directivos – incluindo o presidente Brito Fialho, por questões de saúde, assim como o vice-presidente Jaime Nascimento e alguns directores por motivos vários – a Casa do Alentejo de Toronto (CAT) procedeu à eleição de novos corpos gerentes, acto que decorreu em Assembleia-Geral ordinária para prestação de contas e do resumo das actividades.

Entretanto, a apresentação oficial da nova Direcção teve lugar no passado domingo (19), no salão nobre da colectividade e na presença de algumas dezenas de associados, embora, como foi então revelado, haverá em breve mais uma alteração nos corpos gerentes já que a presidente da Assembleia-Geral, Cristina Marques, também apresentou o seu pedido de demissão.

Assim, a Assembleia-Geral conta neste momento com Cristina Marques (presidente), John Manuel Cruz (vice-presidente), Richard Marques (1.° secretário) e Stephanie Fidalgo Pereira (2.ª secretária), mas esse alinhamento decerto irá sofrer uma modificação nas próximas semanas.

No que toca ao Conselho Fiscal, José Luís Lopes assumiu o cargo de presidente, com António Rocha e Raul Raposo como 1.° e 2.° vogais, respectivamente.

Carlos de Sousa volta a presidir ao Executivo, contando com o auxílio de Raul Saraiva no cargo de vice-presidente, do conselheiro directivo João Luís Ferreira, da 1.ª secretária Rosa Rebelo, da 1.ª tesoureira Suzanne Diegues e das relações públicas Rosa de Sousa e Teresa de Sousa.

Foram ainda apresentados como directores eleitos Carlos Carneiro, Lourdes Oliveira, Marlene Araújo, António Nazaré, José Horta, Duarte Martins, João Cardona, João Duarte, Fernando Gama-Pinto, António Gonçalves, Manuel Hilário, Manuel Nascimento, Manuel Maroco, Maria Fidalgo, Maria do Rosário Nazaré, Mariana Horta, Rosa Góis, John Santos, Arminda Boucinha, Maria Hilário, Maria Gonçalves e João Condeço, numa longa lista que conta ainda com a secretária de quotas Eugénia Gama-Pinto e a 2.ª tesoureira Engrácia Abreu.

O rol de dirigentes inclui ainda como directores/coordenadores Maria Raposo, à frente do Grupo Coral, Sérgio Dias e Suzanne Diegues, encarregues do Teatro, Ilda Januário e Felicidade Rodrigues, encarregues do Núcleo de Leitura, e Ana Sofia Saraiva, com o pelouro da Juventude.

A cerimónia de tomada de posse foi precedida de um almoço confeccionado e servido pelos voluntários da casa, após o que a relações públicas Rosa de Sousa deu as boas- vindas a todos e convocou a presidente da Assembleia a empossar a nova Direcção.

Salvo algumas excepções – ou porque já tinham assinado o livro da tomada de posse ou porque se encontravam ausentes – Cristina Marques foi chamando os elementos para que um-a-um procedessem à assinatura do seu nome no registo.

Segundo os responsáveis, a juventude vai ser o novo foco da CAT, pelo que pretendem dedicar mais atenção e criar iniciativas direccionadas às camadas mais jovens.

Carlos de Sousa, agora a desempenhar o que constitui o seu 11.° mandato como presidente, recorda que no ano 2000 a CAT levou cerca de 140 crianças que se encontravam envolvidas com a organização a desfilar na parada do Dia de Portugal.

Contudo, como explica, estas "foram crescendo, foram namorando, foram para universidades, foram casando, foram tendo filhos [...] e devagarinho afastaram-se", motivo porque considera agora "prioridade número um" voltar a chamar os jovens ao seio da colectividade.

Embora reconheça que nos últimos anos houve um grande empenho em renovar os salões, as casas de banho e a cozinha da CAT, gostaria agora de ver esta associação voltar a ter novamente um grupo folclórico, notando que várias foram as colectividades que se "foram abaixo" quando perderam os seus ranchos.

O restabelecimento de um grupo folclórico é assim, na sua opinião, uma prioridade que irá desempenhar também um papel importante na revitalização da Casa e como forma de atrair mais jovens à CAT.

Há desde já algum "sangue novo" nesta Direcção, nomeadamente a família Rebelo/Saraiva que além de ter dado alguma ajuda em regime de voluntariado nos últimos três anos passa agora a desempenhar funções oficiais no elenco directivo.

Raul Saraiva, que foi eleito vice-presidente, explica que apesar de não ser alentejano esta foi a Casa que o acolheu quando chegou a Toronto e sentiu-se sempre "muito bem à volta dos alentejanos", que o trataram "como família", por isso ficou, foi ajudando e gosta de colaborar com a colectividade.

Também a esposa, Rosa Rebelo, está envolvida na CAT, tendo assumido agora o cargo de 1.ª secretária da Direcção, assim como a filha, Ana Sofia Saraiva, de 15 anos, que é a nova directora/coordenadora da Juventude.

Ana Sofia reconhece que a incentivaram a assumir este cargo, mas afirma concordar com a ideia de que "a juventude deve participar mais na comunidade".

Para já, diz não poder ainda adiantar nada sobre o que aí vem, mas confirma que dentro de um mês já deverão estar a anunciar uma iniciativa nova.

"Acho que todos os jovens pensam que os mais velhos sabem fazer as coisas, mas tanto os jovens como os adultos acham que os jovens não sabem fazer as coisas nem têm boas ideias, por isso optam pela maneira tradicional de as fazer – e não digo que a maneira tradicional não seja boa, mas também se devem introduzir iniciativas e ideias novas, e é isso que quero trazer à comunidade", explicou Ana Sofia.

Entretanto, o presidente do Executivo fez saber da sua intenção de voltar a celebrar o aniversário da CAT separadamente da sua Semana Cultural pois, como explica, ambas as ocasiões são oportunidades para rentabilizar as instalações com eventos culturais.

Tal como muitos dos elementos que compõem a Direcção, Carlos de Sousa não é natural do Alentejo, embora afirme com orgulho: "não sou alentejano, mas sou filho da Casa".

Desempenhou o seu primeiro cargo numa Direcção da CAT em 1994 e dois anos depois assumiu a presidência pela primeira vez.

Como salienta, a Casa do Alentejo foi a primeira colectividade lusa de Toronto a realizar uma Semana Cultural, iniciativa que viria a servir de modelo e de inspiração para várias outras que passaram a ser celebradas anualmente por colectividades que representam diferentes regiões de Portugal.

Com 36 anos de actividade, a CAT pretende voltar a ocupar a posição de destaque que já foi sua, contando para isso com a ajuda de uma equipa de voluntários e dirigentes dedicados, e um esforço redobrado para atrair as camadas jovens.

Além disso, destaca Carlos de Sousa, as portas estão sempre abertas a todos, lembrando que apesar de se chamar Casa do Alentejo, "é da comunidade portuguesa".

"Não sou alentejano, a maior parte dos directores e dos sócios não são alentejanos", salientou o dirigente, lembrando que embora seja uma colectividade representante da cultura alentejana, "que é uma cultura digna e singular, estamos abertos a toda a comunidade".

"Temos aqui uma Casa bonita, com instalações agora dignas [...] ao dispor da comunidade em geral" ressalvou o presidente-executivo, lembrando que "qualquer pessoa pode chegar aqui e alugar o salão, [...] temos um bom palco, por isso estamos de braços abertos a qualquer organização que queira fazer as suas festas – acolhemos toda a gente", afirmou, considerando esse o seu apelo: "ao apoio de todos".


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