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Convívio para reformados da Local 183:

Reforço nos benefícios anima sócios aposentados

Por João Vicente
Sol Português

O parque Downsview, no norte de Toronto, foi o palco escolhido para o anúncio de um reforço nos benefícios usufruídos pelos sócios aposentados da sindical LIUNA Local 183, medida que entrará em vigor já no virar do novo ano.

A comunicação foi feita durante o encontro anual que lhes é dedicado e que teve lugar na passada sexta-feira (22), entre momentos de salutar convívio e os discursos dos responsáveis do sindicato e políticos convidados.

Segundo o administrador da "183" e do Conselho Distrital da LIUNA, Jack Oliveira, quando a sua Direcção tomou posse em 2011, apercebeu-se de que o fundo dedicado à reforma precisava de ser reforçado e precisava de ser criada uma campanha de sensibilização dos trabalhadores para que compreendessem a importância desse investimento no seu futuro.

A iniciativa tem estado a dar resultados, mesmo tendo em conta que na altura o fundo fiduciário dedicado às reformas contava com 3100 reformados e agora, passados seis anos, quase que duplicou – 6048 membros activos – enquanto se tem vindo a melhorar os benefícios a que têm direito.

Presentes neste evento, que reuniu algumas centenas de participantes e teve como objectivo homenagear os reformados, estiveram várias entidades políticas, nomeadamente o ministro da Imigração, Refugiados e Cidadania, Ahmed Hussen, e as deputadas federais Judy Sgro e Julie Dzerowicz, que foram cumprimentando quem ia chegando, enquanto os idosos se iam dividindo pelas gigantescas tendas que os protegiam do sol abrasador.

As cerimónias oficiais começaram com o hino nacional canadiano, após o que o secretário da Local 183, Marcelo Di Giovanni, chamou ao pódio Jack Oliveira depois de apresentar os restantes elementos da Direcção ali presentes – nomeadamente, Luís Câmara, Nelson Melo, Bernardino Ferreira e Jaime Cortez – e Joel Filipe, um dos dirigentes do sindicato irmão, Canadian Construction Workers Union (CCWU).

"A Local 183 é um sindicato que começou com mais ou menos 400 pessoas nos anos '50, hoje estamos a rondar os 54.000 e acho que se isso aconteceu deve-se a estes sócios que estão aqui hoje", disse Jack Oliveira, salientando considerá-lo "o dia mais importante" para o sindicato, que pode assim retribuir e agradecer-lhes.

Contudo, o administrador fez questão de deixar também um agradecimento especial aos membros activos, "que permitem oferecer os benefícios de que gozam os pensionistas".

Joaquim Ferreira e Adelino Tomás contavam-se entre os seniores presentes nesse dia em Downsview.

Amigos reformados, um há oito anos e o outro há 20, reconhecem a mais valia de que se reveste o sindicato nesta altura da sua vida e os benefícios para os quais descontaram.

"Já eu trabalhava na construção e ainda não havia sindicato. Andaram pessoas pelos trabalhos para pagarem um dólar para o sindicato e muitos não queriam – pensavam que isto não era bom, não é?", pergunta-nos um deles, retoricamente, antes de concluir que "afinal isto foi das melhores coisas que apareceu", ao que o outro acrescenta: "muito bom!", reconhecendo ambos que lhes tornou a vida muito mais fácil.

Para Jack Oliveira, são pessoas como estas que nos diz estarem hoje em dia a ajudar a abrir os olhos dos sócios ainda no activo, para que contribuam o suficiente

para as suas pensões.

Ao dirigir-se aos idosos, que o ouviam através de altifalantes espalhados pelo recinto, o sindicalista luso-canadiano fez questão de ter junto do pódio os elementos que compõem o Conselho dos Reformados, cumprimentando-os um por um e enaltecendo o trabalho que têm desenvolvido.

O seu pai foi um dos trabalhadores que entraram para o sindicato no final dos anos '60 e Jack Oliveira recorda o quanto a mãe sofreu por não terem na altura ainda muitos dos benefícios de que auferem actualmente, pelo que foi com alegria que anunciou os mais recentes melhoramentos no plano de benefícios dos reformados.

Entre estes, destaca um pelo qual a sua administração se tem vindo a bater desde há muito: a extensão dos cuidados médicos, dentários e de visão ao cônjuge sobrevivente, isentos de custos administrativos.

Dado que o trabalho nas obras requer por vezes proximidade a máquinas que emitem ruídos ensurdecedores – sendo que o termo "ensurdecedor" neste contexto não é exagero nem força de expressão, mas uma realidade – Jack Oliveira indicou que o montante atribuído para a compra de aparelhos auditivos precisava ser reforçado e por isso passará de 750 para 1500 dólares a cada três anos.

De igual modo, e uma vez que os últimos anos de vida significam por vezes estadias prolongadas em hospitais, houve também um aumento do montante atribuído para a prestação de cuidados de longa duração – quer para os trabalhadores aposentados quer para os seus dependentes.

Entretanto, todos estes benefícios foram reforçados ao mesmo tempo que se conseguiu uma redução de cinco dólares por mês nos custos administrativos pagos pelos reformados.

"Estes operários foram responsáveis por construir esta cidade, esta província e este país, portanto, como entidades oficiais eleitas, apoiamos estas medidas", afirmou na ocasião o ministro Ahmed Hussen, adiantando que "o movimento sindical desempenha um papel relevante nesse processo, ao estabelecer empregos bem pagos, estáveis, de classe média".

Por seu turno, a deputada Judy Sgro indicou que, além de gostar de ver eventos como este, pois permitem-lhe demonstrar o quanto aprecia e respeita as pessoas que deram o seu contributo para o sucesso do Canadá, "a `183' faz muito pelos seus idosos e é um modelo de como mostrar respeito e gratidão pelas pessoas que todos os dias trabalharam, fosse ao calor ou ao frio, para construir este país".

Para a deputada Julie Dzerowicz esta foi a sua terceira participação neste evento anual e considerou que estes trabalhadores "se devem orgulhar muito por terem construído a nossa cidade e a nossa província".

Com a sua comparência pretendeu agradecer-lhes, ao mesmo tempo que fez destacar alguma das medidas introduzidas a nível nacional e que se destinam a ir ao encontro das necessidades dos idosos.

Chris McNeill, vice-presidente da firma BPA – que administra os vários fundos fiduciários da Local 183, incluindo o plano de reforma desde há cerca de 20 anos – foi o último orador e o seu discurso foi breve, realçando que a administração o incumbiu de conseguir "os melhores benefícios possíveis para os trabalhadores aposentados".

É por isso, concluiu, que actualmente estes usufruem do "Cadillac dos benefícios", um plano de luxo que considerou "um exemplo para a indústria e para o país".

O convívio, que teve início por volta do meio-dia, prolongou-se pela tarde fora com comes-e-bebes e um salutar convívio entre sócios reformados, a apreciarem um momento de lazer num belo dia de fim de Verão.


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