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CCPM:"Arraial à Portuguesa" enche meia casa

Clube vai adoptar novo nome para o evento no próximo ano

Por Joana Leal
Sol Português

O Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM) recebeu sábado (23) o seu tradicional Arraial à Portuguesa, um evento que no próximo ano deverá passar a designar-se simplesmente Baile de Outono.

A garantia é de Tony de Sousa, que preside à colectividade desde 2015. "Para nós não faz qualquer sentido manter esta designação até porque de arraial não tem nada. É um baile normal, nada mais do que isso", disse o dirigente em exclusivo ao jornal Sol Português.

O que não deixa de ser irónico é que esta foi uma das noites mais quentes do ano em Toronto, com os termómetros do Aeroporto Internacional de Pearson a registarem a temperatura recorde de 33.1º C.

No número 53 da Queen Street North, em Mississauga, depois de um bom repasto onde não faltou o tradicional arroz doce – decorado, é claro, com canela – seguiu-se a actuação do Rancho do CCPM.

Este grupo folclórico tem a particularidade de representar nos seus trajos as várias regiões de Portugal e a sua indumentária revela uma das grandes heranças culturais portuguesas.

À medida que as saias rodavam, era como se levassem o público numa viagem pelo continente português e pelos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

Em noite de Benfica metade da casa esteve cheia e várias gerações marcaram presença neste Arraial à Portuguesa.

Pais, filhos e netos dançaram durante toda a noite ao som do grupo Santa Fé que trouxe, uma vez mais, o melhor da música popular portuguesa a esta casa.

Distribuídos por 53 mesas decoradas a rigor e divididas pelo lado direito e esquerdo do salão principal do CCPM, várias dezenas de portugueses e luso-descendentes trocaram sorrisos rasgados e soltaram gargalhadas pela noite dentro.

Ouvia-se português e inglês, mas sobretudo português, o que demonstra o quão viva está a língua e a cultura lusa no sul do Ontário.

No final da noite, o presidente do CCPM – o sócio número 145 – era um homem visivelmente emocionado e orgulhoso.

"Ninguém faz nada sozinho e eu tenho a sorte de ter ao meu lado uma grande Direcção [35 elementos no total]. Não é fácil encontrar uma Direcção tão unida como a que temos aqui. O segredo é tratá-los como voluntários e não como empregados", sublinhou Tony de Sousa.

Quando tentamos perceber o tempo que envolve da organização de cada um dos eventos do Centro, diz-nos que já perdeu a conta do número de horas de dedicação.

"Não sei se sou louco mas o Centro faz parte da minha vida e esta Direcção é a minha segunda família", adianta.

Confrontado sobre o que ainda falta fazer, considera que é preciso continuar a envolver os mais jovens nas actividades e apostar cada vez mais nos artistas locais da comunidade.

"Os jovens precisam de muita liberdade para trabalhar e são essenciais para dar continuidade a este Centro. E nós estamos a ficar velhos", advertiu.

Há também uma grande preocupação em trazer a cultura portuguesa a cada um dos eventos do CCPM e isso é particularmente evidente durante o Carassauga, festival multicultural que é actualmente considerado o maior no Ontário e o segundo maior do Canadá.

As raízes do evento remontam ao ano de 1985, o CCPM foi um dos fundadores ao constituir o Pavilhão português e Tony de Sousa garante que "quem entrar aqui [durante o certame] sente-se em Portugal".

O presidente do CCPM faz questão também de levar o nome da colectividade além-fronteiras. "O nosso Centro é muito conhecido em Lisboa e nos Açores. Para mim é muito importante que saibam lá fora o que fazemos aqui. E além do mais há um intercâmbio a nível musical, trazemos cá grupos portugueses e eles levam lá os nossos grupos locais. E assim ficamos todos a ganhar", adiantou.

Em 47 anos de Canadá, o homem que nasceu na Lourinhã, numa pequena terra que dá pelo nome de Toledo, confessa que só foi uma vez a Portugal.

"Quis mostrar o sítio onde nasci à minha filha, mas as duas semanas souberam a pouco. Quando fizer o semi-retirement quero ver se lá vou um mês para matar saudades", prometeu.

Quando lhe perguntamos sobre o caminho trilhado em três anos de presidência, os seus olhos brilham. "É uma honra trabalhar em prol da comunidade; da nossa comunidade em geral e para a nossa cidade de Mississauga em particular", concluiu.

A nível de eventos futuros no CCPM, no próximo dia 7 de Outubro haverá uma Gala de Fado, uma homenagem ao nome maior da canção nacional – Amália Rodrigues – na qual vai marcar presença a fadista Luísa Rocha, acompanhada pelo guitarrista Guilherme Banza e o apresentador, radialista e letrista José Carlos Malato, um dos rostos da Rádio Televisão Portuguesa (RTP).

Os bilhetes custam $95, têm tudo incluído e espera-se lotação esgotada.

Destaque ainda para o Baile dos Açores que se realiza amanhã, sábado (30), para o aniversário do Rancho, que terá lugar a 21 de Outubro, e para a Noite de Marisco que decorre a 4 de Novembro.

Numa breve intervenção durante esta noite de arraial, o presidente do CCPM agradeceu a presença dos vários sócios e amigos e em particular de uma aniversariante muito especial: Virgínia Aguiar, que celebrou o seu 80.º aniversário no Centro que ajudou a erguer há 43 anos.


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