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Casa dos Açores do Ontário:

Festividades do Divino Espírito Santo recriam culto multi-centenário

Por Noémia Gomes
Sol Português

Cumprindo uma tradição secular que se enraizou com particular intensidade nas práticas religiosas açorianas, a Casa dos Açores do Ontário (CAO) foi palco na última semana das festividades que a sua Irmandade anualmente realiza em honra do Divino Espírito Santo (DES).

Os Impérios do Espírito Santo são um dos traços mais marcantes da identidade açoriana, constituindo um culto que orienta o dia-a-dia dos naturais do arquipélago e os acompanha até para além das ilhas, para os quatro cantos do mundo onde a emigração os levou.

A Irmandade constitui um núcleo organizacional constituído por irmãos voluntários, guiados pelos sete dons do DES: Sabedoria, Entendimento, Concelho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor a Deus.

Estes elegem um mordomo que se responsabiliza e compromete a fazer a festa anual em honra do Espírito Santo, muitas vezes em cumprimento de promessa feita e reconhecimento de graça concedida.

Foi nesse sentimento de tradição, fé e religiosidade que de 18 a 25 de Junho a CAO levou a efeito as suas grandiosas festas, as quais se iniciaram com a apresentação do trono e da mordoma deste ano, Maria Auxiliadora Medeiros.

Ao longo dos dias seguintes registou-se a recitação diária do terço e um convívio todas as noites, enquanto que, com a chegada do fim-de-semana, na sexta-feira (23) se procedeu à bênção da carne e à entrega de pensões aos irmãos, e realizou-se o jantar de badofa que foi seguido por baile com música a cargo do D.J. Messias Medeiros e a actuação da cantora Lídia Sousa.

No dia seguinte, sábado (24), o serão registou o tradicional jantar de carne guisada, animado depois por baile com a actuação do cantor Herman Vargas.

As festividades culminaram no domingo (25), altura em que o culto religioso atingiu o seu apogeu com a missa de coroação na Igreja de Santa Helena, celebrada pelo padre João Cabral, seguindo-se o cortejo religioso que saiu da igreja até à sede da CAO e que foi acompanhado pela Banda Filarmónica do Sagrado Coração de Jesus de Toronto, sediada naquela paróquia.

À chegada à CAO, as coroas foram colocadas no altar que ali foi erguido para estas festividades, procedendo a vice-presidente da Assembleia-Geral, Fátima Bento, a dar as boas-vindas a todos e a recitar uma prece ao DES, que é o padroeiro da colectividade.

No entretanto foram tocados os hinos do Canadá, de Portugal, da Região Autónoma dos Açores e do Divino Espírito Santo, após o que Fátima Bento reconheceu ainda os directores e pediu um minuto de silêncio em memória dos sócios já falecidos.

Seguiram-se uma série de breves alocuções por parte de responsáveis da CAO, a começar pela presidente do Executivo, Suzanne da Cunha, que com emoção desejou que os dons do DES descessem sobre todos os que ali se encontravam, agradecendo à mordoma e a todos quantos trabalharam voluntariamente para este evento.

Por seu turno, o presidente da Assembleia-Geral da CAO, António Pereira, destacou que através desta festa "estamos a celebrar a nossa açorianidade e as nossas crenças" ao recriarmos tão longe da origem um culto que tão profundamente define o povo açoriano, lembrando ainda os fundadores, "que nunca devem ser esquecidos", advertiu.

A última a pronunciar-se foi Maria Auxiliadora Medeiros que profusamente agradeceu à CAO, a todos os corpos gerentes, à irmã Conceição Casimiro, vice-presidente do Executivo, e aos voluntários e amigos, concedendo que sem eles não seria possível atingir o sucesso que foi a sua mordomia.

No espírito do DES, que pretende levar a todos o alimento para o corpo e para a alma, após as cerimónias foram servidas as tradicionais sopas do Espírito Santo, delícia que ao contrário do que o nome indica são muito mais do que isso, uma vez que são acompanhadas por carne cozida, toucinho, chouriço, batatas, repolho, bom vinho e massa sovada, e servidas a todos gratuitamente.

A tarde continuou animada pelo convívio, com música pelo DJ Messias Medeiros, arrematações e ainda o anúncio do mordomo para o próximo ano, que viria a ser escolhido por sorteio.


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