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Canadá/Covid-19: Primeiro-ministro garante haver vacinas suficientes para todos

Na última semana, os dados canadianos e internacionais mais uma vez revelaram tendências opostas, mas desta feita foram os indicadores domésticos que detectaram um aumento no número de infecções de Covid-19, que de 2.650 na semana transacta passaram a 3.038 nos últimos sete dias, enquanto que o mundo registou um ligeiro decréscimo, de 3.66 para 3,60 milhões.

Também os óbitos tiveram tendências divergentes, mas desta feita com melhor resultado para o Canadá, que registou 48 falecimentos – menos 15 do que na semana transacta – enquanto que a nível internacional aumentaram de 56.500 para 69.850.

Quanto à taxa de recuperação, que reflecte a percentagem de infectados que superaram a doença, este valor voltou a diminuir a nível mundinal, para 89,8 por cento, mas estagnou no Canadá, mantendo-se nos 97,8 por cento tal como na semana anterior.

A meio da última semana, o grupo de médicos e cientistas que aconselham o governo do Ontário a respeito das medidas a implementar quanto à pandemia de Covid-19 pediu ao primeiro-ministro provincial, Doug Ford, que considere criar um sistema que permita às pessoas vacinadas terem entrada prioritária em cinemas, restaurantes e ginásios.

Num relatório com 21 páginas, o painel consultivo sugere que as entidades provinciais deveriam emitir um "certificado de vacinação", para ajudar a identificar quem está parcial e totalmente imunizado, o que permitiria reabrir mais rapidamente alguns locais considerados de alto risco e/ou com mais capacidade a curto prazo, mas poderia também vir a ter um papel importante no processo de desconfinamento e de reabertura, caso venha a ser necessário voltar a introduzir restrições.

Com 80 por cento da população adulta do Ontário inoculada com uma dose de imunizante e 66 por cento já devidamente vacinada, foi anunciado sexta-feira (23) que as clínicas de vacinação em grande escala na província iam começar a fechar, à medida em que as entidades de saúde se concentram nas comunidades onde o índice de vacinação é menor e as farmácias e médicos passam a assumir um papel predominante.

Entretanto a rede de hospitais da University Health Network (UHN) anunciou que vai exigir aos funcionários que não estão vacinados a apresentação de testes de despistagem de Covid-19 com resultado negativo antes de entrarem ao trabalho.

O objectivo, segundo a UHN, é proteger da melhor forma possível tanto os pacientes como os funcionários, pelo que lhes irão ser fornecidos testes rápidos de despistagem que têm de ser feitos 48 horas antes de entrarem ao trabalho – o que, potencialmente, necessitará a realização de três testes por semana.

Enquanto isso, o sindicato dos professores do ensino primário público aconselhou o governo provincial a abordar a reabertura das escolas "de forma cautelosa", após um relatório de peritos em pediatria dos hospitais Sick Kids, de Toronto e CHEO, de Otava, e do director dos serviços de saúde da província terem expresso preocupação com um aumento previsto no número de casos de Covid-19 em Setembro.

Uma vez que as crianças com menos de 12 anos não podem ainda ser vacinadas contra a Covid-19, o sindicato urgiu ao governo que ponha "em prática todas as medidas de segurança necessárias para impedir possíveis surtos no Outono".

O relatório do hospital Sick Kids incentiva as instituições escolares a melhorarem os sistemas de ventilação e a continuarem a praticar as medidas de higiene e limpeza adoptadas desde o início da pandemia, mas diz também que em nenhum dos anos escolares será necessário aos alunos ou professores usar máscara, observar as regras de distanciamento ou separar as turmas em grupos menores, em zonas onde o risco da Covid-19 for considerado baixo.

O documento sugere ainda que os alunos podem voltar a praticar desporto, música e actividades extra-curriculares – ao ar livre nas zonas de maior risco – e que as escolas só devem ser encerradas em situações "catastróficas", devido ao impacto que essas medidas têm nas crianças e face a dados que revelam haver pouco contágio nas instituições de ensino.

Pela parte do primeiro-ministro do Ontário, que indicou que os planos para o regresso às aulas em Setembro serão divulgados em breve, as aulas vão voltar a ser presenciais embora se mantenha a opção do ensino virtual para os que assim preferirem.

Os alunos "vão voltar" às escolas, "nem que tenha de saltar para o autocarro escolar e levá-los eu mesmo", prometeu Doug Ford, aproveitando ainda para incentivar todos os professores a vacinarem-se.

Em Toronto, a directora dos serviços de saúde da autarquia, dra. Eileen de Villa, elogiou o entusiasmo dos torontinos pela vacina, o que permitiu colocar a cidade numa posição "única e, francamente, invejável" entre as grande metrópoles mundiais que tentam retomar as actividades numa altura em que circula a variante Delta.

A médica indicou que com quase 80 por cento da população adulta na cidade inoculada com uma dose da imunizante e 66 por cento devidamente vacinados, o objectivo é ter 90 por cento dos residentes totalmente imunizados.

De igual modo, um inquérito à opinião pública sugere que a maioria dos canadianos considera que deve ser exigido um comprovativo de vacinação a todos os viajantes que entram no país – quer sejam considerados essenciais ou não.

