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Sétimo festival da Bloorcourt festejado com cor, música e alegria

Por Jonathan Costa
Sol Português

O Festival Bloorcourt celebrou no passado sábado (25) a sua sétima edição, enchendo de cor, música e muita alegria um troço da Bloor Street West, entre a Montrose Avenue e a Dufferin Street.

O evento anual, organizado pela Associação de Comerciantes de Bloorcourt (BIA, na sigla em inglês) trouxe muita animação a esta zona da cidade onde entre um crescendo de diferentes culturas se encontram também vários estabelecimentos portugueses.

A par da música e dos sabores gastronómicos das diversas comunidades e culturas ali representadas, toda uma série de actividades proporcionaram diversão para toda a família, incluindo exposições de pintura e arte, actuações musicais, pinturas de rosto, mesas de ping-pong, assim como insufláveis e bambolês (arcos coloridos) que eram disponibilizados gratuitamente para todas as crianças.

Yauca de Almeida, proprietário do estabelecimento Luanda House, localizado junto à intersecção da Bloor com a Dovercourt Road, foi um dos participantes, considerando-o um evento "muito especial" e uma oportunidade para unir as diferentes comunidades que se concentram nesta zona da cidade.

"É importantíssimo celebrarmos este festival, toda esta arte e cultura", afirmou à nossa reportagem, acrescentando ser também desde há quatro anos este o momento em que se realiza o Angofest, "onde celebramos as nossas raízes angolanas com a comunidade local e mostramos um pouco da nossa música, dos nossos sabores e cultura a todos os que por aqui passam".

"Estou aqui com a minha mulher e o meu filho e divertimos-nos imenso a cada ano", acrescentou o nosso interlocutor, destacando que "toda esta união da comunidade é o que torna um evento como este muito especial – estão todos de parabéns", concluiu.

Muitos dos restaurantes optaram por montar barracas ou tendas na rua, oferendo uma grande diversidade de sabores e aromas a todos os que passavam.

As crianças brincavam alegremente com balões coloridos e vários palhaços e animadores técnicos presentes ao longo do festival "puxavam" pelas gargalhadas dos mais jovens enquanto figurantes trajados nas tradicionais personagens dos contos de fadas – como o Capuchinho Vermelho ou a Cinderela – deliciavam também os mais novos.

A música das várias culturas, incluindo a portuguesa, escutava-se em cada canto, quer tocada por músicos ao vivo, quer difundida por alto-falantes nos estabelecimentos, sobretudo do ramo de comes-e-bebes, os quais expandiram as suas explanadas para poderem acolher um maior número de clientes mais confortavelmente.

Muitos foram o que não resistiram às melodias e bailaram no meio da rua, formando um grupo que foi aumentando com o passar das horas e perante o qual até os mais tímidos perdiam a vergonha.

Enquanto isso, toda uma série de comerciantes locais demonstravam os seus produtos, alguns de forma original, procurando atrair novos clientes,

Via-se de tudo um pouco, desde uma exposição com abelhas a produzirem mel, a danças de hip-hop improvisadas, incluindo artistas que pintavam, ao vivo, cenas da cidade de Toronto e de Bloorcourt, e toda uma série de passatempos e actividades criativas que entretiveram os visitantes das várias tendas, assegurando uma tarde de sucesso a nível de vendas.

Contudo, as coisas nem sempre estiveram facilitadas e não foi tudo um mar de rosas neste festival, que teve início ao meio-dia e decorreu até às 22h00, uma vez que a chuva intensa e o mau tempo que se fez sentir ao longo do dia só viriam a cessar por volta das 19h00.

"Não estava fácil, cheguei aqui com a minha mulher por volta das 3h00 da tarde, pensámos que a chuva já estaria a terminar nessa altura, mas estávamos bem enganados", dizia-nos António Ferreira, que todos os anos visita o festival Bloorcourt.

"As ruas com todas estas tendas, estes pátios, estes negócios, estava tudo vazio", continuou, adiantando que "apenas se viam as pessoas a correr para encontrarem abrigo".

Durante largas horas – e por diversas vezes – o público, técnicos e artistas foram obrigados a procurar refúgio nos estabelecimentos locais ou lugares cobertos na berma da estrada, tentando fugir à chuva intensa que teimava em não acabar e que chegou a ameaçar o equipamento e material técnico de todos os que estiveram envolvidos no evento.

O público só voltou quando parou de chover, situação que deixou este casal feliz já que, como nos confessa António Ferreira, "gostamos imenso deste festival" considerando-o "muito divertido".

"Este ano é diferente porque, de facto, fomos condicionados pelo mau tempo", reconheceu Allan Martyniuk, um dos residentes locais que connosco trocou impressões, mas, "nota-se que este festival está a crescer e a cada ano notamos mais e mais pessoas", acrescentou.

"Vivo aqui há muito tempo e isto é maravilhoso", referiu, salientando que "ao apoiarmos estes artistas e estes negócios locais, estamos essencialmente a apoiar a nossa comunidade de Bloorcourt, e isso é importantíssimo".

"Todos unidos somos sempre mais fortes", destacou este residente de longa data, ao expressar também a opinião de que "precisamos de mais apoio e união nas nossas comunidades".

Uma das maiores atracções da noite foi a apresentação da iniciativa "Paradise on Bloor", um projecto dedicado à renovação do Paradise Theatre, edifício histórico erguido em 1937 e conhecido pelas suas salas de cinema e galerias de arte comunitária.

O edifício, que se encontra fechado desde 2006 devido a sérios danos nas fundações e por falta de investidores, vai reabrir ainda este ano, uma notícia que de imediato gerou grande expectativa e felicidade entre o público que visitou a exibição.

"Acho uma excelente ideia, adoro cinema e adoro arte. Temos que continuar a criar espaços onde possamos apreciar arte em todos os aspectos", afirmou Cindy Chung, residente na Bloor Street West.

As actividades viriam a terminar cerca das 22h00, sob a bela iluminação proporcionada pelas coloridas luzes das muitas realizações que se estendiam ao longo da rua, concluindo mais uma iniciativa de sucesso no apoio ao comércio e ao talento locais.

A Bloor Street West foi reaberta ao trânsito em toda a sua extensão pouco depois, marcando assim o encerramento de um dos festivais que recruta mais artistas plásticos e músicos, assim como animadores, na cidade de Toronto.


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