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36.º aniversário:

Rancho da Casa da Madeira celebra efeméride com amigos transmontanos

Por Jonathan Costa
Sol Português

O 36.º aniversário do Rancho Folclórico da Casa da Madeira foi assinalado no passado sábado (25), numa noite de alegria e confraternização que reuniu cerca de uma centena de convivas na sede da colectividade.

As tradições folclóricas e o empenho e a dedicação dos que há mais de três décadas lutam pela preservação desta forma de cultura popular foram os temas da festa, que celebrou mais um ano de existência deste que é o único rancho madeirense em solo canadiano.

O programa de actividades incluiu um jantar convívio e além das intervenções de elementos da Direcção e convidados especiais ficou marcado pela actuação do rancho aniversariante com acompanhamento do Grupo Folclórico Transmontano de Toronto, que foi convidado a com eles actuar.

Para José de Freitas, que se iniciou no Rancho Folclórico da Casa da Madeira como dançarino e é actualmente o ensaiador, era evidente o orgulho que sentia nessa noite especial.

"Comecei neste grupo como dançarino, ainda antes de ele ser oficialmente formado, e nunca esperei que estivéssemos aqui todos estes anos depois", confessa, facto que o deixa "imensamente orgulhoso", como refere à nossa reportagem.

Actualmente, são "mais de 25 membros que se dedicam a isto de corpo e alma, trazendo o melhor do nosso folclore à nossa comunidade", refere, acrescentando que constituem uma "maravilhosa família que promove tudo o melhor da Madeira e da nossa cultura portuguesa".

No centro do salão – decorado nas cores tradicionais da Região Autónoma e onde nas paredes várias fotografias preservavam a memória de diferentes actuações e dos trajes, acessórios e ornamentos usados ao longo dos anos pelo rancho – o bolo de aniversário colocava em destaque a foto dos actuais elementos que compõem o grupo.

Os sorridentes convivas, de todas as idades, iam desfrutando do entretenimento musical proporcionado pelo DJ Nazaré Praia enquanto aguardavam o serviço de jantar, cuja confecção esteve a cargo de uma equipa de voluntários dirigida pelo presidente do Executivo da Casa da Madeira, Luís Bettencourt.

A propósito da ocasião, o dirigente considerou "um orgulho" poderem celebrar " mais um ano deste rancho madeirense", enfatizando também ele o facto de ser "o único em todo o Canadá" ao mesmo tempo que considerava esta festa uma comemoração da "nossa cultura e das nossas raízes".

A refeição elaborada para essa noite foi composta por diversos sabores tradicionais da gastronomia portuguesa e Luís Bettencourt fez questão de expressar o seu agradecimento à Direcção e voluntários, "que fazem tudo isto gratuitamente", ao mesmo tempo que congratulava o rancho dirigindo-lhe o seu "sincero desejo de parabéns".

No decorrer do serão vir-se-ia a escutar uma alocução do conselheiro permanente das Comunidades Madeirenses, José A. Rodrigues, que ao abrir as formalidades congratulou o rancho madeirense.

"O nosso folclore demonstra o melhor das nossas raízes", referiu, lembrando que "nem sempre é fácil, mas este rancho e esta casa são símbolo da união da nossa comunidade e da nossa cultura" e expressando por isso o seu agradecimento e "sincero desejo de parabéns" pela "dedicação e esforço" que têm demonstrado ao longo de todos estes anos.

Seguir-se-ia o vice-presidente do comité responsável pela Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas do Ontário (ACAPO), Laurentino Esteves, que fazendo uso do seu típico bom humor abriu a sua alocução com a advertência: "É pá, então mandaram um poveiro discursar no meio dos madeirenses?! Olhem que nós poveiros não nos calamos!".

Prosseguindo na que seria afinal uma breve intervenção, Laurentino Esteves ressalvou celebrar-se ali "uma noite especial, que é vossa e da vossa tradição" e formulou votos para que a colectividade e o rancho continuem "a demonstrar o melhor da nossa cultura aos mais jovens, para que eles possam continuar estes 36 anos de história" e assim "representar a terra dos seus pais e da sua família", referiu.

Por fim chegou o momento pelo qual todos ansiavam, com a entrada no salão do rancho aniversariante, de imediato recebido com imenso carinho pelos sócios e simpatizantes da colectividade que os brindaram com fortes ovações e aplausos.

No decorrer do serão o Grupo Folclórico Transmontano de Toronto viria a acompanhar os seus homólogos madeirenses, proporcionando exibições repletas de cor e energia centradas nas tradições destas duas regiões.

Da pesca aos namoros, da família às dificuldades do dia-a-dia, foram vários os temas representados nas danças tradicionais folclóricas que ambos os grupos exibiram com grande empenho e que representavam facetas da vida de outrora.

Já perto do final, os elementos do grupo transmontano convidaram os dançarinos madeirenses para participarem numa das suas danças tradicionais, ensinando-lhes os passos e os movimentos necessários, o que fez despertar muitos sorrisos e gargalhadas.

Jovens e graúdos dos dois ranchos dançaram com alegria lado a lado, num bonito símbolo de união e confraternização que o público procurava captar para a posteridade com inúmeras fotografias.

Foi assim, com este belo ambiente e neste sentimento de união, que se deram por encerradas as celebrações do 36.º aniversário do Rancho Folclórico da Casa da Madeira, grupo que os seus dirigentes garantem continuará a representar e a apresentar ao público luso-canadiano o melhor do folclore e das tradições madeirenses por muitos mais anos.


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