O Aeroporto Internacional Pearson, em Toronto, anunciou que iria começar a separar os viajantes por filas, consoante o seu estatuto de vacinação, antes de chegarem aos agentes de fronteiras e imigração.

Contudo, a administração arrepiou caminho na terça-feira (27), menos de dois dias após ter dado início a essa prática, quando as autoridades aeroportuárias determinaram, "em colaboração com o governo e outros parceiros", que as "eficiências operacionais" obtidas seriam "mínimas".

Ainda a respeito de viagens, durante o fim-de-semana o Ontário pediu ao governo federal que garanta à população que foi vacinada com marcas diferentes nas duas inoculações que o seu estatuto de imunizado será reconhecido internacionalmente.

A missiva, enviada pela ministra da saúde, Christine Elliott, e pela procuradora geral do Ontário, Sylvia Jones, ao ministro dos assuntos inter-governamentais federal, Dominic LeBlanc, pedia a Otava que colaborasse com a Organização Mundial de Saúde no sentido de actualizar as suas recomendações aos parceiros internacionais, para que estes passem a reconhecer inoculações mistas como um regime de vacinação completo.

Dias depois, os agentes de fronteiras votaram de forma esmagadora a favor duma greve que poderá iniciar-se já a 6 de Agosto – três dias antes do governo reabrir as fronteiras aos viajantes americanos vacinados.

Os 9.000 agentes aduaneiros canadianos estão sem contrato há mais de três anos e deram o mandato de greve aos sindicatos após as negociações com a gerência e com a Direcção Geral do Tesouro terem atingido um impasse.

Na terça-feira (27) o Primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, anunciou terem já chegado ao país vacinas suficientes para completar a imunização de toda a população com mais de 12 anos.

O governo tinha prometido que até ao final de Setembro haveria vacinas suficientes para todos, mas problemas de abastecimento chegaram a pôr em causa esse objectivo.

O chefe do governo, que indicou que "a melhor maneira de voltarmos rapidamente à normalidade" é através da vacina, aproveitou para destacar que a proporção de pessoas devidamente vacinadas entre os infectados representa apenas 0,5 por cento dos casos.

Efectivamente, um estudo recentemente elaborado pelo departamento de Saúde Pública de Peel avaliou as hospitalizações com Covid-19 em relação ao estado de imunização de um grupo de pacientes de Brampton, Mississauga e Caledon, e concluiu que a totalidade dos casos ocorreram em pessoas "não-vacinadas" (67 por cento) ou só parcialmente vacinadas (31 por cento), havendo dois pacientes cuja infecção ocorreu pouco antes de receberem a segunda dose de imunizante.

O governo do Ontário anunciou ser sua intenção começar em breve a divulgar regularmente informações sobre a proporção de pessoas vacinadas e não vacinadas que contraem Covid-19.

Segundo o director dos serviços de saúde da província, dr. Kieran Moore, o risco de contrair a doença é 6,4 vezes maior para as pessoas não-vacinadas, mas salientou que apesar desta ser uma informação importante em termos gerais, não é fácil estabelecer uma ligação ao estado de vacinação do infectado a nível individual.

Um dos grupos que estão actualmente a ser alvo das campanhas de vacinação são os jovens e as unidades de saúde

do Ontário estão a procurar incentivá-los a inocularem-se através das redes sociais e com a oferta de prémios.

Este fim-de-semana termina o prazo para os estudantes se vacinarem e completarem o processo de imunização (21 dias entre a administração das duas doses de imunizante da Pfizer seguido de mais 14 dias para o organismo desenvolver imunidade) se o quiserem fazer antes do início das aulas.

A juventude entre os 12 e os 17 anos tem a menor taxa de vacinação de todas a faixas etárias na província e o responsável pelos serviços de saúde diz que os que não estiverem vacinados vão ser sujeitos a regras mais rígidas de isolamento, caso surjam surtos infecciosos no Outono.

Segundo o dr. Kieran Moore, em caso de contacto com uma pessoa considerada de "alto risco" os alunos vão ter de se submeter a testes de despistagem de Covid-19, mas se estiverem vacinados e o resultado for negativo podem voltar à escola, enquanto que os que não estiverem imunizados terão de ficar em casa durante pelo menos 10 dias, enquanto aguardam a avaliação do teste, podendo prolongar-se por mais tempo conforme o resultado.

Por fim, o governo está a preparar-se para vacinar a faixa etária dos cinco aos 12 anos logo que haja uma vacina aprovada, o que o Dr. Kieran Moore prevê venha a acontecer no final do Outono ou no princípio do Inverno.

Enquanto isso, e à medida em que as empresas reabrem em todo o país e lhes é permitido atender maior número de clientes, muitas companhias dizem estar com dificuldade em encontrar empregados.

A culpa, segundo algumas, é dos subsídios de rendimento pagos pelo governo federal durante a pandemia, citando o Subsídio de Recuperação do Canadá (CRB, na sigla em inglês) e o Seguro de Desemprego que dizem ter mimado os trabalhadores e os desincentivaram de procurar emprego.

Entretanto e continuando o processo de levantamento de restrições às actividades desportivas, depois do futebol e do beisebol na semana anterior, a Federação Canadiana de Ténis disse ter recebido aprovação da Agência de Saúde Pública do Canadá para realizar o torneio National Bank Open em Montreal e em Toronto, que decorrerá de 7 a 15 de Agosto.


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